Diretor da Odebrecht diz que deu R$ 800 mil a Cassio Cunha Lima, via caixa dois, na eleição de 2014

Valor foi repassado com a promessa de que, se eleito, o então candidato iria privatizar a companhia de água e esgoto em licitação direcionada para a empreiteira

 

 

Em depoimento a procuradores da Operação Lava Jato, o presidente da Odebrecht Ambiental, Fernando Reis, disse que pagou R$ 800 mil ao vice-presidente do Senado, Cassio Cunha Lima (PSDB-PB), durante a campanha derrotada do parlamentar ao governo da Paraíba. Segundo o executivo, o senador tomou a iniciativa de chamar o diretor da companhia Alexandre Barradas ao seu gabinete no Congresso e pediu o dinheiro pelo caixa 2 para a campanha, em troca de privatizar o sistema de água do Estado caso fosse eleito com licitação direcionada para favorecer o grupo empresarial.

As informações fazem parte do conjunto de depoimentos dos executivos da empreiteira disponibilizados pelo ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, relator da Operação Lava Jato no STF. Reis lembrou no depoimento gravado em vídeo que o contato do senador foi feito com o diretor Eduardo Barbosa que ficou encarregado da negociação.

 

 

Trovador

O repasse do dinheiro foi rapidamente autorizado e entregue. O parlamentar ganhou o apelido de Trovador nas planilhas da contabilidade paralela e ilegal do departamento de Operações Estruturadas da Odebrecht. Com a vitória do govenador Ricardo Coutinho (PSB), a proposta de privatização foi suspensa, apesar do estudo prévio feito pela companhia.

O executivo esclareceu ainda aos procuradores que o dinheiro foi repassado pela Brasken, uma das subsidiárias da companha, para disfarçar o vínculo com a holding Odebrecht no futuro, caso o senador fosse eleito governador e decidisse privatizar a companhia de água e esgoto do Estado com licitação direcionada para favorecer a empreiteira. A privatização da estatal estadual proposta pela empresa seria pelo modelo Parceria Público Privada (PPP) que possibilita a operação dos serviços pela empreiteira vencedora por alguns anos.

Segundo informações da direção da Odebrecht aos procuradores da Lava Jato, a entrega do dinheiro foi feita a Luiz Ricardo Stern, que na ocasião era assessor de Cassio Cunha Lima (AP-02, matricula 307170) e em fevereiro foi nomeado assistente parlamentar do senador na vice-presidência do Senado. O funcionário é amigo de infância do senador. O parlamentar foi líder da bancada tucana no Senado até final do ano passado e na eleição de 2014 tentava voltar ao governo do Estado.

Cassio

Em vídeo divulgado na sua rede social, o senador confirma que recebeu doação eleitoral da Braskem, mas disse que foi de apenas R$ 200 mil. Na resposta ele garante que seu patrimônio é compatível com sua renda e nega que tenha recebido dinheiro de caixa 2 para a sua campanha. O valor, segundo o parlamentar, foi registrado na justiça eleitoral. Nos laudos elaborados pela Polícia Federal, o registro da doação neste valor está na prestação de conta do parlamentar.

 

 

Cunha Lima está sendo investigado pelos crimes de lavagem de dinheiro e enriquecimento ilícito. O ministro Edson Fachin quer saber o que aconteceu com os R$ 600 mil restantes recebidos pelo então candidato. O senador foi governador da Paraíba de 2002 a 2006. Conseguiu ser reeleito e terminou cassado pela justiça eleitoral em dois processos por compra de voto e abuso de poder econômico. Filho do ex-senador Ronaldo Cunha Lima, Cassio é pai do deputado Pedro Cunha Lima (PSDB-PB) e foi prefeito de Campina Grande e aparece nas listas de propina da Odebrecht como aliado histórico da empreiteira.

 

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