Governador do Distrito Federal critica Bolsonaro por orientar comemorações sobre 1964

O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), criticou o presidente Jair Bolsonaro pela orientação dada às Forças Armadas para comemorarem o golpe de 1964 no dia 31 de março, data que marca o início do regime militar. Para Ibaneis, a iniciativa "não contribui para a pauta política de estabilidade".

Ibaneis fez a declaração após receber o fórum de governadores, encontro dos chefes dos Executivos estaduais com o ministro da Economia, Paulo Guedes. O governador do DF considera inadequado chamar a tomada de poder pelos militares de "revolução", porque "partidos sofreram com essa revolução".

Na última segunda-feira (25), o porta-voz da Presidência, general Otávio do Rêgo Barros, informou que Bolsonaro determinou ao Ministério da Defesa que faça "as comemorações devidas", sobre o 31 de março, sem entrar em detalhes.

"O que está faltando ao governo federal, a partir do presidente Bolsonaro, é definir a sua pauta política. Esta é que está sendo maltratada, na visão de todos os governadores", disse Ibaneis, que também criticou a postura do governo de chamar a atual política "de política do passado, sem dizer qual é a nova política".

Lembrança do golpe

Bolsonaro não se manifestou em suas redes sociais, até o momento, sobre o aniversário do início do regime militar. Mas alguns nomes próximos ao governo foram às redes sociais apoiar a medida. A líder do governo no Congresso, deputada Joice Hasselmann (PSL-SP), escreveu no Twitter que a decisão "é a retomada da narrativa verdadeira de nossa história".

Em outra mensagem, criticou os opositores. "A esquerda raivosa e os bonecos de ventríloquos estão em polvorosa por causa da decisão do governo Jair Bolsonaro de autorizar as comemorações devidas ao março de 1964. Podem berrar. O choro é livre e graças aos militares, o Brasil também!", escreveu.

"Por mim, o único 'golpe militar' no Brasil que não pode ser comemorado é o de 1889 [a proclamação da República]", publicou, também no Twitter, a deputada Carla Zambelli (PSL-SP).

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