Feliciano descarta renúncia e diz temer ser achincalhado por líderes

Em entrevista a programa do UOL e da Folha, presidente da Comissão de Direitos Humanos afirma ser vítima de “ditadura gay” e compara discriminação a homossexuais a bullying contra careca, caolho e “banguelo”

Em entrevista ao programa Poder e Política, da Folha de S. Paulo e do UOL, o presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, Pastor Marco Feliciano (PSC-SP), diz que não há “possibilidade nenhuma” de renunciar ao cargo. Ele afirma que ainda estuda se vai à reunião convocada pelo presidente da Casa, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), com os líderes partidários, para tentar convencê-lo a se afastar da comissão, pois teme ser “achincalhado” e “oprimido”. A reunião, prevista para hoje, foi remarcada para a próxima terça-feira (9).

Na entrevista concedida ontem (1º) ao jornalista Fernando Rodrigues, em Brasília, Feliciano declara ser vítima de uma “ditadura gay” e critica a criação de uma lei contra a homofobia. Para o deputado, caso a proposta em tramitação no Senado torne-se lei, será preciso criminalizar a discriminação de “caolho”, “careca” e “banguelo”. “Porque todas essas pessoas também sofrem bullying”, afirmou.

Marco Feliciano nega ser racista, mas reafirma o que chama de “maldição” dos negros. Ele reforça sua posição contra o aborto mesmo em caso de estupro. O deputado, de 40 anos, pastor e fundador da Igreja Assembleia de Deus Catedral do Avivamento, também nega se valer da “mercantilização da fé”. “Todas as igrejas precisam do apoio dos seus fieis para se manter, para pagar o aluguel.”

Confira aqui vídeos da entrevista e veja, abaixo, a transcrição de algumas declarações do novo presidente da Comissão de Direitos Humanos ao programa Poder e Política:

Renúncia
“Não há possibilidade nenhuma de renúncia até porque eu não cometi nenhum crime, eu não passei por nenhum tipo de julgamento, nenhum tipo de tribunal e o que tem acontecido é apenas a força de um grupo da sociedade que luta muito para que eu, debaixo dessa pressão, saia do cargo.”

Pressão dos líderes
"Eu não recebi o convite ainda. Estou estudando se eu vou atender. Regimentalmente, não tem o que ser feito. Eu não sei o que faria nesse colégio de líderes. Ir ali para ser oprimido e achincalhado por um grupo de pessoas que, na verdade, deveria defender o Parlamento -e não abrir um precedente como está sendo feito. Acho muito perigoso", disse o deputado.”

“Mundo evangélico”
“O mundo evangélico nosso é um mundo muito nosso. É um mundo diferente. Nós não somos pautados pela mídia. Nós não somos pautados por artistas (...) As pessoas tendem, nesse momento, a me ridicularizar por ser um cristão atuante, por ser um protestante fervoroso.”

Mercantilização da fé
“O termo usado em alguns programas de TV contra mim, e alguns jornais, sobre a mercantilização da fé chega a ser cruel (...) Porque é uma acusação infundada. Nós pedimos às pessoas como todas as religiões fazem. Todas as igrejas precisam do apoio dos seus fieis para se manter, para pagar o aluguel. Nas minhas igrejas, nós temos ar-condicionado. Então, você dá à pessoa uma espécie de conforto e nós precisamos manter isso. E como é que nós mantemos isso? Através da arrecadação de dízimos e ofertas. E, enfim, isso existe desde que a igreja é igreja.”

Dilma e PT
“Vesti a camisa, coloquei ‘Sou Dilma’, né? E, de repente, dois anos e meio depois, temos aí essa problemática criada num jogo político. Porque o meu partido não escolheu a Comissão de Direitos Humanos. Eu não escolhi ser o presidente da Comissão de Direitos Humanos. A Comissão de Direitos Humanos foi abandonada pelo grupo que cuidou dela a vida toda, que era o PT (...) Alguns, agora, já não estão nem mais acusando, estão afirmando. E isso é crime. Me chamar de racista, de homofóbico, isso é crime. Uma briga comigo significa uma briga com o movimento evangélico porque eu fui o evangélico mais votado do país inteiro.”

Mulher
“Na minha concepção, eu tenho a concepção família. Mulher é, para mim, a criatura mais linda que Deus criou nesse nosso mundo. Veio para ornamentar o mundo e ornamentar a vida do homem. E, ambos, parceiros. A Bíblia diz que Deus fez a mulher da costela...”

Estupro
“Eu sinto muito pela menina que foi violentada, pela mulher. Mas o que foi gerado dentro dela não tem culpa disso. É uma vida. É uma criança. Se ela não quer cuidar da criança, existe uma fila imensa de pessoas que querem adotar essas crianças. Dê a luz e dê essa criança para que alguém possa cuidar dela, mas não assassine. Não aborte.”

Aborto
“Eu sou filho de uma mulher que, por causa dada à pobreza... A minha mãe... Houve um tempo na vida dela em que ela tinha uma pequena clínica de aborto. Uma clínica clandestina. Eu cresci no meio disso. Eu vi mulheres perderem o seu bebê assim e fiquei traumatizado por isso. Eu vi fetos serem arrancados de dentro de mulheres. Isso é uma tortura. Não se faz isso. Não se faz isso. A vida é um dom de Deus. Só Deus dá e só Deus tira.”

Racismo
“Eu expliquei que o fato é que os africanos descendem de um filho de Noé que havia recebido uma maldição patriarcal. Esse é o fato. Não tem como fugir disso (...) Eu jamais pensei que isso aconteceria, até porque eu estava falando no Twitter. E um homem que fala 140 caracteres não pode ser medido só por isso. Para ser racista, você tem que ter um histórico... Eu apenas citei que toda maldição podia ser quebrada na cruz de Cristo. Mas a maldade está nos olhos de quem lê.”

Ditadura gay
“Então existe uma ditadura chamada, que eu coloco o nome dela aqui, já citado, Olavo de Carvalho fala muito sobre isso, "gayzista". Eles querem impor o seu estilo de vida e a sua condição sobre mim. E eles lutam contra a minha liberdade de pensamento e de expressão (...) Ditadura gay. Eles impõem, goela abaixo, o sistema de vida deles, estilo de vida deles.

Homossexuais
A homossexualidade, ela não é uma patologia. (...) Eu a vejo como um fenômeno comportamental. É um fenômeno de comportamento que até alguns anos atrás era tratado à luz da psicologia. E a psicologia estava indo, avançando. Eu conheço muitas pessoas que eram e não são mais. São casados, têm filhos.”

Homofobia
“Eu não sou homofóbico, eu sou um líder religioso, creio na Bíblia Sagrada, meu livro de cabeceira, o livro que me regra, o livro que mudou minha vida. E a Bíblia Sagrada é contrária à prática homossexual. Então, é o meu direito pensar assim. (...) Porque se formos abrir esse tipo de precedente, vamos criar também a lei que criminaliza quem é contra o índio. A lei que criminaliza quem é contra o caolho. A lei que criminaliza quem é contra o careca. A lei que criminaliza quem é contra o banguelo. Porque todas essas pessoas também sofrem bullying, todas essas pessoas também sofrem. Então o PL 122, do jeito que ele está, ele não passa.”

Bullying
“Veja só. Eu gosto de olhar no espelho e enxergar uma pessoa de boa aparência. Porque bonito eu sei que eu não sou, eu tenho espelho, eu olho para ele todo dia. O meu cabelo, quando criança... Eu sofri muito bullying na escola.”

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