Ficha Limpa foi decisivo para escolha do vice de Serra

Rodolfo Torres


A relatoria da Lei da Ficha Limpa, que impede a candidatura de políticos condenados por órgãos colegiados da Justiça, foi decisiva para a escolha do deputado Índio da Costa (DEM-RJ) como vice na chapa encabeçada por José Serra (PSDB) à Presidência da República. O deputado foi relator do projeto de iniciativa popular na comissão especial da Câmara que analisou a proposta.


José Serra, que chegou a Brasília no início da noite, destacou que foi o deputado fluminense quem “juntou dez projetos diferentes” para que o Congresso chegasse à ficha limpa. “Essa Lei da Ficha Limpa, na verdade, estabelece uma nova relação entre políticos e eleitores. Uma aproximação maior dos políticos com a fiscalização dos eleitores. É um projeto que abriu uma perspectiva nova na política brasileira”, afirmou Serra. “E o Índio da Costa foi uma das peças-chave nessa abertura. É um homem que vem para trazer uma contribuição daquilo que a nossa vida pública tem de mais jovem e mais renovadora”, complementou.


Líder do DEM na Câmara, Paulo Bornhausen (SC) avalia que a ficha limpa foi a “maior reforma política que poderia existir” na política brasileira. “Eu diria que a relatoria do ficha limpa foi decisiva, sim. Pesou muito. E não poderia ser diferente, pelo peso que a sociedade deu e dá à ética. O Índio tem essa condição de hoje representar, junto com o Democratas, a defesa da ética”, disse o catarinense.

A proposta de iniciativa popular, apresentada pelo Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral, chegou à Câmara em setembro do ano passado, com quase 1,5 milhão de assinaturas. Na relatoria, o deputado fluminense se destacou ao participar de manifestações nas ruas e na internet em defesa do projeto. Atualmente, ele tem mais de 34 mil seguidores no Twitter, quase a totalidade deles acumulada no período em que o parlamentar defendeu o ficha limpa.

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O presidente nacional do DEM, Rodrigo Maia (RJ), afirmou que ainda vai sentar com a equipe de comunicação da campanha para destacar o perfil de Índio da Costa. “A juventude dele, o bom mandato que ele vem realizando, com a participação na CPI dos Cartões Corporativos, depois com a relatoria do projeto ficha limpa. Eu acho que nós temos toda a condição de agregar muito, não apenas com a unidade do partido, mas com a marca de um deputado jovem, que representa renovação.”


Em relação à imagem de renovação política que o DEM pretende imprimir com seu representante na chapa de Serra, o líder do partido no Senado, José Agripino (RN), afirmou: “Ele é, na chapa, a interpretação de um pensamento que nos faltava: é o pensamento do jovem, daquele que pensa no futuro no Brasil, que é ousado, que quer inovar, que quer mudar. Aliado à experiência de José Serra, que é um homem que já foi tudo”. 


Para o presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), também pesou na escolha o fato de Índio ser do Rio de Janeiro, estado no qual os tucanos precisam crescer eleitoralmente. “Ele nos dá posição, num estado onde nós precisamos de mais posição, especialmente depois das decisões do Tribunal Superior Eleitoral”.

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