Governo muda comando de embaixadas em nove países

Aprovadas no Senado, trocas reformulam corpo diplomático do governo Dilma. Um dos novos embaixadores compunha a gestão anterior: Antônio Patriota, que foi ministro das Relações Exteriores entre 2011 e 2013, assume posto na Itália

O Senado aprovou em plenário nesta quarta-feira (17) o nome de oito diplomatas para chefiar as embaixadas do Brasil em Bélgica, Colômbia, Itália, Rússia, Panamá, Portugal e China, além de Kuwait e Bahrein – esses dois últimos países compartilharão o mesmo representantes (leia mais abaixo). Todos passaram por sabatinas na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE) antes de irem à votação pelo conjunto da Casa.

Bélgica

Antonio José Vallim Guerreiro vai ocupar o cargo de embaixador do Brasil no país europeu. Guerreiro vai acumular o cargo com a representação do Brasil em Luxemburgo. A indicação do embaixador foi aprovado na CRE na reunião do dia 30 de junho. Durante a sabatina, Guerreiro informou ainda que a Bélgica é o segundo país com maior estoque de investimentos estrangeiros no Brasil, no total de US$ 63 bilhões, atrás apenas dos Estados Unidos.

Filho de brasileiros, Antonio Guerreiro nasceu na Espanha, em 1954. Entrou para a carreira diplomática em 1974 e um ano depois se formou em Economia, pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (RJ). Ele já trabalhou nas Embaixadas do Brasil em Paris, na França, e em Moscou, na Rússia.

Colômbia

Julio Glinternick Bitelli nasceu em Santo André (SP), em 1960. Formou-se em Direito pela Universidade de São Paulo, em 1983, e dois anos depois entrou para a carreira diplomática.

O diplomata ressaltou, durante sabatina na CRE, que a Colômbia pode estar entrando em uma nova fase de sua história, com a assinatura de acordos de paz com o grupos guerrilhos Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e Exército de Libertação Nacional (ELN), ambos próximos de um fecho. Bitelli ressaltou também que, se assumisse o posto, buscaria aprofundar as negociações já existentes visando a assinatura de acordos comerciais entre o Mercosul e a Aliança do Pacífico, bloco do qual a Colômbia faz parte.

Itália

Antonio de Aguiar Patriota vai assumir a chefia da embaixada brasileira em Roma, cumulativamente com as representações do Brasil em Malta e San Marino. Patriota nasceu no Rio de Janeiro (RJ) em 1954. Graduou-se em Filosofia pela Universidade de Genebra em 1975, e três anos depois entrou para a carreira diplomática. Entre 2011 e 2013, no primeiro governo de Dilma Rousseff, Patriota foi ministro das Relações Exteriores.

Durante a sabatina na CRE, Patriota enfatizou que hoje cerca de 70 mil brasileiros, com os quais o país ainda tem "fortes laços culturais e de amizade”, vivem na Itália. No que tange à parceria econômica, Patriota lembra que a Itália é o segundo colocado na Europa em negócios com o Brasil, ficando atrás apenas da Alemanha. O fluxo comercial gira em torno de U$ 10 bilhões por ano, e o estoque de investimentos de empresas italianas no Brasil já supera U$ 18 bilhões.

Rússia

Antonio Luis Espinola Salgado foi o nome aprovado para o cargo de embaixador do Brasil na Rússia e, cumulativamente, na República do Uzbequistão. Natural do Rio de Janeiro, Antônio Salgado graduou-se em Ciências Jurídicas pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Ingressou na carreira diplomática em 1980, e desde então já ocupou o cargo de embaixador no Irã e na Turquia, além de ter passado pelas embaixadas brasileiras no Chile, na Suíça e no Panamá.

Em sua sabatina na CRE, o diplomata informou que duas empresas russas de energia, a Gazprom e a Rosneft, demonstraram interesse em aumentarem seus investimentos no Brasil. Especificamente a Rosneft já investiu valores superiores a R$ 1 bilhão aqui, tendo 21 licenças de exploração de hidrocarbonetos na bacia do Rio Solimões.

Outra área tradicional na Rússia e com tradição de excelência, o setor ferroviário, também tem empresas com interesse em realizar parcerias com empresas brasileiras por meio do Programa de Parcerias de Investimentos, uma das primeiras iniciativas do governo interino de Michel Temer buscando a retomada nos investimentos de infraestrutura.

Salgado fez questão ainda de ressaltar durante a sabatina que o Brasil é tradicionalmente superavitário na balança comercial com o país eslavo, com as trocas chegando a US$ 6,76 bilhões em 2014, tendo caído para US$ 4,6 bilhões em 2015.

Panamá

Também foi aprovada a indicação de Flavio Macieira para o cargo de embaixador do Brasil no Panamá. A indicação já havia sido aprovada em comissão no início do mês. Desde 2012, o indicado era embaixador do Brasil na Noruega. Durante a sabatina na CRE, Macieira lembrou que o país da América Central vêm passando por um consistente processo de crescimento econômico desde o ano 2000, quando pôde retomar o controle sobre o canal do Panamá. A nação trabalha com "ousados" planos quinquenais, segundo Macieira, dando prioridade ao incremento do setor energético.

