Envolvimento de Argôlo com doleiro constrange a Câmara, diz Alves

Argôlo é alvo de processo por suposta quebra de decoro. Para presidente da Câmara, denúncias contra parlamentares “são exceção”. Hoje, 37% dos congressistas são investigados no STF

O presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), afirmou nesta quarta-feira (21) que o caso do deputado Luiz Argôlo (SD-BA), acusado de envolvimento com o doleiro Alberto Youssef, constrange a Casa. Youssef foi preso na Operação Lava Jato, deflagrada em março pela Polícia Federal (PF) para desbaratar um esquema de lavagem de dinheiro que teria movimentado R$ 10 bilhões.

 

 

 

 

Henrique Alves diz que os parlamentares estão acelerando o processo de apuração das denúncias. "Estamos dando ao caso [de Argôlo] tratamento rápido e eficaz. Encaminhamos para o Conselho de Ética, que já abriu processo. O próprio partido dele está com processo interno contra o deputado", disse. "É de se lamentar esse episódio que constrange profundamente a Câmara dos Deputados", acrescentou Henrique Alves. O Conselho de Ética do partido Solidariedade abriu processo contra o deputado, que esta semana esteve no plenário da Câmara e cumprimentou os colegas normalmente.

No entanto, na avaliação de Henrique Alves, as denúncias contra parlamentares “são exceção e não regra”. Na verdade, como mostrou o Congresso em Foco, há 224 parlamentares respondendo a 542 inquéritos criminais e ações penais apenas no Supremo Tribunal Federal (STF). Eles representam 37% dos congressistas. Nos cálculos do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que considera processos sigilosos, há "pouco menos de 300" deputados e senadores investigados.

No último dia 15, o Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara abriu processo por suposta quebra de decoro contra o deputado Luiz Argôlo por seu suposto envolvimento com o doleiro Alberto Youssef.

De acordo com reportagem do jornal Folha de S. Paulo, Alberto Youssef teria bancado dois caminhões lotados de bezerros para Argôlo, a um custo de R$ 110 mil. Já reportagem da revista Veja revelou troca de mensagens atribuídas ao doleiro e ao parlamentar em que ambos supostamente discutiam sobre pagamentos e saques de dinheiro. Conforme a publicação, após uma dessas conversas, Youssef teria transferido R$ 120 mil para Vanilton Bezerra, chefe de gabinete de Argôlo.

O processo foi gerado por uma representação protocolada pelo PPS. A Mesa Diretora da Câmara aprovou, por unanimidade, o relatório da corregedoria da Casa que defende a cassação do mandato de Luiz Argôlo. O parecer, assinado pelo corregedor, deputado Átila Lins (PSB-PI), foi enviado ao Conselho de Ética, que também aprovou o texto.

Românticas

O inquérito da Lava Jato revela uma troca de mensagens românticas entre o doleiro Youssef e odeputado Luiz Argôlo (SDD-BA). Mensagens eletrônicas interceptadas em 28 de fevereiro, às 8h33, mostram que deputado cumprimentou e disse ao doleiro: “Você sabe que tenho um carinho por vc e é muito especial”. Yossef responde que também tem. O deputado continua: “Queria ter falado isso ontem. Acabei não falando. Te amo.” O doleiro concorda: “Eu amo você também. Muitoooooooooo<3”.

Youssef mantinha relações de proximidade com o deputado André Vargas (ex-PT-PR), que deixou o partido para não ser expulso e ainda teve que renunciar à vice-presidência da Câmara. Mensagens interceptadas pela PF mostram que Vargas intermediou negócios do laboratório Labogen no Ministério da Saúde. Um ex-assessor do então ministro da Saúde Alexandre Padilha foi contratado para trabalhar no laboratório. Em mensagens para o doleiro, Vargas disse que o próprio ministro teria indicado o funcionário. Revelada a troca de mensagens entre os telefones celulares, Padilha negou a indicação. Depois, Vargas passou a negar o que escrevera no torpedo para Youssef.

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