Senado faz devolução simbólica de mandatos cassados pela ditadura

A exemplo do que havia feito a Câmara dos Deputados, Senado homenageia políticos excluídos da vida pública pelo regime militar

Com as deliberações legislativas de 2012 já encerradas, o Plenário do Senado realizou na tarde desta quinta-feira (20) sessão solene de devolução simbólica dos mandatos dos senadores cassados pelo regime implantado pelo golpe militar de 1964. Entre os oito homenageados está o ex-presidente da República Juscelino Kubitschek, que foi senador pelo estado de Goiás.

Dos ex-senadores homenageados, apenas um continua vivo: Marcello Alencar, que também governou o Estado do Rio de Janeiro e foi prefeito da capital fluminense (à época, Distrito Federal). Diplomas serão concedidos aos parentes de JK e às famílias de Aarão Steinbruch (1917-1992, Rio de Janeiro); Arthur Virgílio Filho (1921-1987, Amazonas); João Abraão Sobrinho (1907-1993, Goiás); Mário de Sousa Martins (1913-1994, Rio de Janeiro); Pedro Ludovico Teixeira (1891-1979, Goiás); e Wilson de Queirós Campos (1924-2001, Pernambuco). Senador na legislatura passada e prefeito eleito de Manaus, Arthur Virgílio Neto (PSDB) representa o pai na cerimônia.

O requerimento de homenagem foi apresentado pelo presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), nos mesmos moldes da cerimônia realizada pela Câmara em 6 de dezembro, quando 173 ex-deputados recuperaram seus mandatos simbolicamente.

Câmara "devolve" mandato a 173 cassados pela ditadura

Depois de discurso de abertura proferido por Sarney, a solenidade prosseguiu com um discurso de JK de cerca de dez minutos, veiculado em áudio original gravado pela Secretaria Técnica de Eletrônica do Senado, responsável pelo acervo audiovisual da Casa. Depois do pronunciamento, da década de 1960, Sarney repassou às famílias dos políticos cassados mídia com arquivos de áudio e texto relativos à produção de cada um dos ex-parlamentares.

Em seguida, uma das filhas de JK, Maria Estela Kubitschek, foi convidada a subir à tribuna reservada aos debates dos senadores, onde falou por cerca de cinco minutos. “Ele foi um homem que nasceu para construir, não para destruir”, destacou ela.

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