Doze dias após assumir ministério, Jucá é exonerado por Temer

Peemedebista caiu após divulgação de áudio em que defendia a troca de governo e um pacto para "estancar sangria" da Lava Jato. Esta é a primeira baixa ministerial do presidente interino

O Diário Oficial da União publica nesta terça-feira (24) decreto com a exoneração do ministro do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão, Romero Jucá (PMDB). Ontem, sob forte pressão, Jucá anunciou que se licenciaria do cargo para retornar ao Senado até que o Ministério Público Federal se manifeste a respeito do teor dos diálogos gravados entre ele e o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado. Na conversa, gravada em março, semanas antes da votação do impeachment na Câmara, o peemedebista defende a troca de governo e um “pacto” para “estancar a sangria” da Operação Lava Jato.

A exoneração de Jucá ocorre 12 dias após sua nomeação. Esta é a primeira baixa do ministério do presidente interino Michel Temer, que, em nota divulgada nessa segunda-feira, agradeceu ao senador por sua contribuição ao governo. Ao anunciar sua licença, Jucá adiantou que “tecnicamente” pediria exoneração para poder reassumir o mandato de senador por Roraima.

Jucá justificou que conversou com Sérgio Machado não como ministro, mas como senador. “Não há na conversa nenhum posicionamento diferente do que tive em entrevistas e em questões públicas”, explicou. “Vou pedir licença do cargo a partir de hoje (ontem, 23) à noite, quando vou pedir ao Ministério Público Federal que se manifeste e diga se há ou não irregularidade na minha conversa com o ex-senador Sérgio [Machado]“, afirmou.

Enquanto estiver afastado do cargo, Jucá assume suas funções no Senado, onde disse que vai trabalhar pela rápida aprovação da nova meta fiscal do Executivo. Com o afastamento dele, o Ministério do Planejamento será comandado pelo secretário-executivo Dyogo Henrique de Oliveira. Jucá afirmou também que seguirá na presidência do PMDB nacional.

O áudio, de 1h15 min, foi gravado de forma clandestina e está em poder da Procuradoria-Geral da República, segundo a Folha de S.Paulo. Ex-senador pelo Ceará e amigo do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), Sérgio Machado demonstra preocupação com a possibilidade de sua investigação descer do Supremo Tribunal Federal (STF) para as mãos do juiz federal Sérgio Moro, em Curitiba.

Lideranças do DEM, partido que apoia o presidente interino Michel Temer, defenderam a saída de Jucá. O PDT anunciou que entrará com representação contra o senador nesta terça-feira por quebra de decoro parlamentar no Senado. Já o Psol entrou com representação na Procuradoria-Geral da República pedindo a prisão de Jucá por obstrução à Justiça.

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