Dilma é “ingrata”, diz FHC, em ataque ao PT

Tucano sobe o tom contra a presidenta da República após ela ter dito que país não herdou nada da gestão dele. Leia ainda: Renan afirma que estaria em protestos que pedem sua saída da presidência do Senado se ainda fosse jovem; ex-assessor reforça denúncias contra Chalita, que cobra provas

Folha de S. Paulo

Dilma é "ingrata", diz FHC, em ataque ao PT

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso chamou ontem de "ingrata" a presidente petista Dilma Rousseff, disse que ela "cospe no prato que comeu" e acusou o PT de ter "usurpado" propostas tucanas após chegar ao poder em 2003.

As declarações foram feitas ao lado do senador Aécio Neves (MG), virtual candidato do PSDB à Presidência em 2014, durante seminário para discutir os rumos do partido, em Belo Horizonte.

O ataque de FHC sobe o tom das provocações que petistas e tucanos iniciaram na semana passada, quando Dilma foi lançada à reeleição pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na festa em que o PT comemorou os 10 anos de sua chegada ao poder.

Questionado sobre o discurso de Dilma no evento, em que a presidente afirmou não ter herdado "nada" da gestão tucana, Fernando Henrique afirmou: "O que é que a gente pode fazer quando a pessoa é ingrata? Nada. Cospe no prato que comeu. Meu Deus".

No início de seu governo, há dois anos, Dilma reconheceu avanços nos governos tucanos e fez demonstrações públicas de apreço pelo ex-presidente, que retribuiu fazendo elogios à sucessora.

A antecipação das discussões sobre a sucessão presidencial fez os dois adotarem tom diferente agora. Petistas e tucanos veem a polarização entre eles como uma arma eficaz para mobilizar as bases de seus partidos.

Aécio Neves ainda não assumiu publicamente sua intenção de se candidatar à Presidência, mas trabalha para assumir a presidência do PSDB em maio. Ontem, FHC disse que os dois irão percorrer o Brasil "rumo à vitória".

O ex-presidente acusou o PT de se apropriar de ideias tucanas após chegar ao poder. "Quem não tem projeto é quem está no governo, porque eles pegaram o nosso. O que aconteceu no Brasil foi uma usurpação de projeto."

'Vamos apresentar um projeto para 20 anos', diz Aécio

Terminou em clima e com discurso de campanha o seminário que o PSDB promoveu ontem, em Belo Horizonte, com FHC e o senador Aécio Neves (PSDB-MG).

O senador, que tem sido econômico nas menções a uma possível candidatura à Presidência, deixou o auditório dizendo que vai apresentar "um projeto para os próximos 20 anos do Brasil".

"O PT optou por comemorar seus dez anos no governo olhando pelo retrovisor. Nós vamos apresentar um projeto para os próximos 20 anos do Brasil", declarou, cercado por militantes aos gritos de "Aécio presidente".

Na semana passada, ele criticou o que chamou de "antecipação da campanha" -no evento de comemoração dos 10 anos do PT no poder, Lula lançou Dilma à reeleição.

Após críticas de Ciro a Campos, PSB nega racha

Para estancar a crise causada pelas críticas que o ex-ministro Ciro Gomes fez ao governador de Pernambuco e possível candidato do partido à Presidência, Eduardo Campos, o PSB adotou o discurso de que suas declarações foram um fato isolado e não representam um racha na legenda.

No fim de semana, Ciro disse a uma rádio cearense que Campos, presidente do PSB, "não tem estrada" e não tem "nenhuma proposta, nenhuma visão" para o país.

Ontem, após uma palestra no Recife, o governador pernambucano disse não querer polemizar, mas reduziu a importância das declarações de Ciro. "Discordo da opinião dele. Essa não é a opinião do partido. Só isso", declarou.

O mesmo tom foi adotado por outros dirigentes do PSB, que atribuíram as críticas à conhecida "metralhadora giratória" de Ciro e ressaltaram que ele atacou ainda o senador Aécio Neves (PSDB-MG) e a ex-ministra Marina Silva, igualmente presidenciáveis.

