Eleonora lembra tempos de prisão com Dilma

Feminista e companheira de cela de Dilma Rousseff durante a ditadura militar, Eleonora Menicucci é empossada como ministra da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres

A nova ministra da Secretaria de Políticas para Mulheres, Eleonora Menicucci, tomou posse hoje (10) em cerimônia realizada no Palácio do Planalto. Em seu discurso de posse, ela falou sobre o período da ditadura militar que dividiu a mesma cela em que a presidenta Dilma Rousseff no presídio Tiradentes, em São Paulo. Militantes de esquerda à época, Eleonora é socióloga e professora titular de saúde pública na Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).

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Ela foi nomeada na segunda-feira (6) por Dilma para ocupar o lugar de Iriny Lopes, que deixa o governo federal para disputar pelo PT a Prefeitura de Vitória, no Espírito Santo. "Nossas trajetórias, presidenta Dilma, [...] se entrelaçaram quando ainda jovens éramos. Fomos presas, torturadas, vivemos na mesma cela. Tivemos um engajamento que nos ensinou a lidar com as adversidades e a nunca nos omitir diante das situações", afirmou a ministra no discurso de posse.

Ela ainda lembrou do dia em que chegou à prisão e foi abraçada por Dilma. “Quando cheguei ao presídio Tiradentes, a senhora me abraçou com afeto”, disse. Eleonora foi aplaudida de pé quando citou nomes de colegas que morreram durante a ditadura militar e disse: “Lutar e viver com dignidade vale a pena.”

Durante seu discurso, Dilma Rousseff afirmou que Eleonora é uma “lutadora incansável e inquebrantável pelos direitos das mulheres” e que atuará de acordo com as diretrizes do governo. A presidenta fez questão de ressaltar que “este é o governo mais feminino da história do país”. “É o mais feminino não porque tem uma mulher na presidência e 10 mulheres nos ministérios, mas porque todos reconhecem, respeitam e defendem a igualdade de direitos”, disse durante o discurso.

Lei Maria da Penha

A nova ministra comentou ainda a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), firmada ontem (9),  que autorizou o Ministério Público a denunciar agressores em casos de violência doméstica contra a mulher, ainda que a vítima não apresente queixa contra o agressor. "Hoje, a noção de que não se pode bater em mulher está amplamente assimilada. [...] Ontem, a vitória no STF representou um marco histórico na vida das mulheres brasileiras."

Aborto

Antes de assumir o comando da pasta, Eleonora afirmou em entrevista coletiva, que o aborto “é uma questão de saúde pública”. A ministra já defendeu publicamente o aborto, mas no discurso de posse não falou diretamente sobre a questão, mas afirmou que atualmente, as mulheres não podem “ter seus direitos reprodutivos e sexuais desrespeitados”. Ela defendeu ainda, a ampliação de políticas de segurança e saúde para as mulheres.

"Não se pode aceitar ainda hoje, quando temos uma mulher no mais alto cargo do Executivo brasileiro e outras tantas mulheres em posição de decisão, que mulheres sejam vistas como meros objetos sexuais”, afirmou. No entanto, na terça-feira (7), perguntada sobre sua posição quanto à legalização do aborto, a ministra afirmou que, agora que faz parte do governo, o assunto não diz respeito ao Executivo e sim, ao Legislativo.

Currículo

Eleonora Menicucci é graduada em ciências sociais pela Universidade Federal de Minas Gerais, mestre em sociologia pela Universidade Federal da Paraíba e doutora em ciência política pela Universidade de São Paulo (USP). Em São Paulo, Eleonora também obteve o título de livre docente em saúde coletiva. Fez pós-doutorado em saúde e trabalho das mulheres na Facultá de Medicina della Universitá Degli Studi Di Milano, na Itália.

Pró-reitora de extensão da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), lidera o Núcleo de Estudo e Pesquisa em SAúde da Mulher e Relações de Gênero. É filiada ao Partido dos Trabalhadores (PT).

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