Eike Batista contratou empresa de Dirceu para intermediar negócio na Bolívia

Em depoimento à CPI do BNDES o empresário disse que contratou a empresa do ex-ministro da Casa Civil em 2008. Eike também negou ter negócios com o empresário José Carlos Bumlai, amigo do ex-presidente Lula investigado pela Lava Jato

O empresário Eike Batista disse, em depoimento à CPI do BNDES, que contratou os serviços de consultoria do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, em 2008, para intermediar a construção de uma siderúrgica na Bolívia.

Ao responder pergunta do deputado Jorge Tadeu Mudalen (DEM-SP), Batista admitiu que contratou Dirceu para negociar com o governo de Evo Morales a instalação da siderúrgica. “Como acontece depois de todos os movimentos revolucionários, tudo o que é estrangeiro ou investimento anterior é considerado coisas de multinacionais. Então eu queria que eles fossem menos radicais”, explicou.

O empresário disse, porém, não se lembrar do valor do contrato com José Dirceu e ficou de repassar a informação à CPI. Ele garantiu, ainda, que a construção da siderúrgica não foi adiante.

Eike Batista disse aos deputados que deve voltar a operar no mercado em poucas semanas, depois de negociar com os últimos credores, e acusou a imprensa de divulgar mentiras sobre as empresas dele e os negócios feitos por seu grupo com o BNDES. Ele afirmou que a mídia distorce os fatos e mente. “Disseram que eu estou devendo R$ 6 bilhões ao BNDES e eu não estou devendo um centavo”, garantiu.

Batista disse que talvez tenha errado ao não pagar anúncios nos meios de comunicação. “Nunca paguei dinheiro para a mídia, como propaganda, talvez um erro grave do grupo”, disse.

Negócios com Bumlai

Pouco antes, o empresário negou ter negócios com o empresário José Carlos Bumlai, amigo do ex-presidente Lula investigado pela Operação Lava Jato por suspeita de ter intermediado pagamentos de propina de empresas contratadas pela Petrobras.

“Nunca tive nada com o senhor Bumlai. Nunca paguei nada a ele. O encontrei duas vezes. Meu relacionamento com o BNDES não tem relação com políticos”, disse, ao responder pergunta do deputado Arnaldo Jordy (PPS-PA), um dos autores dos requerimentos para sua convocação.

Jordy questionou o empresário a respeito de denúncias de que a empresa OGX teria usado recursos do Fundo da Marinha Mercante, financiamento feito com a destinação exclusiva para a construção de navios-plataforma, para outros fins.

“Isso nunca existiu”, respondeu o empresário.

“Mas o senhor continuou a atrair investidores, mesmo depois de constatar que não havia petróleo suficiente nos seus campos, o que deu prejuízos”, rebateu o deputado.

“Eu tinha um fundo soberano com meu sócio da holding (OGX). O fundo tinha como garantia as ações da companhia. Todo o dinheiro obtido com a venda das ações foram direcionados para pagamento dos credores”, explicou Batista.

Batista voltou a afirmar que o BNDES não teve qualquer prejuízo com os financiamentos feitos a empresas de seu grupo. E revelou que, como deu garantias pessoais a todos os financiadores de seus projetos, seu patrimônio, hoje, é negativo em 1 bilhão de dólares.

“Então o senhor está falido?”, perguntou Jordy.

“Não estou falido. Espero resolver isso nos próximos dez dias e voltarei ao mercado”, respondeu o empresário.

“O senhor é um fenômeno”, ironizou o deputado, que disse não estar satisfeito com as explicações fornecidas pelo empresário a respeito das acusações de que deu prejuízos a investidores e manipulou o mercado ao ocultar a baixa produtividade dos poços de petróleo obtidos pela OGX.

“Eu sei”, respondeu Batista, que provocou risos na audiência pública.

“O senhor, de bobo, não tem nada”, concluiu Jordy.

 

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