Fernando Henrique Cardoso sugere eleições diretas caso governo Temer não chegue ao fim

Durante entrevista à Globo News, ex-presidente se prontificou a fazer “todo o possível” para travessia do governo Temer, mas diz não ver credibilidade no atual Congresso para eleger indiretamente outro presidente

Alexandre Facciolla (*)

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso sugeriu a convocação de eleições diretas para a presidência da república caso o presidente Michel Temer não tenha condições políticas de concluir o mandato, ou sua eleição seja considerada ilegal pelo Tribunal Superior Eleitoral que julga ações que pedem a anulação da eleição da chapa Dilma Temer por abuso de poder econômico.

Fernando Henrique criou uma imagem de que o governo temer é como uma pinguela a ser atravessada e quer ajudar nessa travessia. Mas alerta para a possibilidade da interrupção da chapa de Temer do mandato de temer com julgamento de crime eleitoral pelo TSE. “Se houver a queda da pinguela, é este congresso, sem popularidade, que vai ter que eleger alguém”, alertou. Neste caso, seria “preciso logo fazer uma emenda do congresso para eleições diretas”, afirmou.

Fernando Henrique acredita que o Congresso, com a falta de credibilidade atual - mais de 200 parlamentares estão vinculados em investigações judiciais - não tem condições políticas de eleger o novo presidente, como prevê a Constituição. A lei diz que se o presidente for afastado depois do segundo ano de mandato, a eleição indireta deve ser feita pelo Congresso.

As considerações foram feitas durante entrevista o jornalista Mário Sérgio Conti, da Globo News, na quinta-feira (1º). FHC ponderou, contudo, que vai fazer “todo o possível para fortalecer a passagem do governo Temer para que isso não ocorra”. Segundo ele, “não temos condições hoje, sem abalar muito a economia, de fazer novas eleições”. Portanto, ele defende fortalecer o o governo Temer, “pois o que existe é legal”, disse.

Durante a entrevista, Fernando Henrique voltou a defender que haja uma agenda clara para o país, com foco em impedir um “desfalecimento da economia”. Cardoso admitiu também que há um “arranhão institucional” entre os poderes da república.

(*) Especial para o Congresso em Foco

Assista à íntegra da entrevista

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