Dirceu é denunciado pela terceira vez na Operação Lava Jato

De acordo com o MPF, o ex-ministro de Lula recebeu R$ 2,4 milhões de empreiteiras e gastou boa parte do dinheiro com assessoria e imagem durante o julgamento do mensalão

 

O ex-ministro da Casa Civil José Dirceu foi denunciado pela terceira vez pela força-tarefa da Operação Lava Jato. Dirceu, que foi ministro durante o governo Lula, é acusado de receber propinas das empreiteiras Engevix e da UTC no valor de R$ 2,4 milhões. Os valores teriam sido repassados durante e depois do julgamento do Mensalão. O ex-ministro foi preso na Operação Lava Jato em agosto de 2015, na 17ª fase da operação batizada de "Pixuleco".

O valor, de acordo com a denúncia apresentada nesta terça-feira (2), foi recebido entre os anos de 2011 e 2014 e repassados pelas empreiteiras a partir de contratos com a Petrobras. Segundo a força-tarefa da Operação Lava Jato no Ministério Público Federal (MPF), o valor corresponde a propinas que foram pagas ao ex-ministro decorrente dos crimes de fraude a licitação, cartel e corrupção em benefício das empreiteiras que assinaram contratos milionários com a Petrobras. A denúncia aponta a prática de 33 crimes de lavagem de dinheiro.

Uma boa parte do dinheiro, conforme o MPF, foi utilizado para custear assessoria de imprensa e imagem para o ex-ministro durante o julgamento do Mensalão. No Mensalão, Dirceu foi considerado chefe do esquema de compra de votos de parlamentares para favorecer o então presidente Lula. Por sua participação, na época, foi condenado a 7 anos e 11 meses por corrupção ativa.

Além de Dirceu, na denúncia de hoje, o MPF também ofereceu denúncia contra o irmão dele, Luiz Eduardo de Oliveira e Silva, o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, o ex-executivo da Engevix Gerson de Melo Almada e o ex-executivo da UTC Walmir Pinheiro Santana.

Com essa, o ex-ministro já entra em sua terceira denúncia na Operação Lava Jato. Nas duas primeiras, a condenação de Dirceu chega a 32 anos de prisão. Sua primeira condenação na Lava Jato ocorreu em maio de 2016. Na ocasião, ele foi considerado culpado pelos crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa e condenado a 20 anos e dez meses de reclusão.

Já em sua segunda condenação, em março deste ano, o ex-ministro de Lula foi condenado pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Pela prática dos crimes, a pena imposta foi de 11 anos e três meses de prisão.

Nesta terça-feira (2), a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), responsável pelos julgamentos de casos da Lava Jato, deve analisar o pedido de liberdade feito pela defesa do ex-ministro José Dirceu. A defesa de Dirceu sustenta que o ex-ministro está preso ilegalmente e deve cumprir medidas cautelares diversas da prisão. Os advogados também argumentam que Dirceu não oferece riscos à investigação por já ter sido condenado e a fase de coleta de provas ter encerrado.

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