Gabrielli diz que não construiria refinaria de Abreu e Lima

Ex-presidente da Petrobras diz que custo é “um pouco alto”, embora reconheça a obra como necessária e “pioneira”

O ex-presidente da Petrobras José Sergio Gabrielli afirmou, no início da noite desta quarta-feira (25), que, se fosse dono da petroleira, não construiria a refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, com os custos atuais do empreendimento, que giram na casa dos R$ 40 bilhões. A declaração foi prestada a deputados e senadores na CPI mista da Petrobras, em Brasília.

Estimada em US$ 2,4 bilhões, o preço da unidade de refino deve chegar aos US$ 18,5 bilhões. Em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa disse que foi feita uma “conta de padeiro” no orçamento do projeto.

Hoje, Gabrielli disse que não faria Abreu e Lima “com esse custo”. Apesar disso, ele reconheceu que a obra é necessária e deve estar localizada no Nordeste. “O mercado que mais cresce no Brasil é o Norte, Centro-oeste e Nordeste”, justificou.

Para o ex-presidente, Abreu e Lima teve um custo “um pouco alto”, mas é preciso considerar que, desde 1980, não se construíam refinarias no país. Por isso, ele disse que a unidade de Pernambuco era uma “obra pioneira”.

Bate-boca

Mais cedo, Gabrielli bateu boca com o deputado Rubens Bueno (PPS-PR), que perguntava sobre eventual participação do ex-presidente Lula na negociação da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos. O ex-comandante da Petrobras se irritou com o deputado, contestou-o e afirmou que Bueno, “como deputado de oposição, tem todo o direito de fazer o espetáculo que quiser”.

O deputado e outros membros da oposição se exaltaram. “Espetáculo é Vossa Excelência e o PT”, disse Bueno. Ao final, depois de a campanhia ser tocada para acalmar os ânimos, Gabrielli continuou a contestação. “Não é correto dizer que o [ex-]presidente Lula participou de qualquer reunião sobre Pasadena. O Nestor [Cerveró, ex-diretor de Internacional] desmentiu isso. O senhor sabe disso.”

A refinaria de Pasadena custou inicialmente US$ 42 milhões à empresa belga Astra Oil, que teria investido ao todo 360 milhões de dólares. Após isso, a unidade foi vendida à estatal brasileira, em 2006, mas a petroleira acabou desembolsando US$ 1,2 bilhão no negócio. A compra teve o aval inclusive da presidenta Dilma Rousseff. Ela alegou ter se baseado um parecer falho para assinar a compra. O parecer foi assinado justamente por Cerveró.

Mas, para Gabrielli, o preço pago por Pasadena foi interessante. “Compramos uma refinaria barata, abaixo do preço de mercado”, afirmou o ex-presidente da estatal

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Atualizada às 19h38

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