Editorial: nossa posição sobre as eleições

Desde o seu lançamento, em fevereiro de 2004, este site se guia pelo compromisso de fazer uma cobertura independente e apartidária dos assuntos relativos ao Congresso Nacional e à política brasileira. Nem por isso deixamos de tornar explícitos certos princípios que, a nosso ver, podem contribuir para a construção de um país melhor e mais justo.

Assim, somamo-nos a outras iniciativas voltadas para a promoção da limpeza ética do Parlamento e da política em geral. Desenvolvemos permanente esforço para apurar e publicar informações que permitam aos leitores avaliar o desempenho dos representantes eleitos. A assiduidade dos congressistas, seu eventual envolvimento em práticas irregulares, a evolução do patrimônio dos políticos, o comportamento tanto do governo quanto da oposição são alguns temas aos quais o Congresso em Foco dedica atenção diária, ao lado do acompanhamento da produção legislativa da Câmara e do Senado e do debate das grandes questões nacionais. No último caso, sempre procurando dar espaço às mais diversas correntes de pensamento.

Fazemos isso por acreditar que o debate democrático e o respeito às diferenças são ingredientes fundamentais para pavimentar a rota que levará o Brasil a dias melhores.

Mas não pretendemos ser isentos. Temos, e manifestamos, opiniões próprias sobre determinados assuntos. No auge da crise do mensalão, levamos ao ar editorial em que defendemos a punição exemplar tanto dos governistas quanto dos oposicionistas envolvidos na sujeira do valerioduto e das contabilidades partidárias ilegais (o famoso caixa dois). No plebiscito do ano passado, pregamos a aprovação das restrições à venda de armas e munições, lamentando o irracionalismo e a superficialidade do debate público que afinal levaria à rejeição de medidas legais que poderiam contribuir para tirar o país da lista das nações que encabeçam as estatísticas de mortes por armas de fogo.

Hoje, véspera das eleições, também julgamos necessário manifestar a visão do Congresso em Foco a respeito do processo eleitoral.

Em primeiro lugar, entendemos que, na disputa presidencial, nenhum dos candidatos inscritos atende plenamente aos pré-requisitos necessários para a eleição de um estadista capaz de corresponder às demandas de uma nação repleta de problemas e carências. Tais pré-requisitos são: compromisso com a redução das desigualdades sociais; defesa de uma agenda econômica que mostre claramente o caminho a ser trilhado para reduzir a carga tributária e a burocracia e colocar o país em uma fase de maior prosperidade; uma trajetória marcada pela ética, da parte do próprio candidato e dos seus aliados; e a demonstração de possuir base social e política para realizar as mudanças que o Brasil exige.

Isso significa que, na sucessão presidencial, estamos condenados a escolher o menos ruim. Vejamos o caso dos quatro candidatos à frente nas pesquisas de intenção de votos.

Lula talvez se reeleja, em razão de uma obra administrativa que seus adversários costumam subestimar, mas encerra o governo com notável passivo moral. Alckmin se apresenta como o paladino da ética, figurino que não se encaixa no perfil de um candidato que, como governador de São Paulo, impediu a instalação de 69 comissões parlamentares de inquérito na Assembléia Legislativa paulista. Heloísa Helena, em que pesem a coerência e a falta de restrições à integridade de sua conduta, sequer apresentou programa de governo, além de não ter demonstrado o equilíbrio emocional que se deve esperar do chefe da nação. Cristovam se coloca como o candidato da mudança, mas não faz muito tempo era o grande defensor da permanência no Ministério da Fazenda de Pedro Malan, um dos responsáveis pelas macropolíticas que impuseram desemprego e atraso econômico.

Causa-nos tristeza, igualmente, o fato de as pesquisas eleitorais anteverem a vitória de vários candidatos a governador comprometidos com o continuísmo e o status quo em estados gravemente necessitados de mudanças mais profundas.

Por outro lado, as eleições são uma oportunidade única de melhorar a qualidade dos parlamentares federais e estaduais. Aqui, sobretudo em relação ao Congresso, queremos crer que nosso trabalho pode ser bastante útil. Convidamos os leitores do site a verificar quais são os congressistas às voltas com acusações criminais (veja aqui) e recomendamos que façam sua parte para tentar evitar que o novo Parlamento traga de volta os vícios e os esscândalos do Congresso do mensalão e dos sanguessugas.

Finalmente, lembramos que a participação política dos cidadãos não pode ocorrer apenas no momento em que eles são chamados para expressar o seu voto nas urnas. Ela pode, e deve, ser permanente. Acompanhando o trabalho dos representantes eleitos, fiscalizando o uso de recursos públicos, pressionando-os em favor das mudanças necessárias, todos nós temos um extraordinário trabalho a fazer no rumo da transformação desta Terra Brasilis.

Para isso, sempre daremos o máximo de nossa capacidade, de modo que você tenha neste Congresso em Foco uma fonte responsável, democrática e confiável de informações sobre o que acontece na nem sempre higiênica política nacional.  

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