Antes de ser embaixador na Noruega, Macieira ocupou, entre outros, os cargos de primeiro secretário no Iraque; subchefe da Divisão de Comércio Internacional do Itamaraty; conselheiro na Embaixadas do Brasil na França e na Irlanda; ministro-conselheiro na Suíça; e embaixador na Nicarágua.

China

Com 49 votos favoráveis, 3 contrários e 2 abstenções, a indicação do diplomata Marcos Caramuru para a chefia das representações brasileiras na China e na Mongólia também passou pelo crivo do plenário do Senado. Ele havia sido sabatinado na manhã de hoje (quarta, 17) na CRE. Durante a sabatina, Caramuru deu ênfase ao potencial que o Brasil tem de atrair investimentos chineses em infraestrutura, principalmente nas áreas de energia e ferroviária. O diplomata afirmou que a inserção cada vez maior de empresas chinesas no mercado global, tanto estatais quanto privadas, também tem servido para que essas companhias se adaptem a práticas comerciais mais condizentes com o capitalismo ocidental.

Além de embaixador na Malásia e cônsul-geral em Xangai, maior cidade da China, Marcos Caramuru ocupou importantes cargos dentro e fora do Itamaraty, a maioria deles na área econômica. Foi diretor executivo do Banco Mundial, trabalhou na Subsecretaria-Geral de Assuntos Econômicos e Comerciais do Ministério das Relações Exteriores, foi chefe da Assessoria de Comunicação Social e secretário de assuntos internacionais do Ministério da Fazenda. Serviu, ainda, nas embaixadas brasileiras nos Estados Unidos e na Venezuela e na missão junto à Organização das Nações Unidas (ONU).

Kuwait e Bahrein

O diplomata Norton de Andrade Mello Rapesta foi o nome aprovado para o cargo de embaixador do Brasil no Kuwait e, cumulativamente, no Bahrein. Na CRE, a indicação de Norton foi aceita por unanimidade no início deste mês. Nascido no Rio de Janeiro, Norton de Andrade Mello Rapesta é graduado em Direito pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e é servidor do Itamaraty desde 1982, tendo passado pela Comunidade Econômica Europeia e por representações brasileiras em Roma (Itália) e Caiena (Guiana Francesa). Também foi embaixador em Helsinki (Finlândia) e Luanda (Angola).

Situados no Oriente Médio, os dois países baseiam suas atividades econômicas na indústria de hidrocarbonetos. O Estado do Kuwait tem cerca de 4,3 milhões de habitantes e mais da metade de seu produto interno bruto (PIB) deriva do petróleo e derivados. O saldo comercial com o Kuwait tem sido desfavorável ao Brasil desde 2011. O Reino do Bahrein, com cerca de 1,3 milhão de habitantes, mantém um intercâmbio comercial com o Brasil de US$ 400 milhões anuais, com uma balança favorável às exportações brasileiras.

Portugal

Já o diplomata Luiz Alberto Figueiredo Machado, que ocupava a embaixada do Brasil nos Estados Unidos, vai assumir o cargo em Portugal. Natural do Rio de Janeiro, o indicado é bacharel em Direito pela Universidade Estadual do Rio (UERJ) e já ocupou o cargo de ministro das Relações Exteriores de 2013 a 2014. No Instituto Rio Branco, concluiu o Curso de Preparação à Carreira de Diplomata em 1979, e o Curso de Altos Estudos em 2000, quando defendeu tese sobre a plataforma continental brasileira e o Direito do Mar.

Ao ser sabatinado na CRE, no último dia 10, Luiz Alberto Figueiredo Machado disse considerar Portugal a “grande ponta de lança” para que empresas brasileiras possam entrar no gigantesco mercado da União Europeia. Ele ressaltou que 75% do comércio português é realizado com seu entorno, existindo, portanto, um real espaço para se estabelecerem relações comerciais das companhias brasileiras com o país europeu.

O diplomata também afirmou que Portugal está apoiando as negociações de acordo entre o Mercosul e a UE, além de ter contrariado seus parceiros europeus, quando preferiu votar nos candidatos brasileiros que venceram as eleições para a presidência da Organização Mundial do Comércio (OMC), em 2013 (Roberto Azevêdo), e da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) em 2011 (José Graziano).

Com relação ao comércio, o intercâmbio entre Portugal e Brasil foi de US$ 1,6 bilhão em 2015, com saldo ligeiramente a favor do Brasil. O Brasil exporta, principalmente, petróleo, soja e laminados de ferro e aço, e importa, sobretudo, azeite de oliva, peças de veículos, frutas e vinhos. Cerca de 85 mil brasileiros vivem hoje no país europeu.

* Com informações da Agência Senado

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