Documentos reforçam acusação de Youssef contra Cunha, diz jornal

Segundo o Globo, aliada do presidente da Câmara apresentou requerimentos que pressionavam executivo que havia suspendido repasses ao PMDB. Forma de pressão coincide com relato de Youssef na delação premiada, destaca jornal

Dois requerimentos apresentados por uma aliada do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) na Câmara reforçam suspeitas lançadas contra ele pelo doleiro Alberto Youssef em sua delação premiada. De acordo com o jornal O Globo, uma ex-deputada peemedebista do Rio de Janeiro, estado de Cunha, fez pressão pública sobre as empresas Samsung e Mitsui, representadas no Brasil pelo executivo Júlio Camargo. Em seu depoimento, o doleiro acusou o presidente da Câmara de receber propina no esquema de desvios da Petrobras por um contrato de aluguel de um navio-plataforma das duas empresas.

Segundo Youssef, a pressão ocorreu por causa de interrupção no repasse dos pagamentos ao PMDB, motivada pela suspensão da comissão paga pelas duas empresas a Camargo. Conforme o doleiro, relata O Globo, Cunha pediu “a uma comissão do Congresso para questionar tudo sobre a empresa Toyo, Mitsui e sobre Camargo, Samsung e suas relações com a Petrobras, cobrando contratos e outras questões”. “Este pedido à Petrobras foi feito por intermédio de dois deputados do PMDB”, acrescentou.

A reportagem do jornal carioca revela que a Mitsui e o executivo Júlio Camargo foram alvos de questionamentos na Câmara no período em que ocorriam os desvios na estatal. Em 2011, a então deputada Solange Almeida (PMDB-RJ), prefeita hoje de Rio Bonito (RJ), apresentou dois requerimentos na Comissão de Fiscalização e Controle solicitando praticamente o que relatou Youssef. O texto dela teve apoio de outro deputado, Sérgio Brito (PSD-BA), que não era do PMDB.

Sob pressão

Segundo o Globo, o primeiro requerimento pediu “ao Tribunal de Contas da União informações sobre auditorias feitas aos contratos do Grupo Mitsui com a Petrobras ou qualquer das suas subsidiárias no Brasil ou no exterior”. O segundo requisitou “ao ministro de Minas e Energia, senhor Edison Lobão, informações e cópia do todos os contratos, aditivos e respectivos processos licitatórios, envolvendo o Grupo Mitsui e a Petrobras e suas subsidiárias no Brasil ou no Exterior”. A reportagem ressalta que a justificativa dos requerimentos era quase a mesma e fazia referências explícitas a Júlio Camargo.

“Vários contratos envolvendo a construção, operação e financiamento de plataformas e sondas da Petrobras, celebrados com o Grupo Mitsui, contêm especulações de denúncias de improbidade, superfaturamento, juros elevados, ausência de licitação e beneficiamento a esse grupo que tem como cotista o senhor Júlio Camargo, conhecido como intermediário. Nesse contexto, requeiro que seja adotada providência necessária por esta douta Comissão, a fim de acompanharmos todo o andamento dos referidos contratos e verificarmos a procedência de tais denúncias”, solicitou a então deputada.

Em resposta na época, o Tribunal de Contas da União (TCU) afirmou que não havia nenhuma fiscalização sobre o caso e que o pedido da parlamentar era vago por não conter as informações mínimas necessárias para averiguação, mostra o jornal.

Segundo o Globo, o doleiro contou que o executivo ficou “bastante assustado” com a ofensiva na Câmara e, “por conta da pressão”, resolveu ele mesmo pagar as vantagens indevidas a Fernando Soares, apontado como intermediário do PMDB no esquema da Petrobras, no valor de R$ 6 milhões.

“Eu não fiz”

Procurado pelo jornal carioca, Eduardo Cunha negou ter conhecimento sobre os requerimentos e disse que não pode ser responsabilizado por atos de outros parlamentares. Ele será investigado no Supremo Tribunal Federal (STF) por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. “Eu só posso afirmar que eu não fiz”, afirmou. O peemedebista disse que é aliado de Solange, mas que a atual prefeita de Rio Bonito é “autônoma” e que os atos de fiscalização fazem parte da competência de um parlamentar.

Ontem o peemedebista disparou contra o governo e a Procuradoria-Geral da República pela inclusão de seu nome na lista dos investigados da Lava Jato. Em entrevista à Folha de S.Paulo, Cunha disse que o governo “quer um sócio na lama”. Ele chamou de “alopragem” e “piada” o pedido de investigação da PGR contra ele.

Veja a reportagem do jornal O Globo

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