Dilma: “Sofro a mais devastadora injustiça”

Em seu primeiro discurso após afastamento, Dilma diz que pode ter cometido erros, mas jamais crime. Petista afirma que lutará até o fim para retornar ao Planalto e concluir o mandato

Cercada pelo ex-presidente Lula, ex-ministros, parlamentares e assessores, Dilma Rousseff fez seu primeiro pronunciamento na condição de presidente afastada. Em discurso em que reiterou ser vítima de "golpe" e "sabotagem" e não ter praticado qualquer crime, Dilma disse que lutará com todos os instrumentos legais para retornar ao Palácio do Planalto para concluir seu mandato em 31 de dezembro de 2018.

A petista chamou de “farsa jurídica e política” a decisão do Senado de afastá-la por até 180 dias para que responda a processo por crime de responsabilidade. Segundo ela, o que está em jogo não é o seu mandato, mas o respeito às urnas, à democracia e às conquistas sociais dos últimos 13 anos, desde que o PT chegou ao poder. “É uma das maiores brutalidades contra um ser humano puni-lo por um crime que ele não cometeu. Não existe injustiça mais devastadora do que condenar um inocente. A injustiça é um mal irreparável”, afirmou.

“O que está em jogo é o futuro do Brasil, a esperança de avançar sempre mais. Diante da decisão do senado, quero mais uma vez esclarecer os fatos e denunciar ao país os riscos de um impeachment fraudulento, um verdadeiro golpe”, reforçou.

Confira a íntegra do pronunciamento da, agora, presidente afastada:

Dilma afirmou que foi afastada do mandato por nunca ter se curvado a chantagens. “Essa farsa jurídica de que estou sendo alvo deve-se ao fato de que, como presidente, nunca aceitei chantagem dessa natureza. Posso ter cometido erros, mas não cometi crimes”, declarou.

Após o pronunciamento à imprensa no Salão Leste do Palácio do Planalto, Dilma deixou o prédio pela porta da frente - não desceu a rampa, como vinha sendo cogitado - e repetiu o discurso para o público que se reuniu na frente do local. A presidente afastada foi recebida por movimentos sociais aos gritos de "Dilma guerreira da pátria brasileira" e "No meu país eu boto fé, porque ele é governado por mulher".

"Meu governo tem sido alvo de intensa e incessante sabotagem. O objetivo evidente vem sendo me impedir de governar e, assim, forjar o ambiente propício ao golpe", disse Dilma, que ressaltou que o governo Temer não terá legitimidade para implantar as soluções que o país precisa. "Um governo sem voto não será respeitado", afirmou.

"Quando uma presidenta eleita é cassada sob a acusação de um crime que não cometeu, o nome que se dá a isto no mundo democrático não é impeachment, é golpe", declarou a presidente afastada.

Concluída sua fala, Dilma foi receber os cumprimentos do público. O ex-presidente Lula acompanhou toda a cerimônia mas não se pronunciou. Ao final, ele também recebeu apoio dos manifestantes antes de entrar no carro e seguir no comboio de Dilma em direção ao Palácio da Alvorada, onde a presidente afastada aguardará seu julgamento.

Por meio de suas redes sociais, Dilma divulgou há pouco um vídeo gravado no Palácio do Planalto com o mesmo discurso proferido na manhã de hoje para a imprensa e para  o público do lado de fora do prédio.

Como os senadores votaram o impeachment de Dilma

Mais sobre impeachment

Continuar lendo

Assine e obtenha atualizações em tempo real em seu dispositivo!