Ex-executivo da Odebrecht diz que Padilha foi responsável por endereçar repasse de R$ 4 milhões ao PMDB

Um dos endereços, de acordo com José de Carvalho Filho, foi o escritório de José Yunes, amigo e ex-assessor de Michel Temer (PMDB). A afirmação corrobora depoimento de Claudio Melo Filho

 

 

O ex-executivo da Odebrecht José de Carvalho Filho afirmou que o ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha (PMDB), foi responsável por detalhar endereços para repasse de R$ 4 milhões destinados ao PMDB, conforme revelou o jornal O Estado de S. Paulo nesta sexta-feira (24). O valor tinha como finalidade abastecer a campanha eleitoral do partido em 2014.

Corroborando o depoimento do ex-executivo da Odebrecht Claudio Melo Filho, José Carvalho também afirmou que um dos locais indicados por Padilha para entrega de dinheiro foi o escritório de José Yunes, amigo e ex-assessor de Michel Temer (PMDB). Quando a notícia veio a tona, Yunes chegou a afirmar a jornalistas que pode ter sido um mero “mula” de Padilha.

No mês passado, Yunes contou à Procuradoria-Geral da República, em depoimento espontâneo, que recebeu, a pedido de Padilha, um “pacote” em seu escritório entregue pelo doleiro Lucio Funaro, operador do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ). José de Carvalho, no entanto, ao ser perguntado sobre Lucio Funaro, afirmou não conhecer e nem ter tido qualquer relação com ele.

“Todos os endereços, esses e os outros que eu não me lembro me foram dados pelo Eliseu Padilha”, teria dito José Carvalho, conforme reportagem do jornal. “A sistemática era: eu chegava expor até ele e ele me fornecia o endereço, eu transmitia ao sistema de Operações Estruturadas a sra. Maria Lúcia (ex-secretária da Odebrecht), que uns dias depois, me entregava uma senha. Eu pessoalmente entregava essa senha, entreguei essa senha ao Sr. Eliseu Padilha”, explicou José de Carvalho Filho.

De acordo com a reportagem, “Carvalho Filho também teria recebido uma 'ligação extemporânea' do então deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ)”. A ligação era para cobrar R$ 500 mil que ele não havia recebido.

“Tivemos uma discussão acalorada ao telefone. Achei estranho e comuniquei ao Cláudio (Cláudio Melo, ex-diretor de Relações Institucionais da Odebrecht): 'Cláudio, o fato foi esse e vamos esclarecer junto ao Eliseu'. Logo depois fomos ao Eliseu e esclarecemos. Ele achou muito estranho este fato e disse: ‘Olha, se o endereço que eu dei e se fosse realmente entregue, o Sr. Yunes é uma pessoa de mais ou menos setenta anos, é de minha confiança, dificilmente não teria registrado isso”. Isso causou um constrangimento a mim. (…) O mal-estar permaneceu e a empresa tomou, deliberou fazer outro pagamento de 500 (quinhentos) mil reais no valor, aquele que deu origem ao processo em discussão", afirmou o ex-executivo.

As declarações foram feitas em ação que tramita no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e que investiga se houve abuso de poder político e econômico da chapa Dilma/Temer para se reeleger na campanha de 2014. O relator da ação no TSE, ministro Herman Benjamin, encaminhou aos demais ministros da Corte um relatório parcial do processo, que está em sigilo.

A jornal procurou a assessoria do ministro que não quis se pronunciar até que fosse revelado o inteiro teor das delações, que segue em segredo de Justiça.

Leia matéria completa no site do jornal O Estado de S. Paulo

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