Em Portugal, Gilmar fala de “sistema de corrupção generalizado” no Brasil

Ministro do Supremo Tribunal Federal associa corrupção ao financiamento de campanhas por empresas, prática proibida a partir das eleições deste ano

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, declarou, em entrevista à agência portuguesa Lusa, que há "um sistema de corrupção generalizado" no Brasil. Gilmar disse que a corrupção existe "certamente no que diz respeito ao financiamento de campanhas, basta ver as listas de quaisquer empresas".

O ministro informou que agora estão proibidas as doações de empresas às campanhas. “Nós tínhamos até recentemente, antes da decisão do Supremo, um sistema de financiamento privado: as empresas é que financiavam a política na sua substância. Mas é bem provável que esse sistema tenha sido bastante sofisticado nesses últimos anos”, disse ele.

Gilmar Mendes participa do IV Seminário Luso-Brasileiro de Direito, que acontece no auditório da Universidade de Lisboa. O vice-presidente, Michel Temer, também participaria do evento mas cancelou a ida. Segundo a assessoria do PMDB, o vice-presidente cancelou a participação a pedido de parlamentares correligionários para participar de várias reuniões nesta terça-feira, quando ocorre a reunião do Diretório Nacional que vai decidir sobre a continuidade do PMDB na base alidada.

O evento conta ainda com a participação do ministro do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli e dos senadores Aécio Neves (PSDB-MG), José Serra (PSDB-SP) e Jorge Viana (PT-AC).

O seminário, que começou hoje e vai até quinta-feira (31), é promovido pelo Instituto Brasiliense de Direito Público, do qual Gilmar Mendes é cofundador, e pela a Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. O tema desta edição é Constituição e Crise – A Constituição no Contexto das Crises Política e Econômica.

Manifestação

Durante o seminário, brasileiros residentes em Portugal promoveram uma manifestação em defesa da democracia em frente à Universidade de Lisboa, com cerca de 50 pessoas estavam no local.

Em entrevista à agência Lusa, Bruno Araújo, um dos organizadores do protesto, informou a necessidade de defender a democracia no Brasil, "que está atualmente em risco". Declarou ainda que o movimento é apartidário, formado por professores e estudantes brasileiros, em um "ato notável de patriotismo".

O professor Milton de Sousa, residente há cerca de um ano em Portugal, disse à agência Lusaque os brasileiros são a favor das investigações contra a corrupção, mas alertou para o atual "seletismo" nas investigações.

* Com informações da Agência Lusa

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