Governo cria Comitê Executivo de Coordenação e Controle de Fronteiras

Proposta é integrar diferentes setores que atuam junto às fronteiras, como inteligência, Defesa, PF e Receita, para conter o contrabando de armas e de mercadorias e o tráfico de drogas

O governo anunciou nesta quarta-feira (25) a criação de um Comitê Executivo de Coordenação e Controle de Fronteiras. A proposta é integrar diferentes setores que atuam junto às fronteiras brasileiras, como inteligência, Defesa, Polícia Federal e Receita Federal para conter o contrabando de armas e de mercadorias, e o tráfico de drogas. No âmbito internacional, Brasil e Argentina irão coordenar os trabalhos envolvendo outros países vizinhos. O ministro de Relações Exteriores, José Serra disse que não há nenhuma problema em dialogar com países que se posicionaram contrariamente ao impeachment da presidente Dilma Rousseff, como Bolívia e Venezuela, por exemplo.

"Não vejo nenhuma dificuldade nesse aspecto", disse Serra. "Disse ao Macri que fizéssemos um encontro regional na América do Sul com vistas a uma ação coordenada", acrescentou. Serra disse que não vê problemas em estabelecer relações próximas com a Bolívia em relação a temas de interesse de ambos os países, como o tráfico de cocaína. No caso da Venezuela, Serra disse que o a aproximação com o país não é uma prioridade neste momento, uma vez que as ações serão mais concentradas nas fronteiras ao sul do Brasil. "Não é porque seja a Venezuela ou Nicolás Maduro", disse Serra.

O ministro também comentou a circular enviada ontem (24) ao corpo diplomático brasileiro em outros países com orientações para combater as acusações de que o impeachment seria um golpe. O documento recebido por embaixadores diz que “órgãos de imprensa, acadêmicos e membros da sociedade civil, mas também dirigentes de organismos internacionais e representantes de governos, têm-se manifestado, frequentemente de forma imprópria e mal informada, a respeito de questões da conjuntura política interna brasileira, em especial do processo de impeachment da Presidente Dilma Rousseff, ora em curso".

Serra diz que o documento foi uma tentativa de "procurar uniformizar uma informação para rebater as acusações infundadas que se tem feito em torno dos fatos". "Nós estamos sendo atacados, se nos defendemos, mesmo num tom menor, somos atacados?", questionou o ministro.

O ministro da Defesa, Raul Jungmann, disse que a pasta também enviou uma circular com conteúdo semelhante às orientações do Itamaraty para todos os adidos militares de todas as embaixadas brasileiras. "Para esclarecer e desmistificar versões que não consistem com a a realidade no Brasil", afirmou.

Ações

De acordo com Serra, a proposta do governo é "coordenar as ações que já existem. A ideia e ter uma visão comum, aprofundar o diagnóstico e fazer com que as ações tenham um caráter permanente e não episódico". Os ministros afirmam que as ações previstas não envolvem aumento de gastos do governo, mas sim administrar recursos já existentes. "Se for necessário algum recurso certamente não é nada que esteja fora de possibilidades", disse Serra.

Jungmann anunciou a criação da Operação Ágata, que envolverá 15 mil homens em ação nas fronteiras do país. "Essa operação visa sobretudo o efeito surpresa. Deverá ocorrer de forma não previsível em vários momentos", explicou o ministro, que acrescentou a iniciativa do governo de alugar um satélite israelense de baixa altitude para ajudar no monitoramento das fronteiras.

Governo Temer

Na entrevista coletiva, José Serra disse que não tem participado das reuniões do governo para a definição das medidas econômicas e negou que tenha sido convidado por Temer para assumir o Ministério do Planejamento, depois que Jucá anunciou sua licença do comando da pasta.

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