Estádios da Copa são “elefantes de ouro”, diz ministro

Ministro diz que não há recurso público direto na construção de arenas e que Mundial será uma “grande oportunidade” para o país superar todas as suas “mazelas”

O ministro do Esporte, Aldo Rebelo, rebateu hoje (13) as críticas aos elevados gastos públicos com a promoção da Copa do Mundo de 2014 no Brasil. Segundo o ministro, o evento representa uma “grande oportunidade” para o país superar todas as suas “mazelas”. Em audiência pública no Senado, Aldo disse que os estádios construídos em cidades sem grande tradição no futebol, como Brasília, Natal, Cuiabá e Manaus, não serão “elefantes brancos”, mas “elefantes de ouro”, devido às oportunidades de negócio e geração de renda que trarão para essas capitais.

"O estádio aqui de Brasília, por exemplo, era apontado como 'elefante branco' e agora já está sendo chamado por um jornal local de elefante de ouro, pela possibilidade de receber shows e partidas de clubes de fora do estado", declarou. Os elevados gastos públicos com a construção de estádios foi uma das principais bandeiras das manifestações que sacudiram o país em junho, durante a realização da Copa das Confederações, também da Fifa.

De acordo com o ministro, não há gasto público direto na construção ou reforma de estádios para a Copa. A ajuda, segundo ele, é indireta, por meio de renúncia fiscal e por empréstimos via Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que retornarão aos cofres públicos. Segundo ele, os investimentos públicos estão concentrados nas obras de infraestrutura. "São custos que seriam realizados com ou sem Copa, como a infraestrutura aeroportuária e viária. Não há como definir como gastos da Copa. Eles já existiriam e agora contam com objetivo generoso de antecipar essas obras com a função de beneficiar a população das cidades-sede".

Aldo defendeu, ainda, que a Copa deixará um “legado importante”, com as obras de mobilidade urbana, e atrairá um grande número de turistas estrangeiros, interessados em conhecer o país e toda sua diversidade cultural. O ministro disse que é preciso relativizar as críticas feitas à realização do Mundial no Brasil. “As críticas se baseiam nas ineficiências e dificuldades. É mais do que necessário separá-las. Nem sempre vêm acompanhadas da correção", afirmou.

Outro grande benefício da Copa, acrescentou, está na geração de empregos. O governo estima que 3,6 milhões de empregos sejam gerados em razão do evento. “É mais do que um Uruguai de empregos”, afirmou. Aldo Rebelo participa de audiência pública na Subcomissão Permanente da Copa de 2014 e das Olimpíadas de 2016.

Perdão bilionário a clubes?

O ministro negou qualquer perdão a clubes de futebol. Conforme revelou o Congresso em Foco, uma das investidas da cartolagem no Congresso é tentar zerar o maior montante do débito fiscal dos clubes de futebol, perto dos R$ 3 bilhões. Em contrapartida, os clubes beneficiados deverão oferecer contrapartida social, abrindo espaços em suas agremiações para o treinamento e formação de novos atletas. “Desconheço qualquer anistia. Não tem na pauta anistia. O que está sendo discutido é uma forma de os clubes pagarem tributos e dívidas. Não há perdão”, declarou Aldo.

Além do perdão, dirigentes de clube estão fazendo lobby para barrar um projeto de lei impõe sanções civis a dirigentes esportivos. A medida, que está em tramitação na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, determina que agremiações, federações e confederações que se sentirem prejudicadas por qualquer ato administrativo impróprio de cartolas poderão pedir em juízo a expropriação patrimonial dos seus bens particulares, mesmo depois de concluído o período da gestão.

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