Em sessão solene, aliado de Feliciano diz amar os homossexuais

“Não somos homofóbicos. Todos esses pastores que estão aqui amam os homossexuais", disse o deputado Takayama, que presidiu a solenidade. Ele é integrante da CDH e um dos principais defensores de Marco Feliciano

Em meio à polêmica em torno da permanência do deputado Pastor Marco Feliciano (PSC-SP) na presidência da Comissão de Direitos Humanos (CDH) da Câmara, parlamentares da bancada evangélica e líderes religiosos fizeram, nesta segunda-feira (8), sessão solene em homenagem à Igreja Evangélica Assembleia de Deus. Com o plenário da Casa lotado, os evangélicos se revezaram na tribuna, oraram e cantaram com o acompanhamento da sanfona do pastor Samuel Câmara, irmão do deputado Silas Câmara (PSD-AM). Fundador e pastor da Igreja Assembleia de Deus Catedral do Avivamento, Feliciano não compareceu à cerimônia.

A sessão foi presidida pelo deputado Hidekazu Takayama (PSC-SP), integrante da CDH e um dos principais defensores de Feliciano na comissão. No final da cerimônia, ele pediu a palavra e, antes do início de uma cantata de coral, dirigiu-se a manifestantes ligados aos direitos humanos. Nas últimas semanas, representantes de classe e militantes de partidos como PT, Psol e PCdoB têm se revezado em protestos contra o deputado paulista. Eles acusam Feliciano de dar declarações homofóbicas e racistas.

“Esta Casa é o espelho da sociedade”, disse Takayama, referindo-se aos cerca de 80 parlamentares evangélicos. “Não somos homofóbicos. Todos esses pastores que estão aqui amam os homossexuais. Nós só não amamos a prática dos homossexuais”, disse o deputado paranaense, referindo-se aos “senhores ativistas” que têm impedido Feliciano de avançar na pauta da CDH. Por causa dos protestos, o presidente da comissão determinou o fechamento das reuniões do colegiado até o final do ano.

“Amamos vocês, e esperamos que vocês entendam isso. O Estado é laico, mas a nação é cristã”, emendou Takayama. Ele ainda questionou por que outros parlamentares também não tiveram sua indicação contestada, em alusão aos petistas João Paulo Cunha (PT-SP) e José Genoino (PT-SP), integrantes da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) condenados pelo Supremo Tribunal Federal no processo do mensalão. “Eles podem indicar quem eles querem para comissões e nós não? Nós podemos colocar um, dois, três, quatro milhões de pessoas aqui nesta Casa para dizer que a nação é cristã”, afirmou o deputado do PSC.

Diversos membros da CDH participaram do evento. Sessões solenes em homenagem a instituições e datas religiosas são realizadas, anualmente, tanto no Senado quanto na Câmara.

Moção de repúdio

Hoje (8), o Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial (CNPIR) divulgou, no Diário Oficial da União, moção de repúdio à permanência de Feliciano na presidência da Comissão de Direitos Humanos. Na nota, o conselho vinculado à Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República torna pública a sua “indignação” com a indicação de Feliciano para o cargo.

É a primeira vez que um órgão do governo federal se manifesta contra a presença do parlamentar à frente da CDH. A nota (veja a íntegra) é assinada pela ministra Luiza Helena de Bairros, que preside o CNPIR.

Conselho do governo considera "inaceitável" Feliciano na CDH

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