PMDB do Rio ameaça abandonar presidente se PT lançar Lindbergh

Para impedir a candidatura do senador Lindbergh Farias (PT), o PMDB do Rio ameaçou abandonar o apoio à candidatura à reeleição da presidente Dilma Rousseff.

Nota divulgada ontem pela presidência estadual da sigla afirma que o palanque duplo "não se sustenta". O PT do Rio defende a candidatura de Lindbergh para a sucessão do governador Sérgio Cabral (PMDB). O PMDB quer o vice-governador Luiz Fernando Pezão na cabeça da chapa com apoio dos petistas.

"É dever da Direção Nacional defender o seu principal Estado em termos de votos. Vai caber a Direção Nacional do PMDB dizer à Direção Nacional do PT o seguinte: se a tese de continuidade no plano nacional prevalece, tem que prevalecer no Rio. Se o PT nacional achar que pode abrir mão do PMDB do Rio, não terá nosso apoio evidentemente", disse Jorge Picciani, presidente do PMDB-RJ.

Renan diz que, se fosse jovem, também estaria no protesto contra ele

Em entrevista ontem a uma rádio de Maceió (AL), o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) afirmou que, se fosse estudante, também teria assinado manifesto pela saída dele da presidência do Senado.

Calheiros considerou natural a realização de manifestações em várias cidades, no domingo, contra a volta dele à presidência do Congresso.

"Na minha juventude, participei muito dessas manifestações como líder estudantil. Você tem duas maneiras de fazer política: uma delas é protestando, cobrando das autoridades determinadas posições. Se a manifestação de domingo tivesse ocorrido em 1978/79, com certeza eu estaria nela", disse o senador.

Calheiros disse ter interpretado as manifestações como "uma mensagem", sobretudo da juventude, para que seja um presidente cada vez melhor no Senado. "Pois esta é a terceira vez que ocupo o cargo", afirmou.

Para ele, sempre surge "certa insatisfação" quando "um nordestino ocupa um cargo importante na República". O Legislativo, disse, atualmente tem dois nordestinos em cargos-chave. Ele, alagoano, como presidente do Senado, e Henrique Eduardo Alves, do PMDB do Rio Grande do Norte, na presidência da Câmara dos Deputados.

O senador prometeu para o dia 19 do próximo mês a votação dos novos critérios para distribuição do Fundo de Participação dos Estados.

Manifestantes voltam a pedir a saída de Renan
Onda de protestos contra Renan ganha as ruas
Editorial: a rendição do Congresso ao chiqueiro da política

Fux diz que vai manter sua decisão sobre vetos

O ministro do Supremo Tribunal Federal Luiz Fux disse ontem que não vai rever sua posição sobre a obrigatoriedade do Congresso analisar os mais de 3.000 vetos presidenciais em ordem cronológica -o STF jugará o caso amanhã. Ministros ouvidos dizem que a corte deve atender ao pedido da Advocacia-Geral da União para que a votação seja cronológica a partir de uma determinada data.

Tudo sobre royalties

Acusador de Chalita diz ter visto 'malas de dinheiro'

O analista Roberto Leandro Grobman, 41, afirmou em entrevista à Folha ter presenciado a chegada de malas de dinheiro ao apartamento do deputado federal Gabriel Chalita (PMDB-SP) em 2005, quando ele era secretário da Educação de São Paulo.

As malas, diz ele, foram levadas ao apartamento pela advogada Marcia Alvim, uma das principais assessoras de Chalita. Na época, Grobman mantinha relacionamento com ela. "Vi Marcia trazendo malas de dinheiro. Jogava o dinheiro no chão e separava."

A Folha revelou no sábado que o Ministério Público instaurou 11 inquéritos para investigar Chalita por enriquecimento ilícito, corrupção e fraude em licitação a partir de depoimentos de Grobman.

Ele diz que era assessor informal de Chalita na secretaria, com telefone, e-mail e cartão do Estado. Apresentou fotos de viagem oficial que fez com Chalita e Marcia a Paris, para evento da Unesco.

Versão relatada é falsa, afirma deputado

A assessoria de Gabriel Chalita diz que é falsa a informação de que uma assessora do deputado, Marcia Alvim, recebia dinheiro em malas. Em nota, Chalita diz que Roberto Grobman não apresentou esse dado nos depoimentos que deu aos promotores.

