Disputa pela presidência da Câmara gera atrito na base

Arlindo Chinaglia e Eduardo Cunha trocaram farpas nesta sexta-feira sobre independência do Legislativo e cargos no governo. Marcada para 1º de fevereiro, eleição ainda tem outro candidato: Júlio Delgado

A menos de um mês para a eleição da nova Mesa Diretora da Câmara, os principais candidatos na disputa começaram a trocar farpas. Arlindo Chinaglia (PT-SP) e Eduardo Cunha (PMDB-RJ) usaram seus espaços para iniciar uma troca de acusações sobre a independência da Casa e a indicação de cargos no governo. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

À frente de apoiadores de partidos como PT, Pros, PCdoB, PR e PP, o petista criticou as declarações de Cunha sobre a necessidade de a Câmara ser altiva. Para Chinaglia, ao defender a altivez e a independência do Legislativo, o peemedebista acaba criticando indiretamente os próprios deputados. Além disso, disse que “não é independente quem indica cargo no governo”.

Cunha retrucou. Lembrou que o advogado Olavo Chinaglia, filho do petista, foi indicado pelo ex-presidente Lula a compor o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) entre 2008 e 2012. Também questionou se o petista colocaria em votação o projeto que derruba o decreto presidencial dos conselhos populares, como Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) fez.

Até o momento, além de Cunha e Chinaglia, o outro candidato à presidência da Câmara é Júlio Delgado (PSB-MG). Lançado como um nome apoiado por parte da oposição - PSB, PSDB, PPS e PV -, busca melhorar seu desempenho em comparação com a eleição passada, quando teve 165 votos. Somadas, as bancadas das legendas que o apoiam têm 105 deputados.

Cunha é tido como favorito. Ele já teve os apoios oficiais de PTB, PSC, SD, PRB e DEM. Juntos, e contando com o PMDB, são 149 deputados a partir de 1º de fevereiro. Cunha, que tem viajado pelo país em atividades de campanha, acredita que vai anunciar o suporte de outras legendas em breve.

Já Chinaglia, que presidiu a Casa no biênio 2007/08 e atualmente é vice-presidente da Mesa Diretora, tem na sua campanha o apoio de  PT, PSD, PCdoB e do Pros. Caso todos os deputados destas legendas votem na eleição, ele teria ao menos 128 votos. O petista ainda negocia com PDT e outros partidos da base.

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