GDF não tem como pagar edição da Universíade

Brasília foi escolhida pela Federação Internacional do Desporto Universitário para sediar o evento em 2019. Afundado em dívidas, governo diz não ter com os quase R$ 470 milhões em despesas

O governo do Distrito Federal informou nesta quarta-feira (21) não ter condições financeiras para arcar com a organização da Universíade de 2019. Em comunicado divulgado hoje, o GDF diz que não poderá assumir o compromisso celebrado em 2013 pela administração anterior, de Agnelo Queiroz (PT), de receber o evento.

“Os elevados custos financeiros do evento impedem que o Governo do Distrito Federal assuma a realização do evento”, diz a nota. Para sediar a Universíade, o GDF teria que pagar 23 milhões de euros - aproximadamente R$ 69,4 milhões em cotação de hoje - para Federação Internacional do Desporto Universitário (Fisu) em duas parcelas, a primeira neste ano e a outra em 2016.

Além disso, precisaria desembolsar aproximadamente R$ 400 milhões em obras e reformas. Outros R$ 400 milhões viriam do governo federal, que tem interesse na permanência do evento no país. Seriam construídos 22 locais de competição e reformados o ginásio Cláudio Coutinho e o centro olímpico da Universidade de Brasília (UnB).

A nota foi motivada após o governador do DF, Rodrigo Rollemberg, reunir-se ontem com o ministro do Esporte, George Hilton. O titular da pasta pediu que o governo local revisse sua postura de não receber o evento. De acordo com Rollemberg, Hilton disse que a União poderia arcar com o pagamento dos R$ 69,4 milhões para a Fisu. “Disse que iríamos examinar”, comentou Rollemberg.

Em dezembro passado, ainda na fase da transição do governo Agnelo para o de Rollemberg, a equipe do novo governador anunciou que não teria como arcar com as despesas. Na oportunidade, o então coordenador do grupo e hoje secretário da Casa Civil, Hélio Doyle, adiantou que, pelo passivo a ser deixado pela administração anterior, a realização do evento em Brasília ficaria inviável.

No início do mês, o governo atual disse ter herdado um déficit de R$ 3,5 bilhões de Agnelo Queiroz. Pagamento a fornecedores estavam atrasados, assim como a transferência de 13º salários e percentual de férias de trabalhadores da saúde e da educação. Como forma de economizar, Rollemberg decidiu parcelar os vencimentos de servidores que ganham acima de R$ 9 mil, cortou cargos comissionados e diminuiu o número de secretarias e administrações regionais.

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