Segundo a nota, "isso mostra que esse senhor está desesperado, já que não apresentou nenhuma prova nos quatro depoimentos já prestados. Ele será processado civil e criminalmente por mais essa acusação".

Chalita diz na nota que Grobman é "um homem que possui inúmeros processos que somam centenas de milhares de reais e parece movido por interesses econômicos e manobrado por gente da política acostumada a fabricar dossiês".

O Globo

Repressão com nome e RG

A menos de três meses de completar seu primeiro ano de funcionamento, a Comissão Nacional da Verdade apresentou balanço de seus trabalhos e anunciou ter identificado "várias dúzias" de integrantes da repressão. São militares, policiais e até civis que atuaram durante a ditadura. Segundo a comissão, algumas dessas pessoas já foram ouvidas e outras ainda serão convocadas. Quem se recusar a comparecer poderá ser processado por desobediência.

Até agora, já foram tomados 40 depoimentos pela Comissão da Verdade. Desses, 15 eram de agentes da repressão. A comissão não detalhou a atuação desses agentes durante a ditadura.

O balanço dos trabalhos ocorreu durante um encontro com representantes de comitês da verdade, memória e justiça dos estados.

- Já identificamos várias dúzias, não foram duas ou três, de membros da repressão. Com nome, RG e endereço - disse Guaracy Mingardi, que assessora o grupo coordenado pelo advogado José Paulo Cavalcante, um dos integrantes da comissão.

Pelo entendimento do Supremo Tribunal Federal, agentes que torturaram durante a ditadura não podem mais ser alvo de processo, porque foram beneficiados pela Lei da Anistia.

Número de casos de dengue quase triplica no país em 2013

Do inicio de janeiro até o dia 16 deste mês foram registrados 204.650 casos de dengue no país, conforme levantamento divulgado ontem pelo Ministério da Saúde - num aumento de 190% em relação ao mesmo período do ano passado, quando foram notificados 70.489 casos. Ou seja, os casos quase triplicaram em 2013.

Entre os estados com os mais altos índices de expansão da doença estão Mato Grosso do Sul, com crescimento de 4.757%, Paraná, 3.235%, e Minas Gerais, com 841%. Pelos dados do ministério, 84,6% dos casos estão concentrados em apenas oito estados, entre eles o Rio de Janeiro.

No Rio, porém, houve uma queda de 10% em relação ao mesmo período de 2012. Em janeiro e na primeira quinzena de fevereiro foram anotados 14.838 casos; no mesmo período de 2012, 16.398 casos.

PMDB ameaça PT e diz que Dilma não terá palanque duplo no Rio

O PMDB e o PT decretaram guerra ontem no Rio. Em nota divulgada pela manhã, os peemedebistas afirmaram ser contra um palanque duplo para a presidente Dilma Rousseff e deixaram claro o tom de ameaça caso os petistas não apoiem o nome do vice-governador Luiz Fernando Pezão para o governo. A nota ressalta que "não há hipótese de ele não ser candidato". O senador Lindbergh Farias, que não abre mão de disputar pelo PT a sucessão do governador Sérgio Cabral, do PMDB, reagiu e partiu para o ataque.

PT e PMDB são aliados nos governos federal e estadual. O presidente regional do PMDB, Jorge Picciani, deixou claro que, para o comando do partido no estado, as duas alianças estão ligadas:

- Apoiamos Dilma há quatro anos porque reconhecemos que ela seria a continuidade do bom governo do ex-presidente Lula. Queremos que o PT compreenda e apoie Pezão porque ele é a continuidade do bom governo do Cabral. Hoje, apoiamos a chapa Dilma e (Michel) Temer. Mas, se não tivermos o apoio a Pezão do PMDB e do PT nacional, não conte com a gente do PMDB do Rio - disse Picciani em entrevista ao GLOBO.

Raupp afirma que iniciativa peemedebista é legítima

O senador Valdir Raupp, primeiro vice-presidente da Executiva Nacional do PMDB, disse ontem que o candidato do partido no Rio ao governo do estado será o vice-governador Luiz Fernando Pezão. Segundo ele, a intenção é ter candidatura própria, em 2014, em quase todos os estados.

