Irmão de Zico, examinador do Detran é punido após reprovar filha de Cunha

Antônio Antunes Coimbra, hoje aposentado, ficou 30 dias impedido de trabalhar em 2008 depois de ter reprovado no teste de volante filha do peemedebista. Ele foi punido após ser acusado de extorsão pelo presidente da Câmara, informa O Globo

O examinador de trânsito Antônio Antunes Coimbra, hoje aposentado, ficou 30 dias impedido de trabalhar em 2008 depois de ter reprovado no teste de volante a filha do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Coimbra conta que não fazia ideia de quem estava reprovando. Ele foi punido após ser acusado de extorsão pelo presidente da Câmara. As informações são do jornal O Globo.

O examinador, que é irmão do ex-jogador Zico, conta que reprovou Camilla Ditz da Cunha porque a jovem entrou na vaga sem ligar a seta e saiu da vaga sem soltar o freio de mão. Ele lembra que no momento da prova, além dele, outro examinador estava presente e concordou com as punições a Camilla. Ao fim da prova, ele conta que procurou confortar a moça, dizendo que ela teria nova oportunidade em breve.

Na versão do então líder do PMDB na Câmara, porém, um funcionário do Detran abordou Camilla antes do exame e teria exigido R$ 400 para aprová-la no teste. Ao se recusar, a jovem percebeu, segundo relato do pai, que os demais candidatos haviam pagado. “Em seguida, no momento da prova da minha filha, o fiscal Antônio Antunes Coimbra sequer olhou o que ela fazia, retirou os pontos, alegando que não teria colocado a seta. Confirmei que este fato não aconteceu ao falar ao telefone com o seu instrutor”, escreveu Cunha em carta ao então presidente do Detran, Sebastião Faria.

Dois dias após Eduardo Cunha enviar carta para o Detran denunciando Coimbra, o examinador foi submetido a uma sindicância interna e punido com 30 dias de suspensão, sem vencimento, além do afastamento das provas.

À época, um e-mail enviado pelo governador do Rio, Sérgio Cabral, à presidência do Detran elogia a família Coimbra, que, segundo o ele é “sinônimo de honestidade e caráter”. O e-mail ainda traz uma crítica a Eduardo Cunha. “Esse senhor que acusa um membro da família (de Zico) é sinônimo do que há de pior na vida pública brasileira”. Em seguida, garante aos Antunes: “No meu governo, bandido não tira onda de mocinho”. Mas Cunha conseguiu o que queria.

A carta de Cabral é a maior prova que Coimbra tem para provar sua inocência. Até hoje ele tenta anular a punição na Justiça e não se conforma com o desfecho do caso. Como funcionários ganhavam gratificação por exame realizado, ele disse que sofreu prejuízos financeiros. O inquérito policial foi arquivado na 37ª Delegacia Policial, o que, segundo ele, comprova sua inocência.

Leia a íntegra da matéria do Globo

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