Dilma quer explicações de Novais para tomar “medidas cabíveis”

Presidenta diz que vai tomar decisão de “forma muito tranquila”. Líder do PMDB na Câmara afirma que saída depende do próprio ministro, acusado de usar dinheiro público para pagar governanta e motorista

A presidenta Dilma Rousseff disse hoje (14) que vai cobrar explicações do ministro do Turismo, Pedro Novais, para tomar as “medidas cabíveis de forma muito tranqüila”. Novais é acusado de ter usado dinheiro público para pagar o salário de uma governanta e de um motorista particular.

Dilma chegou a Brasília esta manhã da capital paulista, onde teve compromissos políticos ao lado do governador Geraldo Alckmin (PSDB). “Primeiro, a gente pede as explicações cabíveis. Estou voltando hoje de São Paulo, nós vamos encaminhar isso. Avaliar qual é a situação e aí tomar as medidas cabíveis de forma muito tranquila”, declarou a presidenta.

O ministro discute com sua equipe um eventual pedido de demissão. Após reunir a bancada para tratar da situação do companheiro de legenda, o líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), disse que a decisão de deixar ou não o ministério cabe exclusivamente a Pedro Novais. “O sentimento de deixar ou não o cargo deve partir dele. Não é prática do PMDB abandonar ninguém no momento de dificuldade”, afirmou. Até ontem, Henrique Eduardo dizia que o ministro estava “firme e forte” no cargo.

Reportagem publicada nesta quarta-feira pela Folha de S. Paulo revela que a mulher do ministro utiliza um funcionário da Câmara como motorista particular. O funcionário estava lotado no gabinete do deputado Francisco Escórcio (PMDB-MA), aliado político de Novais, mas já trabalhou para Pedro Novais, que é deputado licenciado. O jornal já havia mostrado ontem que a Câmara pagava o salário da governanta que cuida do apartamento do ministro em Brasília.

Há pouco mais de um mês, a Polícia Federal prendeu 36 pessoas na Operação Voucher após constatar fraudes em convênio do ministério. Entre os presos, estava o secretário-executivo, Frederico Costa, número 2 do Turismo. Aliado de Henrique Eduardo Alves, ele perdeu o cargo após a denúncia.

Histórico

Antes mesmo de assumir a pasta, no início do ano, Pedro Novais já havia sido acusado de ter usado verba da Câmara para pagar festas em um motel de São Luís. No Ministério do Turismo, o deputado licenciado mostrou seu poder de fogo antes mesmo de ser empossado, conforme revelou o Congresso em Foco. Apenas nos quatro últimos dias de 2010, o ministério garantiu o repasse de R$ 32 milhões para obras de infraestrutura no estado natal dele, o Maranhão. Parte desses recursos foi remanejada de emendas parlamentares que tiveram o empenho cancelado de última hora.

Dos 18 municípios contemplados no Maranhão, 16 eram comandados por prefeitos aliados da governadora Roseana Sarney (PMDB) e que apoiaram a reeleição da filha do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), um dos fiadores da indicação de Novais para o ministério. Em 11 deles, Novais foi reeleito deputado com mais de 20% dos votos válidos.

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