Eduardo Campos: “Não está na hora de falar em presidência”

Para presidente do PSB, quem falar das eleições de 2014 agora irá perder. Momento é de pensar no segundo turno

O presidente nacional do PSB e governador de Pernambuco, Eduardo Campos, avaliou nesta quarta-feira (10) que o desempenho do partido no primeiro turno das eleições municipais surpreendeu até mesmo "os mais otimistas", e que esse cenário é resultado de uma preocupação da cúpula partidária de fazer a sigla crescer nacionalmente.

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Foram 436 prefeitos eleitos em primeiro turno pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB), número que representa um aumento de 42% em relação ao pleito de 2008, quando o partido elegeu 308. "Nós crescemos além do que imaginávamos que iríamos crescer. Esse crescimento vem dos acertos políticos, do posicionamento do partido, do jeito do PSB de governar, do êxito das administrações", disse. Ele está em Brasília, onde se reuniu com lideranças do partido, na sede do PSB, para avaliar o resultado das eleições e discutir as alianças para o segundo turno.

Apesar da crescente desconfiança de algumas pessoas do governo, para as quais Eduardo Campos pode se candidatar à presidência já em 2014, o governador preferiu não confirmar o assunto. Para ele, quem falar do próximo pleito neste momento "com certeza irá perder". "Agora é a hora de pensar no segundo turno. Passado esse segundo turno, vamos pensar no Brasil. Quem pensa no Brasil com responsabildiade não eleitoraliza o debate político. O PSB cresceu porque não fica pensando somente em eleição. O PSB vai continuar discutindo o que interessa ao povo, e tenha certeza que em 2014 o PSB vai ganhar", disse.

O governador do Ceará, Cid Gomes, irmão do ex-deputado federal e ex-candidato a presidente Ciro Gomes, considerou precipitado qualquer movimento em favor do lançamento do nome de Eduardo Campos à presidência em 2014: "Acho que em 2014 seria um atropelo, seria uma ansiedade. Temos que ter cautela para não nos envolvermos por ela".

Cid Gomes afirma que não há motivos para o PSB lançar um candidato para disputar as eleições com a presidenta Dilma Rousseff. "Ajudamos a eleger Dilma, participamos do governo dela e ela vem respondendo positivamente. Na minha opinião, a gente pode esperar mais um pouco", avaliou. Ele, porém, ressaltou que o partido não tem compromissos firmados com o PT. "Não somos apêndice do PT", disse. Segundo o governador, 2018 seria um bom ano para pensar em um voo solo.

O PSB foi o partido que mais cresceu nestas eleições em relação ao número de prefeitos eleitos em 2008. Nas cidades com mais de 200 mil habitantes, foram cinco prefeitos eleitos no primeiro turno. Outros sete candidatos pela sigla disputam o segundo turno. Três deles em capitais: Roberto Cláudio em Fortaleza, Mauro Mendes em Cuiabá e Mauro Nazif em Porto Velho. O partido também obteve um bom índice na corrida pela reeleição. Dos 163 prefeitos que tentaram se reeleger pela sigla, 71% foram eleitos.

Dessa forma, o PSB foi o quarto partido a eleger mais prefeitos. O primeiro e o segundo lugares ficaram, respectivamente, com o PMDB e o PSDB, que, apesar disso, tiveram redução no número de prefeitos eleitos. Em seguida, veio o PT, que, mesmo tendo aumentado o total de prefeituras sob o seu controle, cresceu menos que o PSB. Apesar do bom resultado, Cid Gomes avalia que ainda é preciso avançar nacionalmente. "O que é mais importante não é o número de prefeituras, mas sim a distribuição delas. Hoje ainda não são bem distribuídas", disse.

Alianças

Segundo Eduardo Campos, o partido tem como meta para as próximas semanas reforçar as campanhas nos municípios em que a disputa terá segundo turno. "Nós definimos com o conjunto de companheiros da direção nacional uma agenda para a nossa bancada, que vai circular nas três capitais que estamos disputando e nas quatro cidades-pólos que estamos disputando. Também estaremos presentes nos palanques em que temos candidatos a vice. Essas serão as prioridades da nossa militância já a partir deste final de semana", disse.

Para ele, a prioridade em São Paulo é apoiar o candidato Jonas Donizette, que disputa o segundo turno em Campinas contra o petista Márcio Pochmann. Já na capital paulista, o partido seguirá apoiando Fernando Haddad, do PT, contra o candidato tucano José Serra. A presença de Eduardo Campos no palanque com Haddad já é dada como certa, mas ainda não tem data definida.

Mensalão

Para Eduardo Campos, as condenações de integrantes do PT no processo do mensalão são um alerta, mostrando que a política tem limites. "Não fico feliz, nem comemoro a condenação de ninguém. Mas acho que esse processo tem sido importante para demarcar bem que a política tem o seu limite. Aquela história de que em política vale tudo não pode prevalecer", afirmou.

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