Dilma não participará de festa do PT e diz que não governa só para o partido

Em viagem ao Chile, presidente confirmou que não irá participar da festa de aniversário de 36 anos do partido. "Eu não governo só para o PT. Eu governo para os 204 milhões de brasileiros", declarou

A presidente Dilma Rousseff confirmou que não irá participar da festa de aniversário de 36 anos do PT, na noite de hoje (27) no Rio de Janeiro. Em viagem ao Chile, Dilma disse que gostaria de ir ao evento, mas não será possível dada a distância de quatro horas de voo entre os dois países. A presidente avisou ao partido que não iria comparecer à comemoração e, entrevista a jornalistas chegou a dizer que não governa só para o PT.

“Eu governo para os 204 milhões de brasileiros. Eu não governo só para o PT, só para o PSD, só para o PDT, só para o PTB ou só para o PMDB. Eu tenho que governar olhando todos os interesses. E como o nome diz, o partido é sempre uma parte”, disse Dilma.

Com a desfeita, a presidente dá mais um sinal de que as relações com o partido não andam nada bem. Além da ausência na festa, outros episódios vêm sinalizando o descompasso entre ambos. Dilma não quis participar da propaganda partidária veiculada na última terça-feira (23) e insiste na importância da aprovação da CPMF e da reforma da Previdência para ajudar a equilibrar as contas do governo. O PT até aceita a CPMF de volta, por outro lado, é contrário a uma reforma da Previdência e encarou como derrota a aprovação no Senado do projeto de lei que acaba com a exigência de participação da Petrobras no pré-sal – matéria apoiada pelo governo. Ontem (26) membros executivos do PT se reuniram e divulgaram um documento com duras críticas ao plano de ajuste fiscal implementado pelo Palácio do Planalto.

Apesar das crescentes divergências, Dilma disse que não há mágoas e que “cada um tem a sua verdade”. “Nós vivemos numa democracia, o governo é uma coisa, os partidos são outra. Em que pesem eles serem a base, muitas vezes eles divergem. Isso é normal e tem que ser encarado com normalidade. Eu sempre pedirei apoio e conto com o apoio deles. Um partido é um partido, um governo é um governo”, declarou aos jornalistas.

Durante a visita ao Chile, Dilma participou de reuniões com empresários e almoçou com a presidente Michele Bachelet. Antes de retornar ao Brasil ela ainda deverá se encontrar com economistas da Comissão Econômica para a América Latina e Caribe (Cepal).

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