Empresa dos EUA subornou Forças Armadas e Governo de Roraima

Segundo o Departamento de Justiça dos EUA, Dallas Airmotive pagou propina de US$ 14 milhões no Brasil. Esquema de corrupção tinha extensões no Peru e na Argentina

A empresa Dallas Airmotive, com sede no Texas e especializada em manutenção de motores de aeronaves, admitiu à Justiça norte-americana que pagou propina a servidores da Força Aérea Brasileiras (FAB) e do gabinete do ex-governador de Roraima, José Anchieta (PSDB). Além de ter corrompido brasileiros, o grupo disse ter subornado a força aérea do Peru e o gabinete do Governo de San Juan, na Argentina. As informações foram publicadas nesta quinta-feira (11) pelo jornal The Wall Street Journal, replicadas pelo portal G1 e por sites dos principais veículos de imprensa do Brasil.

Segundo o jornal norte-americano, a Dallas Airmotive teve de pagar multa de US$ 14 milhões por ter violação de leis dos Estados Unidos voltadas ao combate da corrupção em países estrangeiros. A propina foi paga entre 2008 e 2011 por representantes da empresa com negócios na América Latina. O caso foi confirmado na quarta-feira (10) pelo Departamento de Justiça dos EUA, segundo o qual a empresa agora colabora com as investigações.

A denúncia foi relatada por dois investigadores, Diego Rodriguez e Leslie R. Caldwell, respectivamente da Divisão do FBI em Dallas e do Departamento de Justiça. Sem citar os nomes dos envolvidos, o órgão informou que a empresa, cuja sede no Brasil fica em Belo Horizonte, tinha entre os métodos para corromper autoridades a distribuição de presentes, o pagamento de viagens e férias remuneradas a servidores públicos e operações simuladas em empresas de fachada.

O processo conduzido pela Justiça norte-americana registra troca de e-mails com indícios da prática de suborno. Uma das mensagens mostra a comunicação entre um militar e um agente de vendas da Dallas Airmotive. “Envio as informações da companhia, não se preocupe. A companhia aqui no Rio mostra o meu nome como sócio, e por isso eu não poderia fazer negócios com você. O TCU [Tribunal de Contas da União] não permite [risos]”, diz o e-mail.

Reprodução/Departamento de Justiça dos EUA
Ao portal G1, José Anchieta evitou se pronunciar sobre o assunto. “Não vou declarar nada, porque vou me inteirar da notícia primeiro, enquanto não apurar isso primeiro. Eu não tenho conhecimento, não me lembro. Vou apurar isso aí e só me pronuncio depois”, disse o tucano. Ainda segundo o G1, a FAB disse ter tomado conhecimento do caso por meio da imprensa e que já abriu processo para examiná-lo. Por meio de nota, a Dallas disse que o suborno foi operado por pessoas que já não mais integram a empresa.

 

Confira a íntegra do comunicado do Departamento de Justiça dos EUA (em inglês)

Leia a íntegra da matéria do portal G1

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