Garotinho afirma ter provas contundentes contra Cabral e a Delta

Ex-governador do Rio afirma que atual gestor do estado, Sérgio Cabral, teria negociado com Fernando Cavendish, ex-presidente da Delta Construtora, para introduzir esquema de Cachoeira no Rio

O deputado Anthony Garotinho (PR-RJ) subiu à tribuna da Câmara nesta quinta-feira (3) para acusar o governador do Rio de Janeiro, Sergio Cabral, de fazer acordos com a empresa Delta Construções, com o intuito de favorecer a penetração do esquema de exploração ilegal de jogos de azar operado por Carlinhos Cachoeira no estado. Garotinho afirmou ter uma gravação que detalha a negociata, mas adiantou que não pode comprovar a autenticidade do material.

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“Eu não sou dado a cometer leviandades. Por isso, eu ainda não tornei pública uma gravação que possuo, que eu considero a mais importante de todas. As pessoas têm visto o meu blog, têm visto fotos, têm visto a chacota que eles fazem do povo, mas há uma que é chocante. Mas, como eu não sou leviano, eu estou primeiro apurando a autenticidade dessa gravação, que veio por outra fonte”, afirmou o deputado, da tribuna do plenário.

Segundo Garotinho, o acordo entre Cabral e o ex-presidente da Delta Fernando Cavendish definia que 30% do mercado do jogo no estado seria de Cachoeira. O deputado contou também que os bicheiros cariocas não aceitaram a negociação, e ainda teriam um acordo com o governo estadual que consistia no envio mensal de “um dinheiro para o Palácio” - referência ao Palácio Guanabara, sede do governo do Rio.

Diante da recusa, o emissário teria dito aos contraventores que eles pagariam caro. De acordo com Garotinho, três semanas após a tentativa de negociação, uma operação da Polícia Civil do Rio de Janeiro prendeu todos os bicheiros do Rio, o que abriu espaço para que Cachoeira instalasse seu esquema no estado. A gravação que Garotinho diz ter, teria, segundo ele, citações nominais de Cabral, Cavendish e Cachoeira.

O deputado garantiu que entregará todas as provas à CPMI, assim que conseguir comprovar a autenticidade delas. No entanto, Garotinho não determinou um prazo para isso. “Eu farei a minha parte. Tudo que eu puder, mesmo hoje me ressentindo do meu próprio partido, que me negou o direito de participar da CPI, eu terei meios para participar. Vou tornar público tudo que sei. Se for possível, entregarei todas as provas à CPI”, disse.

Garotinho também criticou os parlamentares que compõem a CPI por não terem aprovado a convocação de Sérgio Cabral e dos governadores do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, e de Goiás, Marconi Perillo, citados nas investigações. “Ontem estive lá. Que decepção! Que clima de confraternização! Nem parecia uma CPI. Parecia um piquenique, todos num clima de amizade, confraternização, como se fossem tomar banho de cachoeira. Que vergonha! Eu me senti tão envergonhado que pedi para sair do ambiente. [...] O que me causa profundo desconforto é saber que não há nada pior para a democracia do que uma classe política desmoralizada. Se a CPI virar um jogo de compadres, onde um protege Perillo; o outro protege Agnelo; o outro protege Cabral, vai ser difícil sair na rua para pedir voto à população”, discursou.

Viagens

Garotinho atribuiu à Câmara dos Deputados a culpa por não saber exatamente quantas viagens o governador fez, nem com qual objetivo. O deputado contou ainda  que tentou aprovar um requerimento, na Comissão de Fiscalização, para obter informações sobre as viagens de Cabral e sua família ao exterior. “Uma tropa liderada pelo deputado Eduardo Cunha, do PMDB, e pelo deputado Edson Santos, do PT, impediu a deliberação. Então, eu recorri ao plenário [...] e foi aquela polêmica. Eu ficava derrubando as sessões toda quinta-feira pela manhã, até que fosse votado o meu recurso, o direito de ter a informação sobre as misteriosas viagens de Cabral. Mais uma vez o deputado Eduardo Cunha, agora em companhia do deputado Leonardo Picciani [PMDB-RJ], juntou-se aos deputados do PT e impediu que nós soubéssemos por onde anda Cabral pelo mundo. Culpa da Casa”, acusou.

Garotinho então enviou um requerimento pessoal de informação ao ministro da Aviação Civil, Wagner Bittencourt, para obter o registro de viagens feitas por Cabral. “Eu gostaria de saber o que será que existe de tão secreto nessas viagens do governador do Rio, porque ele mobiliza uma bancada inteira para esconder. Como diria o filósofo, existem mais mistérios entre Cabral e as suas viagens do que possa imaginar a nossa vã filosofia”, disse. Minutos depois de Garotinho ter deixado a tribuna, a resposta do ministro chegou ao gabinete do deputado. No entanto, de acordo com sua assessoria, a resposta não esclareceu as dúvidas, uma vez que o ministro afirmou não possuir tais informações.

Garotinho também questionou o “silêncio” de Cabral, que tem evitado falar com a imprensa nos últimos dias. Hoje, alguns jornais divulgaram a informação de que o governador colocaria “uma tropa de choque” para levantar dados sobre a vida de Garotinho, que respondeu da tribuna: “Olha, governador Cabral, vai ser uma excelente oportunidade para que possamos passar alguns casos a limpo”.

No pronunciamento, Garotinho ainda acusou o ex-presidente do Tribunal Regional Eleitoral do Rio, Roberto Wider - hoje juiz afastado -, de ter pedido US$ 500 mil por um voto na Corte para beneficiar a candidatura de Geraldo Pudim na eleição municipal suplementar de Campos dos Goytacazes (RJ), como adiantou a coluna Esplanada (leia aqui no Congresso em Foco). Pudim era o candidato de Garotinho. O adversário do segundo turno foi Alexandre Mocaiber (PDT).

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