- Atualmente, o PMDB já tem 20 pré-candidatos aos governos estaduais. No Rio, teremos candidatos próprios, independente se o PT terá um candidato ou não. Agora, se PMDB quer o Pezão, será ele o candidato - disse Raupp, lembrando que a nota do PMDB é "legítima".

O documento foi divulgado na semana em que o senador Lindbergh Farias inicia a "Caravana da Cidadania", projeto em que ele percorrerá municípios do estado do Rio para participar de encontros com moradores, assim como fez Lula na década de 1990 pelo país. O primeiro local será Japeri, na Baixada Fluminense, nesta sexta-feira.

Ciro ataca Eduardo Campos e racha PSB

O PSB vive um clima de racha interno desde o último fim de semana, quando o ex-ministro Ciro Gomes criticou as pré-candidaturas ao Palácio do Planalto do presidente do seu partido, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, do senador Aécio Neves (PSDB-MG) e da ex-senadora Marina Silva, que está estruturando uma nova sigla, a REDE. Na entrevista, Ciro disse que a presidente Dilma Rousseff é a favorita em 2014. Ontem, em resposta, Campos desautorizou Ciro e afirmou que, no PSB, assuntos como esse devem ser debatidos internamente e nas instâncias adequadas.

- Os pré-candidatos Eduardo Campos, Aécio Neves e Marina Silva não têm nenhuma proposta, nenhuma visão para o Brasil. Isso é o que preocupa - afirmou Ciro, em entrevista no último domingo à Rádio Verdes Mares, do Ceará. - O meu presidente, Eduardo Campos, não tem estrada ainda. Não conhece o Brasil. Aécio Neves não conhece o Brasil. Marina Silva não representa rigorosamente nada

Ontem, o vice-presidente do PSB, Roberto Amaral, emitiu nota rebatendo Ciro. "Eduardo Campos sintetiza o pensamento acumulado pelo PSB, que, desde 1985, data de sua reorganização, vem estudando o país e formulando programas de governo. Pelo menos teoricamente, Ciro Gomes conhece os documentos do seu partido".

Mais de 30 dias depois da inauguração, apenas pedreiros circulam por hospital

Com uma barriga de quase sete meses, Diana Torres Matos, de 27 anos, assistiu com o marido ao show que Ivete Sangalo fez no último 18 de janeiro em comemoração ao que seria a inauguração do Hospital Regional Norte, em Sobral, no interior do Ceará. Deixou de lado o cansaço que teve durante a gestação para dançar. Saiu da apresentação feliz e voltou para a casa de três cômodos, perto do hospital. Menos de uma semana depois, a pressão subiu muito e ela teve de ser internada às pressas com sinais de pré-eclâmpsia na Santa Casa da cidade.

Por um momento, Diana pensou que usaria as instalações novinhas em folha. Mas, ao ser levada de carro para a Santa Casa, viu que o hospital ainda estava em obras. No dia do show de Ivete, autoridades foram ao local comemorar a entrega da unidade.

Internada, ela soube que as condições da UTI neonatal para onde foi levada eram precárias. Diana teve um parto complicado. O pequeno Jonas não resistiu e morreu menos de 24 horas após nascer. Meias, macacões e touquinhas de diversas cores estão guardados num dos armários sem porta de seu quarto. O berço e o guarda-roupa ela conseguiu devolver para a loja. Ao lembrar o rosto do menino, Diana chora.

Comissão de Ética pede explicações a Adams sobre pareceres

A Comissão de Ética Pública da Presidência da República decidiu ontem pedir explicações ao ministro Luís Inácio Adams, da Advocacia-Geral da União (AGU), sobre possíveis irregularidades na aprovação de pareceres e decisões do órgão. Os atos sob suspeita estão relacionados à Operação Porto Seguro, deflagrada pela Polícia Federal em novembro e que desarticulou um esquema de venda de pareceres técnicos envolvendo órgãos federais. A comissão ainda decidiu pedir informações ao corregedor-geral da AGU, Ademar Passos Veiga.

