Empresa de Cid Gomes recebeu facilidades do Banco do Nordeste

Cid recebeu empréstimo bancário com juros abaixo do valor de mercado. Construiu um galpão e, superados entraves burocráticos com a ajuda de aliados, lucra com seu aluguel em Sobral

Teve início em 18 de novembro de 2013, depois de um evento em Sobral, no Ceará, a guinada de empreendedorismo do ex-governador e atual ministro da Educação, Cid Gomes, tendo como patrocinador o Banco do Nordeste (BNB). De um palanque montado em frente a uma agência recém-inaugurada do BNB, Cid fez elogios a política de juros baixos do banco e, ao fim do evento, procurou se informar a respeito de condições de empréstimo para financiar a construção de galpões em uma região remota do município.

Depois de falar com uma gerente, Cid deu início ao empreendimento, recebendo empréstimo do BNB com juros abaixo do valor de mercado. Segundo reportagem da revista Época, o então governador dava, enfim, “serventia” a um terreno por ele comprado em 1996.

“O governador ficou animado. Não estava fácil empreender em Sobral. Cid finalmente arranjara uma serventia para um terreno que comprara em 1996 – e estava abandonado. Em 2013, já mandara asfaltar uma estrada que dava acesso ao lote. Nada de buracos e curvas acentuadas. A estrada ficou um tapete, bem sinalizada. O dinheiro para a obra? Veio do governo do Estado, então administrado por Cid Gomes. Foram quase R$ 2 milhões para pavimentar os 2 quilômetros da estrada”, diz trecho do texto assinado por Murilo Ramos.

A reportagem relata que “tudo caminhava bem” até o então governador cearense perceber que questões burocráticas ameaçam a prosperidade de seu negócio.: não havia, no zoneamento de Sobral, previsão para que o terreno pudesse receber o empreendimento. Diante do impasse, Cid recorreu ao Conselho Municipal do Plano Diretor, ligado à administração do prefeito de Sobral, Veveu Arruda (PT), seu antigo aliado. O petista, marido da atual vice-governadora do Ceará, Izolda Cela, também havia participado da inauguração daquela agência, e tratou de ajudar Cid. Apesar da resistência inicial de um dos conselheiros, que apontou a hipótese de ilegalidade no fato de o órgão discutir a questão, o entrave foi rapidamente resolvido. A licença para o negócio ser tocado foi concedida em poucos dias.

“Chegara o momento de a empresa de Cid receber o dinheiro, aplicar no projeto e lucrar com o retorno do investimento. No caso, com o aluguel do galpão. Cid e seu sócio já tinham acertado o aluguel meses antes, em janeiro de 2014, para a Cervejaria Petrópolis, fabricante da cerveja Itaipava. A despeito de o terreno de Cid ficar numa área isolada e pouco urbanizada, a Itaipava preferiu alugar seu galpão a se instalar no distrito industrial, localidade atendida por infraestrutura de qualidade, onde outras grandes empresas ficam. A Itaipava ainda topou pagar R$ 36 mil todos os meses para a empresa de Cid”, informa a revista.

Leia mais na matéria intitulada “Cid Gomes, um cliente vip do Banco do Nordeste”

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