Estados Unidos espionaram Palocci, avião presidencial e assistente pessoal de Dilma

Ao todo, estiveram no alvo da espionagem norte-americana 29 brasileiros em postos-chave do governo, nas áreas econômica, financeira e diplomática. Informações foram divulgadas pelos sites Wikileaks e The Intercept, na semana da primeira visita de Dilma a Obama

Veículos de imprensa diversos noticiam neste sábado (4) mais revelações sobre a espionagem feita no Brasil pelos Estados Unidos, por meio da Agência Nacional de Segurança (NSA, na sigla em inglês) norte-americana, no caso que ficou conhecido como WikiLeaks. Na mesma semana em que a presidenta Dilma Rousseff fez sua primeira viagem oficial àquele país, vem a público a informação de que foram espionados pelos arapongas da NSA não só a chefe de Estado, mas também integrantes e ex-integrantes importantes do governo nas áreas econômica, financeira e diplomática.

De acordo com informações obtidas em primeira pela Agência Pública e pela revista CartaCapital, foram 29 os alvos da espionagem norte-americana, entre eles o ex-ministro da Casa Civil, Antonio Palocci. Até o celular do assistente pessoal de Dilma, Anderson Dornelles, responsável pelos telefonemas privados da presidenta, foi rastreado. Sequer o avião presidencial ficou livre da “bisbilhotagem” dos EUA, diz reportagem assinada por Julian Assange, jornalista que revelou o caso ao mundo, e Natalia Viana, da Agência Pública.

“As informações provêm de uma base de dados usada pela NSA para selecionar’‘alvos” cujas comunicações devem ser analisadas. Os arquivos sobre alvos (ou ‘selectors’) brasileiros referem-se a 2011 e fazem parte de uma série de vazamentos realizados nas últimas semanas. Recentemente, o WikiLeaks publicou uma lista de 69 nomes que seriam alvo da NSA na Alemanha, incluídos ministros e representantes para comércio, finanças e agricultura, além do assistente pessoal da chanceler Angela Merkel. [...] Diferentemente dos vazamentos europeus, os dados sobre o Brasil não contêm mensagens interceptadas, apenas enumera os alvos preferenciais dos EUA.”, diz trecho da reportagem.

Agência Brasil
Em outra abordagem sobre o assunto, a Globonews veicula desde as 8h deste sábado (4) informações sobre a lista de 29 brasileiros na mira da NSA, segundo dados originalmente divulgados pelo site Wikileaks e pela publicação online The Intercept. Reportado pela jornalista Sônia Bridi, o caso difere do que foi revelado pelo Fantástico (TV Globo), em 2013, com base em dados vazados pelo ex-agente da NSA Edward Snowden: agora, trata-se de lista de espionados que aumentou na proporção em que o esquema de espionagem se expandiu.

 

 

 

“Quando está a bordo do avião presidencial, a presidente Dilma se comunica com o mundo usando um telefone via satélite da empresa Inmarsat. O número deste telefone é um dos grampeados pela Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos, a NSA, além de quatro números do escritório da presidente no Palácio do Planalto, o assessor pessoal da presidente, Anderson Dornelles, e a secretária Nilce”, diz trecho da reportagem da Globonews (veja vídeo no link abaixo). “Quando foi feita a revelação de que a NSA espionava a presidente Dilma [em 2013], o documento havia sido manipulado para esconder quem eram as pessoas ligadas à presidente que eram monitoradas.”

Na lista de investigados estão Marcos Raposo, ex-embaixador do Brasil no México e chefe do cerimonial da Presidência da República; os diplomatas com cargos no Itamaraty André Amado (Subsecretaria de Ambiente e Tecnologia), Valdemar Leão, assessor financeiro, Paulo Cordeiro (Secretaria de Assuntos Políticos) e Roberto Doring, assessor do ministro das Relações Exteriores; e o embaixador Luiz Alberto Figueiredo Machado, então subsecretário-geral de Meio Ambiente. “Machado era o negociador do Brasil nas questões do clima”, diz a reportagem, depois foi nomeado ministro das Relações Exteriores e, atualmente, é embaixador do Brasil em Washington.

A despeito do mal-estar diplomático, a repórter diz não acreditar que as novas revelações reavivem o desgaste causado em 2013, quando Dilma cancelou a primeira viagem que faria ao colega Barack Obama, presidente dos Estados Unidos. Para Sônia Bridi, trata-se de mais detalhes sobre o mesmo assunto há dois anos explorados, e surgem quando Dilma já realizou a visita oficial aos EUA e de lá voltou com acordos importantes firmados.

Reação

O Palácio do Planalto anunciou que, ao menos por enquanto, não fará um novo pronunciamento formal sobre o assunto, uma vez que já o fez em 2013, quando Dilma discursou na Assembleia Geral da ONU e reclamou do desrespeito dos EUA à soberania nacional. Já o ministro da Comunicação Social da Presidência da República, Edinho Silva, afirmou ao portal de notícias G1 que o episódio está “superado”, por estar relacionado a “episódios antigos”.

Palocci, segundo  Globonews, também preferiu não se manifestar sobre a questão. O ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, investigado quando era secretário-executivo do Ministério da Fazenda, ainda não se pronunciou sobre as novas revelações.

Confira aqui o material veiculado pela Agência Pública...

...e, aqui, o que é transmitido neste sábado pela Globonews

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