Dilma: EUA espionaram Petrobras por interesse econômico

Para a petista, denúncia é incompatível com a convivência democrática entre "países amigos". Em nota, Petrobras garante que seus dados são protegidos contra ataques virtuais

A presidenta Dilma Rousseff divulgou nota nesta segunda-feira (9) afirmando que eventual espionagem do governo dos Estados Unidos na Petrobras foi motivada por “interesses econômicos e estratégicos”, e não por questão de segurança ou de combate ao terrorismo. Reportagem veiculada ontem (8) no programa Fantástico, aponta que a petrolífera foi alvo de espionagem pela Agência Nacional de Segurança (NSA) dos EUA.

A petista prometeu tomar as providências cabíveis no caso. “Tais tentativas de violação e espionagem de dados e informações são incompatíveis com a convivência democrática entre países amigos, sendo manifestamente ilegítimas. De nossa parte, tomaremos todas as medidas para proteger o país, o governo e suas empresas”, afirma a nota presidencial.

Por sua vez, a Petrobras também divulgou nota por meio da qual afirma tomar todas as precauções tecnológicas para evitar esses tipos de ataques.  “A companhia executa, de forma consistente, todos os procedimentos identificados e reconhecidos como melhores práticas de mercado na proteção de sua rede interna e de seus dados e informações”.

CPI no Senado

A senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), presidente da CPI da Espionagem, afirmou hoje que o jornalista americano Glenn Greenwald deverá ser um dos primeiros a serem ouvidos sobre a espionagem americana contra o Brasil. O colegiado definirá amanhã o cronograma de trabalho.Ela criticou a nota do governo americano que considera a espionagem contra a Petrobras necessária para antecipar crises financeiras internacionais. “Não há nada, absolutamente nada, que justifique a forma como o governo americano age contra o Brasil e contra vários outros países do mundo”, afirmou a parlamentar à Agência Senado.

Íntegra da nota de Dilma

Mais uma vez, vieram a público informações de que estamos sendo alvo de mais uma tentativa de violação de nossas comunicações e de nossos dados pela Agência Nacional de Segurança dos EUA. Inicialmente, as denúncias disseram respeito ao governo, às embaixadas e aos cidadãos – inclusive a essa Presidência. Agora, o alvo das tentativas, segundo as denúncias, é a Petrobras, maior empresa brasileira.

Sem dúvida, a Petrobras não representa ameaça à segurança de qualquer país. Representa, sim, um dos maiores ativos de petróleo do mundo e um patrimônio do povo brasileiro.Assim, se confirmados os fatos veiculados pela imprensa, fica evidenciado que o motivo das tentativas de violação e de espionagem não é a segurança ou o combate ao terrorismo, mas interesses econômicos e estratégicos.

Por isso, o governo brasileiro está empenhado em obter esclarecimentos do governo norte-americano sobre todas as violações eventualmente praticadas, bem como em exigir medidas concretas que afastem em definitivo a possibilidade de espionagem ofensiva aos direitos humanos, a nossa soberania e aos nossos interesses econômicos.Tais tentativas de violação e espionagem de dados e informações são incompatíveis com a convivência democrática entre países amigos, sendo manifestamente ilegítimas. De nossa parte, tomaremos todas as medidas para proteger o país, o governo e suas empresas.

Íntegra da nota da Petrobras

ESCLARECIMENTOS SOBRE A REDE DE COMPUTADORES DA PETROBRAS

Com relação às reportagens publicadas nos últimos dias, apontando a PETROBRAS como alvo de ações de inteligência pela Agência Nacional de Segurança dos Estados Unidos - NSA, a PETROBRAS informa que dispõe de sistemas altamente qualificados e permanentemente atualizados para a proteção de sua Rede Interna de Computadores (RIC).

A Companhia executa, de forma consistente, todos os procedimentos identificados e reconhecidos como melhores práticas de mercado na proteção de sua rede interna e de seus dados e informações.

O trafego na RIC e o fluxo de dados entre a RIC e o ambiente externo (rede mundial de computadores) são monitorados permanentemente pela PETROBRAS.Como exemplo, em média, noventa por cento das mensagens externas de correio recebidas pela PETROBRAS são descartadas por apresentarem características potencialmente danosas. Tais características poderiam ter, eventualmente, possibilitado algum tipo de acesso a dados da PETROBRAS.

Ressalta-se, no entanto, que os dados constantes dos arquivos da Companhia são continuamente atualizados à medida que as centenas de projetos têm andamento.

A força de trabalho da PETROBRAS é permanentemente alertada, por meio de programas internos, para a importância da classificação correta das informações e de seu tratamento. As informações internas são classificadas e tratadas com soluções tecnológicas, como criptografia, adequadas aos níveis de proteção associados ao risco de prejuízos para a PETROBRAS, em caso de eventual vazamento de informação.Os investimentos da Petrobras em tecnologia da informação e telecomunicações são compatíveis com o seu Plano de Negócios e Gestão e com os das demais empresas de mesmo porte do setor de petróleo no mundo.

Ataques concorrenciais e outros se tornam cada vez mais complexos, o que continuará a exigir da Petrobras investimentos permanentes e significativos em tecnologia de proteção a dados e informações.

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