Esquema de corrupção na Petrobras começou em 2002, diz executivo da Camargo Corrêa

Eduardo afirmou que os pagamentos de propina pela Camargo Corrêa a funcionários da Petrobras e agentes políticos começou em 2002, último ano do governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB)

Em depoimento à CPI da Petrobras, o ex-vice-presidente da construtora Camargo Corrêa, Eduardo Hermelino Leite disse que o ex-tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, propôs que a empreiteira efetuasse o pagamento de “dívidas oriundas de propina” por meio de doações legais ao partido. O ex-vice-presidente afirmou que o pagamento de propina, iniciado ainda em 2002, era uma “condição para o funcionamento” da relação entre empreiteiras e a estatal.

Eduardo reiterou o que o presidente da empreiteira, Dalton Avancini, havia dito à CPI: que o grupo pagou R$ 110 milhões em propina para os ex-diretores da Petrobras Paulo Roberto Costa e Renato Duque. Ele contou que repassou R$ 47 milhões para Paulo Roberto, apontado como operador do PP, e outros R$ 63 milhões para Duque, suspeito de operar para o PT.

Em seu depoimento, o ex-vice-presidente da Camargo Corrêa relatou os encontros que teve com Vaccari.  “Primeiro, houve uma conversa institucional, como funcionava doação eleitoral na Camargo. Houve uma segunda reunião, aí foi diferente. Ele (Vaccari) disse que a Camargo estava em débito com a Diretoria de Engenharia no pagamento de propina e que se a empresa não desejava liquidar isso com pagamento de campanha eleitoral para o PT. A resposta foi que não iríamos proceder desta forma”, declarou.

Eduardo afirmou que os pagamentos de propina pela Camargo Corrêa a funcionários da Petrobras e agentes políticos começou em 2002, último ano do governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB). “Herdei uma prática e tive que administrar. Em meus depoimentos reconheci os ilícitos praticados juntos a Petrobras. Recebi dos meus antecessores uma situação pré-existente. A situação preexistente consistia em contratos que foram celebrados através de consultorias a partir de 2002”, disse.

Segundo Eduardo, o PT foi beneficiado em pelo menos três ocasiões. A primeira foi em uma reunião na casa do lobista Júlio Camargo, apontado por ele como operador do PT, ligado ao ex-diretor de Serviços. “Eu estava lá, assim como Pedro Barusco [ex-gerente de Tecnologia da Petrobras], que listou os débitos [em propina] da Camargo e disse que tinham que prestar contas disso ao PT”, afirma Eduardo.

Ele disse que Renato Duque cobrou propinas atrasadas da Camargo Corrêa mesmo depois de ter deixado o cargo de diretor da Petrobras. “Ele me procurou depois de sair da diretoria para pedir que o pagamento atrasado fosse feito para uma empresa de consultoria que ele havia acabado de abrir”, disse. “Mas ele disse que o pagamento era para o PT?”, perguntou o deputado Efraim Filho (DEM-PB). “Isso sempre foi conversado”, respondeu o depoente.

O ex-vice-presidente da Camargo Corrêa, que está em prisão domiciliar, declarou que a construtora atrasava com frequência os pagamentos de propina devido aos altos valores envolvidos. O executivo disse, porém, que o único político que conheceu no período foi o ex-deputado José Janene, morto em 2010 e apontado como operador do PP.
O executivo disse, ainda, que a empresa tinha um planilha com informações sobre o pagamento de propina e que Duque recebia valores mais altos do que Paulo Roberto porque sua diretoria fechava contratos em cifras mais expressivas.

Lava Jato: Vaccari afirma que PF não fez diligências em investigação

Continuar lendo

Assine e obtenha atualizações em tempo real em seu dispositivo!