Eleitos receberam R$ 158 milhões em doações ocultas

Vitoriosos nas 26 capitais declararam ter recebido R$ 212,5 milhões. Desse total, apenas R$ 53,6 milhões têm seus doadores identificados. Oito eleitos tiveram mais de 90% de suas doações ocultas

De cada R$ 100 doados aos 26 prefeitos eleitos nas capitais, R$ 75 tiveram origem oculta. Dos R$ 212,5 milhões que os vitoriosos informaram à Justiça eleitoral ter recebido, apenas R$ 53,6 milhões tiveram a origem plenamente revelada. Ou seja, R$ 158,9 milhões foram transferidos pelos comitês financeiros ou diretórios partidários - as chamadas doações ocultas. Os valores representam a soma dos recursos declarados pelos nove eleitos em primeiro turno, cujas prestações de conta foram divulgadas ainda no começo do mês, e pelos 17 vitoriosos em segundo turno, cujos dados foram publicados esta semana na página do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na internet. Nos dois casos, o percentual de doações ocultas foi o mesmo: 75%.

Dos R$ 136,9 milhões declarados pelos prefeitos eleitos em segundo turno, apenas R$ 35 milhões tiveram origem clara. Os demais R$ 101,9 milhões foram repassados por empresas aos diretórios partidários e comitês financeiros, responsáveis pela entrega do dinheiro ao candidato.

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Como mostrou o Congresso em Foco, R$ 57 milhões (75%) dos R$ 75,5 milhões declarados pelos nove eleitos no primeiro turno também tiveram origem oculta. Essas doações são assim chamadas porque, apesar de os diretórios partidários e os comitês financeiros serem obrigados a informar de quem receberam, não é possível rastrear com precisão a origem do dinheiro. É que a arrecadação é pulverizada entre diversos candidatos da chapa ou da legenda. O mecanismo é utilizado por empresas que nao desejam ter seu nome associado diretamente a políticos.

Mais de 90%

Dos 26 prefeitos eleitos nas capitais, oito tiveram mais de 90% de suas receitas ocultas. Cinco deles foram eleitos no segundo turno: Firmino Filho (PSDB), em Teresina, Zenaldo Coutinho (PSDB), em Belém, Mauro Nazif (PSB), em Porto Velho, Alcides Bernal (PP), em Campo Grande, e  e Fernando Haddad (PT), em São Paulo. No primeiro turno, também passaram dos 90% os prefeitos eleitos de Boa Vista, Teresa Surita (PMDB), Porto Alegre, José Fortunati (PDT), e de Aracaju, João Alves Filho (DEM).

Entre os vitoriosos nas capitais no dia 28 de outubro, ninguém recebeu mais doações ocultas que Fernando Haddad. Dos R$ 42 milhões arrecadados pelo prefeito eleito de São Paulo, R$ 38 milhões vieram de comitês financeiros e dos diretórios estadual e nacional do PT. O candidato derrotado por ele, o tucano José Serra, não ficou atrás. Concentrou R$ 31,8 milhões (94%) dos R$ 33,5 milhões que arrecadou em dois comitês financeiros, que também repassaram para outras campanhas.

Voltando aos eleitos em segundo turno, depois de Haddad, o maior volume de doações ocultas foi declarado por ACM Neto (DEM). Dos R$ 21,9 milhões arrecadados pelo prefeito eleito de Salvador, R$ 19,5 milhões (89%) saíram de doações intermedidas pelos diretórios estadual e nacional do Democratas. O terceiro maior volume de doações ocultas foi de Roberto Cláudio (PSB), prefeito eleito de Fortaleza, com R$ 12,6 milhões.   

Coordenador-geral da campanha do prefeito reeleito de Porto Alegre, José Fortunati, o deputado Vieira da Cunha (PDT-RS) diz que o expediente prevaleceu não por vontade do candidato, mas por exigência dos financiadores. “É uma solicitação dos doadores, que querem evitar o assédio de outros candidatos. Preferem doar via partido para não receber pedidos de outras candidaturas. Esta é a vida real. De nossa parte, nunca houve intenção de ocultar doação. Enquanto o financiamento público de campanha, que o PDT defende, não vem, a regra do jogo é esta”, afirma o pedetista. Fortunati foi o segundo prefeito eleito com maior percentual de doações ocultas: os 98% registrados por ele só o deixaram atrás de Teresa Surita, em Boa Visa, que teve 100% de suas receitas atribuídas ao diretório partidário.

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