Fim da Lava Jato foi usado como moeda no impeachment, diz deputado

Paulo Pimenta (PT-RS) afirma que partido deve entrar com ação formal questionando as afirmações de Jucá quanto à Lava Jato e questiona PGR por não ter divulgado teor de conversas antes do afastamento de Dilma

O deputado Paulo Pimenta (PT-RS), que foi vice-líder do governo Dilma na Câmara, disse nesta segunda-feira (23) que o teor da conversa vazada entre o ministro do Planejamento, Romero Jucá, e o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado mostra que a possibilidade de encerramento da Operação Lava Jato foi utilizada como moeda de troca para obtenção de votos a favor do impeachment. Em entrevista coletiva, o petista disse acreditar que "a descoberta pode levar à nulidade do processo" que afastou a presidente Dilma Rousseff do Palácio do Planalto.

No diálogo em questão, Jucá conversa com o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado (PMDB) e diz que a "mudança" no governo federal resultaria em um pacto para "estancar a sangria" provocada pela Operação Lava Jato, que investiga os dois peemedebistas.

Segundo o ex-vice-líder, o Partido dos Trabalhadores deve entrar com uma ação formal amanhã questionando as afirmações de Jucá quando à Lava Jato. "Se a Procuradoria-Geral da República sabia destas gravações desde março e não comunicou aos ministros do Supremo Tribunal Federal, é um fato que revela indício de prevaricação", disse Pimenta, questionando a atuação do procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

Para o petista, a PGR não poderia ter esperado o afastamento da presidente Dilma para divulgar essas informações. Pimenta citou ainda o caso do senador cassado Delcídio do Amaral (MS), que foi preso em novembro do ano passado por obstrução à Justiça. "Por muito menos Delcídio foi levado preso", acusou o petista.

Pressão

Jucá sofre pressões de aliados para sair do cargo. O líder do DEM no Senado, Ronaldo Caiado (DEM-GO), defendeu que o peemedebista seja afastado do ministério para não comprometer a credibilidade do governo interino. Para ele, a Lava Jato deve se preservada porque milhões de brasileiros foram às ruas para “conter um processo de corrupção, apoiar a Lava Jato e buscar um novo governo”.

Em entrevista à Folha de S. Paulo, Jucá negou que pretenda sair do cargo e que não há qualquer indício de ilegalidade na conversa com Machado.

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