Bicampeão mundial de judô, deputado critica falta de política de Estado para o esporte

João Derly se diz frustrado com as oportunidades perdidas, desde 2007, para melhorar a organização do esporte olímpico no Brasil: "Deu tudo errado"

Bicampeão mundial de judô e ganhador da medalha de ouro nos jogos Pan-americanos de 2007, no Rio de Janeiro, o deputado João Derly (Rede-RS) está frustrado com chances perdidas para a organização do esporte olímpico brasileiro. Ele critica tanto o governo federal quanto o próprio Congresso pelas oportunidades desperdiçadas para a criação de um sistema nacional de esportes que pudesse viabilizar uma geração de atletas competitivos. Ele cita o atraso dos próprios colegas deputados, que não conseguiram concluir a elaboração de um plano nacional para o esporte olímpico, que se arrasta na Câmara desde o ano passado e só deverá ser concluído no final do ano, após as Olimpíadas do Rio 2016.

 

Segundo Derly, o Legislativo não conseguiu nem mesmo propor um projeto de lei com o Sistema Nacional de Esportes, que definiria as atribuições de União, estados e municípios para a formação de atletas. “Perdemos a oportunidade nos Pan-americanos, na Copa do Mundo e, agora, nas Olimpíadas. Esta é minha maior frustração”, lamenta Derly. No início deste ano, o deputado ainda conseguiu inserir emenda em uma medida provisória prorrogando até 2022 a Lei de Incentivo ao Esporte.

Nem mesmo foi concluída a construção dos centros de iniciação ao Esporte, previstos no orçamento da União para várias cidades. Das mais de 280 unidades planejadas, apenas 36 foram executadas. Derly também cita que no Brasil apenas 38% das escolas públicas possuem quadras esportivas cobertas.

O parlamentar lembra que, dias antes de ser afastada para o julgamento do impeachment, a presidente Dilma Rousseff vetou inteiramente o projeto de lei que isentava da cobrança de Imposto sobre produtos Industrializados (IPI) a importação de material esportivo. Quando o veto presidencial voltou ao Congresso para apreciação, já na gestão do presidente interino Michel Temer, deputados e senadores mantiveram a decisão do Palácio do Planalto.

Fernando Frazão/Agência Brasil
Sem essa lei, vários atletas tiveram que importar material mais caro para participar das Olimpíadas do Rio de Janeiro, que tem início em 5 de agosto. Um dos exemplos é o do especialista em tiro de pistola Cassio Rippel. Ele esperava a manutenção da isenção fiscal para comprar, no exterior, munição mais precisa. Mas, com o veto presidencial mantido pelo Congresso, teve que pagar mais caro na importação do material. A alegação do governo aceita pelo Congresso foi de que não havia estudo sobre o impacto financeiro desse tipo de isenção.

 

A crise política também atrapalhou os atletas brasileiros. Com o pedido de impeachment e o consequente afastamento de Dilma Rousseff, em maio, além da confusão criada na Câmara com o caso Eduardo Cunha (PMDB-RJ), o Legislativo quase parou. Até mesmo o legado da Olimpíada está sob risco. Ele cita a situação da Baía de Guanabara, onde esportes aquáticos serão realizados: não houve a despoluição prometida.

“Deu tudo errado”, diz o deputado. Mesmo assim, Derly disse que vai assistir a algumas competições e acredita que os atletas brasileiros podem conseguir superar a marca de 17 medalhas conseguidas na Olimpíada de Londres, principalmente nas modalidades de futebol, vôlei, judô e natação.

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