General Santos Cruz reclama a Bolsonaro de “ação orquestrada” após ser alvo de ataques nas redes sociais

Uma entrevista que o ministro da Secretaria de Governo, general Santos Cruz, concedeu há mais de um mês gerou mais um mal estar na equipe do presidente Jair Bolsonaro. Neste domingo (5), a hashtag #ForaSantosCruz era um dos assuntos mais comentados no Twitter. Em conversa, à noite, com o chefe no Palácio da Alvorada, o ministro reclamou de "ação orquestrada".

Tudo começou pela manhã com o envio, por simpatizantes do escritor Olavo de Carvalho, via grupos de WhatsApp, de um trecho da entrevista que Santos Cruz concedeu à jornalista Vera Magalhães em 5 de abril. Na ocasião, ele destacou a necessidade de comedimento nas redes e que o uso deveria ser “disciplinado” para evitar desvirtuamento do debate. "Tem de ser disciplinado, até a legislação tem de ser aprimorada, e as pessoas de bom senso têm de atuar mais para chamar as pessoas à consciência de que a gente precisa dialogar mais, e não brigar", afirmou, sem mencionar a palavra "regulamentação".

Esse trecho provocou uma reação do presidente Jair Bolsonaro, que recorreu ao Twitter para negar qualquer intenção de seu governo que regulamentar a mídia.

Também o ministro da Justiça, Sérgio Moro, usou a rede social para se manifestar a respeito.

Olavo de Carvalho vem travando uma guerra contra o general Santos Cruz há algumas semanas. O escritor, que se opõe à ala militar do governo, emplacou o pupilo Fábio Wajngarten na Secretária de Comunicação (SECOM), subordinada à Secretaria de Governo. Semana passada, Santos Cruz desautorizou um e-mail enviado pela SECOM às estatais, com ordens de que peças publicitárias deveriam ser submetidas a análise. A Secretaria de Governo destacou, em nota, que isso fere a Lei das Estatais.

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Segundo o jornal O Globo, a conversa de Bolsonaro com o ministro, na noite de ontem, foi "dura", mas ele segue no cargo. Santos Cruz reclamou que a ação contra ele nas redes sociais não se trata de ato espontâneo, mas sim uma ação coordenada, "com a participação dos filhos do presidente, o chefe da Secretaria de Comunicação, Fábio Wajngarten, e assessores ligados ao ideólogo de direita, Olavo de Carvalho", segundo reportagem.

O discurso de não regulamentar a imprensa vem desde a campanha. Antes deo segundo turno, Bolsonaro afirmou que “a mídia tem que ser livre". "Imprensa livre é sinal de democracia e liberdade”.

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