Dilma promove mudança em três ministérios

Presidenta dá Secretaria de Aviação Civil para o PMDB e muda os ministros da Agricultura e do Trabalho. Novas mudanças ainda podem ocorrer para contemplar PR e PSD

Depois de reuniões por todo o dia no Palácio do Planalto, a presidenta Dilma Rousseff começou a executar a reforma ministerial vista como estratégica no ano que antecede a corrida presidencial de 2014. Ficou definido que o Ministério da Agricultura continua com o PMDB, mas agora sob o comando do deputado federal Antonio Andrade (MG), presidente da executiva estadual do partido, no lugar de Mendes Ribeiro, que deve reassumir o mandato na Câmara.

Para manter nas mãos do PMDB o comando dessa e de outras pastas – e, no contexto mais amplo, a aliança com o PT em plano nacional –, o vice-presidente da República, Michel Temer, principal líder do partido, reuniu-se com Dilma nesta sexta-feira. No transcorrer da semana, os presidentes do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), também se movimentaram nesse sentido. Reuniões estão em curso no Planalto, mas pendências indicam que podem continuar na próxima semana.

Também ficou definido que o atual ministro de Assuntos Estratégicos, o peemedebista e ex-governador do Rio de Janeiro (1987-1990) Moreira Franco, passa a chefiar a Secretaria de Aviação Civil, pasta que estava ocupada por Wagner Bittencourt, técnico do setor sem filiação partidária. Assim, o PMDB ganha mais um ministério, uma das formas encontradas pelo governo para fidelizar o apoio do partido para a disputa eleitoral de 2014 – decretada a vacância na pasta de Assuntos Estratégicos, Dilma a ofereceu a Mendes Ribeiro, que recusou a oportunidade e também deve retornar à Câmara. Cabe agora ao PMDB indicar um de seus nomes de confiança. Lideranças da sigla ainda não decidiram quem vai substituir o interino no ministério, o secretário-executivo Roger Leal.

O Planalto fez ainda um movimento de reaproximação com PDT, que comanda o Ministério do Trabalho. A presidenta vai nomear o secretário-geral e um dos fundadores da legenda, Manoel Dias, no lugar do deputado fluminense Brizola Neto. A relação entre o partido e a presidenta estremeceu depois de demissão, em 2011, do então titular da pasta, o presidente nacional da legenda, Carlos Lupi, exonerado depois de denúncias de envolvimento em “malfeitos” intoleráveis por Dilma.

A posse dos três ministros está prevista para as 10h deste sábado. Mas a própria presidenta Dilma não acompanhará as solenidades, uma vez que vai viajar a Roma para participar, na próxima terça-feira (19), da missa inaugural do pontificado do Papa Francisco, escolhido em conclave encerrado na última quarta-feira (13). A informação consta da nota à imprensa divulgada pela Presidência da República.

Base móvel

Dois dos mais rebeldes partidos da base aliada, PR e PSD, ainda esperam conquistar seus respectivos quinhões na Esplanada dos Ministérios. No caso do PR, reconquistar: depois da demissão, em 2011, do senador Alfredo Nascimento (AM), o partido quer continuar à frente do Ministério dos Transportes, onde não se sente representado pelo ex-secretário-executivo, Paulo Sérgio Passos, que é filiado à legenda e foi efetivado na função depois de um período de interinidade em meio à crise na pasta.

Tanto o PR quanto o PSD, recentemente alinhado ao governo Dilma, podem vir a ocupar o Ministério do Desenvolvimento Econômico, hoje ocupado por Fernando Pimentel. Como Lupi e Alfredo Nascimento, ele também foi alvo de denúncias de corrupção, mas Dilma o blindou e o manteve em suas funções. Por enquanto, a situação de Pimentel não muda.

Em relação ao PSD, liderado pelo ex-prefeito de São Paulo Gilberto Kassab, há uma questão curiosa. Dilma pode oferecer a recém-criada Secretaria da Micro e Pequena Empresa a Guilherme Afif Domingos, correligionário de Kassab, mas avisada de que o partido não pleiteou o espaço.  O próprio Kassab, presidente do PSD, disse a Dilma que o partido criado em 2011 não comporia a base aliado do governo até 2014 – quando se espera a reeleição da petista –, de forma que não haveria sentido pleitear espaço na equipe ministerial. Nesse sentido, Afif estaria na cota pessoal da presidenta, mas não como uma conta já paga pelo Planalto ao PSD.

A conta do PSD ainda estaria por vir, segundo esse raciocínio. Sem se contentar com uma pasta considerada periférica, Kassab poderia depois, principalmente às vésperas da campanha eleitoral de 2014, condicionar o apoio a Dilma ao atendimento de uma demanda mais expressiva. Em nome da “coerência” de só apoiar um governo em cuja campanha tenha trabalhado como aliado, Kassab pode valorizar mais à frente o apoio da quarta maior bancada no Congresso (49 deputados e dois senadores).

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