Érika Kokay critica distanciamento entre a população e os Poderes

"Nossa democracia representativa está com um nível de precariedade muito intenso. Precisamos transformá-la em uma democracia participativa. Temos um Congresso onde cada um defende seus próprios interesses", ressaltou a parlamentar

A deputada Érika Kokay defendeu, na manhã desta quinta-feira (20), que é "essencial pensar, repensar e discutir Brasília". Ela se manifestou durante o lançamento da página do site voltada para a cidade, promovido pelo Congresso em Foco no UniCEUB. A parlamentar enfatizou que, "diferentemente da maioria das metrópoles brasileiras, houve um planejamento" na criação da capital federal.

"Grande parte das cidades brasileiras foi sendo construída, Brasília não. Veio do barro vermelho para ser a capital da esperança. Aqui nós temos a capacidade de construir sínteses. Nós estamos criando os nossos pontos de encontro, mas eles não podem ser burocratizados e esterilizados", disse a deputada.

Érika Kokay observou, por exemplo, que a Lei do Silêncio "deve ser repensada". De acordo com a legislação, o índice máximo de decibéis permitido para áreas residenciais, à noite, é de 55. O valor é considerado muito baixo para estabelecimentos localizados nas comerciais. Bares e restaurantes que têm algum tipo de atração musical, por exemplo, ficam limitados na oferta de lazer aos clientes. Para a deputada, é preciso realizar uma movimentação para que os desejos de todos sejam ouvidos para possibilitar uma democracia participativa.

"Nossa democracia representativa está com um nível de precariedade muito intenso. Precisamos transformá-la em uma democracia participativa. Temos um Congresso onde cada um defende seus próprios interesses, muitas vezes escusos, obscuros, corporativos e empresariais. A mudança desta cultura não cabe apenas em uma reforma política, mas sim na construção de espaços de participação e construção coletiva", ressaltou.

Representante do DF na Câmara, Érika também fez um alerta sobre o alto nível de ocupação desordenada; o estresse hídrico que sucumbiu cerca de duas mil nascentes e foi potencializado neste ano, quando diversas regiões administrativas sofreram com a falta de água; e a necessidade de criar uma democracia que não seja radicalizada.

"Só temos uma saída, a condição de construirmos uma cidade com sua democracia, e que seu imaginário não seja cerceado. Nós temos um imaginário. Ele é calado pela Lei do Silêncio, que não considera as nossas expressões. Ele é calado quando se calam os bares, porque os bares de uma cidade também representam seu próprio imaginário. E penso que este é o caminho de construção coletiva", ressaltou a parlamentar.

"É muito importante esse espaço do Congresso em Foco para que a gente possa nos pensar dessa forma, qual é o nosso planejamento urbano, como é que nós vamos nos situar. É preciso fazer uma radicalidade democrática", acrescentou.

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