Dilma fez parte de “organização terrorista”, diz Ustra

Em depoimento na Comissão da Verdade, coronel reformado Carlos Alberto Brilha Ustra afirmou que a presidenta participou de organizações que pretendiam implantar o comunismo no país

Em depoimento à Comissão Nacional da Verdade nesta sexta-feira, o coronel reformado Carlos Alberto Brilhante Ustra, primeiro brasileiro condenado por tortura pela Justiça, causou polêmica ao defender as medidas de força adotadas pela ditadura que existiu no país entre 1964 e 1985  e fazer acusações contra quem se engajou na luta armada contra o regime militar.

Brilhante Ustra chefiou em São Paulo, entre setembro de 1970 e janeiro de 1974, o Destacamento de Operações de Informações - Centro de Operações de Defesa Interna (DOi-Codi) do Exército, órgão que unificou a repressão contra os adversários da ditadura e que acumula acusações de práticas ilegais, como tortura e assassinatos.

Referindo-se à conhecida militância da presidenta Dilma Rousseff em organizações de esquerda que enfrentaram o regime militar, Ustra disse que ela integrou "organizações terroristas". E rejeitou a possibilidade de participar de acareações com presos políticos torturados durante a ditadura.

Segundo o militar, a intenção dos grupos dos quais fez parte Dilma era fazer do Brasil um país comunista. Brilhante Ustra defendeu a atuação dos militares naquele período e afirmou que se as Forças Armadas não tivessem assumido o controle, o país passaria por uma "ditadura do proletariado".

“Ela pertenceu a quatro organizações terroristas que tinham isso, de implantar o comunismo no Brasil”, destacou.  Entre eles, o Comando de Libertação Nacional (Colina), a Política Operária (Polop) e a Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR-Palmares). Dilma chegou a ser condenada por "subversão" e foi por presa por três anos, entre os anos de 1970 e 1972.

Brilhante Ustra ressaltou que cumpria ordens ao realizar prisões e inquéritos de presos políticos e que entregou à comissão um documento com 600 páginas explicando todo o procedimento.  O militar reformado reforçou estar de consciência tranquila. “Nunca ocultei cadáver, nunca cometi assassinatos, sempre agi dentro da lei e da ordem. Nunca fui um assassino, graças a Deus nunca fui." Para ele, seria o Exército quem deveria depor na comissão. “Quem tem que estar aqui é o Exercito Brasileiro, que assumiu por ordem do presidente da República, a ordem de combater o terrorismo, eu cumpri todas as ordens, ordens legais”.

Durante o depoimento, que foi aberto à imprensa e ao público, o presidente da Comissão Nacional da Verdade, Cláudio Fonteles, várias vezes contestou declarações de Ustra citando documntos produzidos pela própria ditadura. Em clima tenso, Ustra desqualificou as informações que o apontam como torturador e assassino de presos políticos e reiterou o seu apoio a todas as táticas utilizadas pelos governos militares no enfrentamento dos seus opositores.


Veja mais sobre o depoimento de Brilhante Ustra nos jornais deste sábado

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