Festival 3i vai discutir as crescentes ameaças ao jornalismo investigativo

Maior festival de jornalismo digital e inovador do Brasil, o Festival 3i vai promover três dias de debates sobre o futuro e os desafios do jornalismo. O evento vai reunir profissionais nacionais e estrangeiros no Rio de Janeiro nos próximos dias 18, 19 e 20 de outubro no Rio de Janeiro e conta com o apoio de 13 veículos nativos digitais. Um deles é o Congresso em Foco, que vai mediar a mesa "Quando o repórter vira alvo - Riscos físicos, legais e online ao jornalismo investigativo".

A mesa tem como objetivo discutir a crescente sensação de insegurança que ronda os profissionais da imprensa. Afinal, o repórter virou um alvo constante com a popularização das redes sociais. Atualmente, quem publica algo que incomoda algum grupo social logo vira assunto de críticas, fake news e ameaças digitais. Os ataques, que antes vinham por meio de processos e ameaças veladas, vêm de todos os lados.

> Vem aí o maior encontro de jornalismo digital do Brasil, o Festival 3i

Prova disso é o que aconteceu com o repórter que, no auge das discussões sobre o avanço do desmatamento na Amazônia, descobriu que um grupo de produtores rurais estava preparando um dia de queimadas no Pará e denunciou o chamado "Dia do Fogo" em um jornal da cidade de Novo Progresso. Ele logo se tornou alvo de ameaças. Recebeu ofensas nas redes sociais, virou assunto de um panfleto distribuído na cidade e precisou de proteção policial para não ser alvo de ameaças físicas.

Mas não foi o único. A Revista AzMina, por exemplo, foi alvo de ataques nas redes sociais depois de publicar uma matéria sobre o aborto. A Folha de S. Paulo já foi atacada diversas vezes por conta de matérias críticas ao governo Bolsonaro. Outros 34 repórteres morreram em 2018, em todo o mundo, em decorrência de represálias ao seu trabalho, segundo o Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ).

Para tratar desse assunto, o Festival 3i convidou, então, os jornalistas Fabiano Maisonnave, correspondente da Folha de S.Paulo na Amazônia e do Climate Home News na América Latina; Chico Otávio, repórter do jornal O Globo e professor da PUC-Rio; e Nelly Luna Amancio, convidada internacional que é editora-geral do Ojo Público, meio de comunicação independente e sem fins lucrativos do Peru. São jornalistas experientes, que atuam na cobertura ambiental e política, já sofreram ameaças diversas e contarão episódios que já vivenciaram. Também vão discutir formas de lidar com essas ameaças e responder as perguntas do público. A mesa está marcada para as 15h do próximo dia 19 e terá a mediação do Congresso em Foco.

> Festival 3i, maior encontro de jornalismo digital inovador, será realizado em outubro

"Está havendo uma extrema exposição dos jornalistas, potencializada pelas redes sociais. Os agressores perderam o pudor e não se constrangem de fazer ameaças, inclusive invadindo a intimidade dos repórteres", disse Chico Otávio. Segundo ele, é hora de redobrar os cuidados. "Tenho dito para os meus alunos de jornalismo para agirem com cautela nas redes sociais, não expor opiniões ou dados da vida pessoal porque tudo isso está sendo usado para nos constranger", afirmou o jornalista de O Globo.

Chico também já foi alvo de muitos processos judiciais depois de denunciar fraudes envolvendo o setor público e políticos de exposição nacional - processos que, na sua visão, não tinham como objetivo preservar a honra dos autores, mas intimidá-lo. "O risco sempre existiu, mas hoje é preciso ser cada vez mais cauteloso no relacionamento com as redes sociais", concluiu.

"A gente está em um governo em que o presidente ataca diariamente a imprensa e os meios de comunicação. E isso naturalmente coloca um risco profissional, criminaliza nossa atividade e nos coloca no alvo. E isso não acontece só com o jornalismo, mas também com agentes ambientais da Amazônia, muito mais com eles que fazem as operações", alertou Fabiano Maisonnave.

O jornalista conta que o ambiente para jornalistas está cada vez mais hostil na Amazônia. "As palavras têm força", explica o jornalista, que promete contar sua experiência na cobertura ambiental na Amazônia no Festival 3i.

Especializada em meio ambiente, direitos humanos, povos indígenas e poder corporativo, Nelly Luna também vai apresentar uma visão estrangeira sobre o problema. Por isso, não perca esta nem as outras mesas do Festival 3i.

O evento, que conta com apoio do Google News Initiative e do Facebook, também vai abordar temas como notícias falsas, fact-checking, jornalismo independente e estratégias para garantir um jornalismo investigativo e democrático.

E ainda dá tempo de garantir sua participação no 3i. Veja aqui como participar do festival.

> Entre agora no Catarse para colaborar com o jornalismo independente

Continuar lendo

Assine e obtenha atualizações em tempo real em seu dispositivo!