Gilmar diz que contornou rolo do acordo ilegal

De volta ao Brasil, vice-líder do governo conversou com os deputados envolvidos no acerto e disse a eles que o governo tentará uma forma de renegociar as emendas que foram vetadas

O vice-líder do governo no Congresso, Gilmar Machado (PT-MG), disse na tarde desta sexta-feira (2) que foi contornado o problema dos R$ 150 milhões em emendas vetadas pela presidente Dilma Rousseff na área de transportes. Como mostrou o Congresso em Foco, as emendas foram inseridas ilegalmente num projeto de crédito em acordo feito por Machado com outros deputados. Numa primeira versão, o vice-líder disse que o trato havia sido feito para viabilizar a aprovação do orçamento de 2012. Agora, ele diz que a intenção limitava-se a aprovar os créditos extraordinários.

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Machado afirma ter telefonado hoje para todos os dez deputados que ficaram sem suas 17 emendas no projeto de crédito 12/11. Com o senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), ele havia falado antes. Na conversa, o vice-líder do governo tranquilizou os deputados. Alguns deles sequer sabiam do veto de Dilma a suas emendas.

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“Todo mundo já entendeu, todo mundo viu que se tentou vincular as emendas pra tentar fazer uma encrenca com a presidenta”, disse o deputado ao Congresso em Foco hoje à tarde. As votações sensíveis ao governo estão garantidas. “Todo mundo já votou o fundo previdenciário, vai votar o código florestal semana que vem. Então tá todo mundo muito tranquilo.”

Machado ainda defendeu os deputados e Vital do Rêgo da eventual participação em barganhas. “Ninguém nunca barganhou a questão de votar o orçamento com isso. Nenhum parlamentar fez isso. Entendeu? Ninguém chegou pra mim e disse: ‘Não vou votar o orçamento se não tiver emenda’.”

Conversas com os Transportes

Machado está trabalhando para que as obras vetadas sejam acolhidas nos programas existentes do governo. Ele disse hoje que já havia adiantado aos colegas sobre essa possibilidade no ano passado, ao mesmo tempo em que avisava que a inserção das emendas seria inconstitucional. “Isso vai ser vetado. Depois, nós podemos conversar com o Ministério dos Transportes e com o DNIT, porque a solicitação de vocês já faz parte do PAC”, narrou o deputado, reproduzindo a conversa de 2011.

Essas negociações com o Executivo já estão sendo feitas, segundo Machado: “Então, é possível tratar essas questões. É o que está sendo feito”.

O deputado destacou que, na ocasião das votações, foram aprovados 58 projetos de créditos em 2011, no valor de R$ 28 bilhões. O único crédito vetado foi exatamente aquele em que foi feito um acordo ilegal entre Machado e parlamentares da base e da oposição. Com as emendas, o projeto saltou de R$ 2,2 milhões para R$ 151,9 milhões.

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