Edinho Silva nega que campanha de Dilma tenha sido financiada com propinas

Em nota, tesoureiro da campanha de Dilma em 2014 negou que as empresas fizeram doações legais com dinheiro fruto de contratos superfaturados da Petrobras para a campanha petista

O ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, Edinho Silva, divulgou uma nota afirmando que são "mentirosas" as alegações sobre a existência de um esquema de propinas envolvendo empresas responsáveis por obras do governo federal, cujo objetivo seria financiar a campanha de 2014, da presidente Dilma Rousseff, à reeleição.

Segundo a reportagem, Azevedo entregou uma planilha à Procuradoria-Geral da República (PGR) com a informação sobre doações. A planilha foi detalhada tanto por Otávio Marques quanto pelo ex-executivo da construtora, Flávio Barra, em depoimentos colhidos em fevereiro, durante a negociação da delação com a procuradoria.

De acordo com reportagem do jornal Folha de S.Paulo, publicada na quinta-feira (7), o ex-presidente da Construtora Andrade Gutierrez, Otávio Marques de Azevedo, disse em delação premiada à força-tarefa da Operação Lava Jato, em Curitiba, que a empresa pagou propina oriunda de obras superfaturadas, no formato de doações legais de campanha.

Edinho Silva assumiu a coordenação financeira da campanha de Dilma em julho de 2014, quando a Lava Jato encontrava-se em pleno andamento, com a missão de "blindar a campanha de qualquer fato que estivesse vinculado às denúncias”, diz ele na nota divulgada neste sábado.

Azevedo disse aos procuradores que a propina tinha origem em contratos da empreiteira para execução das obras do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), a Usina Angra 3 e a Hidrelétrica de Belo Monte. Ainda segundo a reportagem, a delação aguarda a homologação, por parte do ministro Teori Zavascki. A PGR ainda não se pronunciou a respeito.

Em sua defesa, o ministro diz que não poderia ter participado de conluio envolvendo obras federais durante a campanha presidencial, pois não detinha cargo na administração federal antes de 2015. “Como eu poderia, portanto, ter atuado em 2014 como articulador de um conluio envolvendo obras e contratos do governo federal? Isso não existe. Esta é uma acusação totalmente descabida e grosseira”, segundo o texto.

Na nota, Edinho confirmou ter se reunido com Otávio Marques no comitê de campanha da chapa Dilma-Temer, em Brasília, onde o executivo teria comparecido por livre e espontânea vontade para estabelecer, ele mesmo, os valores e datas para o depósito das doações de campanha à chapa Dilma-Temer.

“As doações foram declaradas à Justiça Eleitoral, e os valores mostram que a campanha Dilma-Temer recebeu, inclusive, um valor inferior ao doado ao candidato adversário no segundo turno. Essa é a verdade. O restante é uma tentativa escandalosa de criminalizar doações legais que seguiram as regras e normas da legislação brasileira”, acrescentou.

Edinho Silva disse que planeja entrar com ações judiciais contra Otávio Marques, a depender do esclarecimento sobre detalhes da delação premiada do executivo, solicitado por meio de interpelação legal.

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