‘Gestão Dilma está se desmilinguindo’, diz Fernando Henrique Cardoso

Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, o ex-presidente afirma que renúncia da presidente seria desfecho "menos doloroso" para a gestão petista

Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo deste sábado (5), o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (FHC) afirmou que a gestão Dilma Rousseff vem “se desmilinguindo” e comparou a situação dela às dos ex-presidentes João Goulart (1964) e Fernando Collor (1992).

“O poder de Dilma, a gestão Dilma, vai se desmilinguindo, esfarinhando, a gente viu isso em vários momentos, no momento do Jango (1964), do Collor (1992), por razões diferentes e de formas diferentes. Ela pode reagir? Pode, ela pode tentar assumir o comando”, disse o ex-presidente que depois complementou.

“Mas como? Tem que mudar de base? Quando os ventos são favoráveis, você reconstrói facilmente a sua base de sustentação. Mas a economia não vai bem e nós passamos de um presidencialismo de coalizão para um presidencialismo de cooptação. Isso muda muitas coisas porque distorce as instituições de representação”, complementou.

Ainda na entrevista, FHC explicou por qual motivo pediu a renúncia de Dilma nas redes sociais no final do mês passado. “Fiz uma declaração no Facebook em que eu dizia: 'ou ela renuncia, ou ela assume a liderança, ou nós vamos ficar no ramerrão, que vai continuar sendo movido pela crise econômica e pela Lava Jato'. Como o poder está se esfarinhando, a maneira menos dolorosa de se fazer uma passagem seria ela entender que isso é necessário”, analisou FHC.

“Mas eu sei que é difícil, seria difícil para qualquer um. Dilma provavelmente não acha que está num beco sem saída, e eu também acho que ela ainda não está. Eu coloquei uma hipótese, coloquei um caminho: ou a renúncia ou fica tudo como está ou ela assume o comando”, complementou o ex-presidente.

Ainda na entrevista, FHC criticou o ex-presidente Lula e as movimentações dele para voltar ao governo em 2018. “O Lula tem idade para poder aspirar voltar ao poder, voltar a governar. Só fica ruim quando ele, como ex­presidente, acelera a divisão no País. Você, quando força a divisão de um país, a reconstrução leva muito tempo. Eu não acho que seja saudável”, declarou. “O PT tem que aprender que hoje ele manda e amanhã vai obedecer e, quando ele obedecer, não queira arrasar com quem está mandando”, pontuou.

 

Leia a entrevista completa

Mais sobre Dilma

Continuar lendo

Assine e obtenha atualizações em tempo real em seu dispositivo!