“Fora, Dilma” e “fora, PT” marcam encontro do PMDB

Parlamentares e dirigentes partidários pregam rompimento com o governo e entrega de cargos e apontam Temer como figura capaz de unificar o partido e o país

A presidente Dilma Rousseff e o seu partido, o PT, são os principais alvos da convenção nacional do PMDB neste sábado (12). Os discursos em defesa do rompimento com o governo têm sido interrompidos aos gritos de “fora, Dilma” e “fora, PT”. O vice-presidente Michel Temer, que deve ser reconduzido à presidência do partido, chegou por volta das 12h ao Centro de Convenções Brasil XXI, onde os peemedebistas estão reunidos.

Cartas distribuídas pela ala oposicionista do PMDB e pela “vanguarda” da legenda defendem o desembarque imediato do partido do governo e a entrega de todos os cargos ocupados por indicados pela sigla. Como antecipou ontem o Congresso em Foco, os peemedebistas fizeram um acordo com Temer para que o rompimento com Dilma seja decidido pela direção nacional daqui a 30 dias.

Se Dilma é o principal alvo, Temer é a figura mais destacada pelos participantes do encontro até o momento. Ex-petista e ex-ministra da atual presidente, a senadora Marta Suplicy (SP) defendeu o impeachment e a posse do peemedebista. “O Brasil precisa do PMDB, porque o PMDB tem o DNA da democracia”, discursou Marta. “Vamos começar um novo momento constitucionalmente com Michel Temer. E viva o PMDB, o partido levará ao país a um futuro melhor”, acrescentou.

Ex-ministro do governo Lula, o 1º secretário do PMDB, Geddel Vieira Lima, pregou o rompimento imediato com Dilma. "Se a primeira mulher presidente da República perde as condições de ir à televisão no dia internacional da Mulher com medo que as panelas pipoquem, que autoridade de governança tem mais? Nenhuma. Esse é o símbolo de que basta", afirmou. O ex-deputado leu uma moção que pede a saída de todos os peemedebistas que ocupam cargos no Executivo federal.

O deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS) puxou duas vezes o coro “fora, Dilma” enquanto discursava. O parlamentar disse que a reunião de hoje representa um “aviso prévio” para a presidente. A ideia, explicou, é dar tempo para que os ministros entreguem seus cargos sem criar traumas para o partido.

“Se nós, peemedebistas, não tivermos a noção de que temos de desembarcar do governo e dizer ‘não’ à maior facção criminosa que assalta o país há mais de 12 anos, o PMDB vai ser arrasado”, afirmou.

Ao todo, 454 delegados vão eleger os membros do Diretório Nacional, responsáveis pela escolha da nova Comissão Executiva Nacional. Ministros do partido também participam da convenção e resistem ao rompimento com o governo. “Só um capitão covarde abandona um navio na hora da tempestade e o PMDB não é um capitão covarde", disse ontem a ministra da Agricultura, Kátia Abreu.

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