Em entrevista, Temer reafirma necessidade de “desmentir boatos”

Em entrevista à Agência RádioWeb, presidente reitera compromisso com discussão sobre direitos trabalhistas e aponta caminhos para diminuição do desemprego. Peemedebista diz que sua gestão combaterá "erros de interpretação" veiculados para a opinião pública

Na noite desta quarta-feira (14), o presidente Michel Temer concedeu entrevista à equipe da Agência RádioWeb no Palácio do Planalto (escute a entrevista). Durante a conversa, o peemedebista afirmou que além das reformas Trabalhista e Previdenciária, está focado em concentrar esforços para fazer o país "passar pela crise econômica". Com dois anos e quatro meses de governo pela frente, Temer enfatizou a necessidade de "desmentir boatos" sobre propostas e estudos realizados pelo governo. Ele criticou o que chamou de "erro de interpretação" sobre a fala do ministro do Trabalho, Ronaldo Nogueira, que adiantou em reunião com sindicalistas a possibilidade de criar uma carga horária de 12h por dia.

Durante a conversa, Temer explicou: "A única coisa que houve, e não é decisão, foi um encontro do ministro com centrais sindicais. Lá, questionaram a possibilidade de reduzir a jornada semanal de trabalho do empregado. Verificou-se que se houvesse a possibilidade de o trabalhador exercer 12h diárias, em quatro dias, o trabalhador faria 48h, sendo 44h normais e 4h extras. Portanto, folgaria três dias. A notícia correta é a seguinte: governo estuda possibilidade de o trabalhador trabalhar apenas quatro dias por semana em uma empresa."

"Bombou na internet como uma notícia falsa. A única coisa que se quer é prestigiar o trabalhador, e não impor pena a eles. Perda de direitos está fora de qualquer projeção", acrescentou ou destacar que a reforma trabalhista será apresentada ao Congresso em 2017.

Em relação à reforma da Previdência, o presidente disse que esse é um pedido de mais de 60% dos brasileiros. Para ele, apesar de "delicada", as alterações precisam ser realizadas para que "daqui há 10, 15, 20 anos" os trabalhadores que se aposentarem possam "bater às portas do poder público" e receber os valores esperados.

"Se você não fizer, o governo não terá dinheiro. O déficit da Previdência este ano é de R$ 100 bilhões. Em um momento os cofres públicos não vão suportar. A reforma é para o futuro", avaliou Temer.

Limite de gastos

Sobre as polêmicas que envolvem o projeto de emenda à Constituição (PEC 241/2016) e prevê o teto de gastos para o governo, Temer disse que essa é a prioridade deste ano.

"Nós estamos com déficit de R$ 170,500 bilhões, fruto, penso eu, de uma política econômica equivocada. Nós propusemos ao Congresso uma emenda que permite uma revisão dos gatos orçamentários apenas pela inflação. A aprovação é fundamental", disse à RádioWeb.

"Os valores destinados a Saúde e Educação não vão mudar. Para o ano que vem, inclusive, os dois setores já tiveram acréscimo de verbas. [...] O teto é para o teto global dos gastos, não é para saúde, educação ou cultura", acrescentou.

Desemprego

Outra preocupação do presidente é reaquecer a economia sem retirar direitos e programas sociais. Ele destacou que o Bolsa Família foi revalorizado em 12,5%, o que significa 20 reais por família e R$ 280 milhões, utilizados para movimentar a economia.

Temer também enfatizou algumas medidas que acredita serem capazes de reduzir o desemprego no país. Para ele, a construção civil é um caminho importante para essa reformulação. "Retomamos o Minha Casa, Minha Vida para construir milhares de casas este ano e no próximo. Isso proporciona a revitalização da construção civil e gera empregos."

O peemedebista ressaltou ainda o lançamento do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI). De acordo com ele, as medidas são "fator mobilizador" para fomentar a criação de empregos com a criação de concessões para revitalização de rodovias, ferrovias e aeroportos.

"Nós estamos tomando providências com vistas a retomar o crescimento econômico do país e nós acreditamos que a partir de 2017 a economia já começa a respirar", disse Temer ao destacar que, para conseguir todos os resultados esperados, o governo aposta em um "convencimento" do Congresso e no "apoio do povo brasileiro".

"Precisamos pacificar o país, reunificar as várias correntes, não só políticas, mas as sociais. Eu, sozinho, não consigo tirar o país da crise. Preciso do apoio do Congresso Nacional, da compreensão dos movimentos sociais, preciso do entusiasmo do povo brasileiro. De otimismo, esperança e confiança", finalizou.

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