FHC será investigado se houver indício de crime, diz Cardozo

Ministério da Justiça fará estudo "técnico e jurídico" para avaliar se ex-presidente cometeu algum tipo de crime ao enviar dinheiro para o exterior por meio de empresa, conforme alega ex-amante que diz ter filho com ele

O Ministério da Justiça fará um estudo “técnico e jurídico” para apurar a denúncia feita pela jornalista Mirian Dutra de que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) usou uma empresa para enviar dinheiro ao exterior para ela custear despesas com o filho. De acordo com o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, a Polícia Federal investigará o caso se forem constatados indícios de “delitos puníveis”.

"Isto não vale apenas para o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, mas para todos os brasileiros e brasileiras. Aquilo que for de competência da PF e tiver indícios de pratica criminosa, dentro de situações que são puníveis, tudo será absolutamente investigado. Então essa não é uma situação diferenciada, atípica, daquelas que ocorrem", declarou o ministro, em evento preparativo para a Olimpíada do Rio.

Em entrevista à Folha de S.Paulo, Mirian disse que firmou contrato fictício com a Brasil Importação e Exportação para receber dinheiro de FHC no exterior. Segundo ela, os repasses mensais eram de US$ 3 mil e se estenderam de dezembro de 2002 a dezembro de 2006. A jornalista, que trabalhou por três décadas na TV Globo, teve um caso extraconjugal com o ex-presidente, apontado por ela como pai de seu filho Tomás Dutra Schmidt, nascido no início dos anos 1990. Um exame de DNA, realizado há poucos anos nos Estados Unidos, refutou a relação de paternidade. Mirian, no entanto, diz duvidar da veracidade do exame.

Em resposta à Folha, FHC negou ter usado empresa para enviar dinheiro. Ele admitiu manter contas no exterior, ter mandado recursos para Tomás e ter lhe presenteado recentemente com um apartamento de € 200 mil em Barcelona, na Espanha.

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