Segundo o presidente da comissão, Américo Lacombe, ainda não foi aberto processo administrativo contra os dois.

- Mandei intimar todo mundo para que prestem informações. A ele (Adams), ao corregedor, porque uma das denúncias é que o corregedor fez corpo mole, não tinha independência para verificar (irregularidades). Pedimos informações. Só isso. Quando vierem, decidimos se abrimos (processo administrativo).

REDE de Marina atrai nomes do PSOL envolvidos com Cachoeira

Um vereador e um dirigente nacional do PSOL envolvidos no escândalo do bicheiro Carlinhos Cachoeira participaram do ato público que marcou o lançamento da Rede Sustentabilidade (REDE), em Brasília, no último dia 16: o vereador de Goiânia Elias Vaz e o segundo secretário de Relações Internacionais do PSOL, Martiniano Cavalcante. O novo partido da ex-senadora Marina Silva está em fase de coleta de assinaturas.

Elias Vaz aparece em conversas telefônicas degravadas para a Operação Monte Carlo e frequentou a chácara do bicheiro em Anápolis (GO). Martiniano Cavalcante recebeu um depósito de R$ 200 mil de uma das empresas-fantasmas do esquema, a Adécio e Rafael Construções, abastecida pela Delta Construções. O Conselho de Ética do PSOL abriu dois procedimentos para investigar a atuação dos militantes.

No lançamento da REDE, que precisa de mais de 500 mil assinaturas para ser criada, Martiniano defendeu a ética, criticou caciques da política nacional que seriam fichas-sujas e comemorou a assinatura do senador Eduardo Suplicy (PT-SP) como sendo a primeira coletada para a criação da legenda. Já Elias Vaz estava acompanhado de outros filiados ao PSOL interessados em ingressar na REDE.

O depósito de R$ 200 mil a Martiniano, a partir de uma conta da Adécio e Rafael, foi feito em 20 de dezembro de 2011. Depois da deflagração da Operação Monte Carlo pela Polícia Federal, em 29 de fevereiro de 2012, o dirigente do PSOL - ele é presidente da sigla em Goiás - passou a ser cobrado pela mulher do bicheiro, Andressa Mendonça, que também é investigada pela PF. Um cheque nominal a Andressa, no valor de R$ 220.816,00, foi depositado na conta dela depois da ação da PF.

- É um dinheiro que tomei com agiota e paguei juros. Claro que sabia que era do Cachoeira, mas isso não é crime - disse Martiniano.

O dirigente do PSOL tem uma empresa de construção civil e afirma não ter feito negócio ilícito com Cachoeira.

Tudo sobre o caso Cachoeira

Defesa de Dirceu pede ao STF acesso a votos

A defesa do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) para ter acesso aos votos escritos dados pelos ministros no julgamento do mensalão, antes que o material seja publicado no acórdão. Segundo os prazos do STF, o acórdão será publicado até 1º de abril.

Acórdão é um resumo das decisões tomadas ao longo do julgamento, que durou quatro meses e meio. Só após a publicação desse documento, os réus condenados poderão entrar com recursos no STF. Apontado como mentor do mensalão, Dirceu foi condenado a dez anos e dez meses de prisão e multa de R$ 676 mil por formação de quadrilha e corrupção ativa.

Semana passada, o relator do processo do mensalão e presidente do STF, ministro Joaquim Barbosa, enviou ofício aos demais ministros informando que terminou de revisar seu voto e que também redigiu a ementa do acórdão (o resumo do julgamento). Segundo o STF, outros quatro ministros já entregaram seus votos revisados: Gilmar Mendes, Marco Aurélio Mello, Ayres Britto e Cezar Peluso. Os dois últimos se aposentaram antes do fim do julgamento.

Tudo sobre o mensalão

FH afirma que Dilma é ingrata: 'Ela cospe no prato em que comeu'

m novo ataque ao PT, a quem acusou de não reconhecer os avanços dos governos tucanos, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso criticou a presidente Dilma Roussef (PT), que, segundo ele, demonstra ingratidão e "cospe no prato em que comeu".

- O que podemos dizer de uma pessoa ingrata? A presidente cospe no prato em que comeu - disse ontem Fernando Henrique, antes de participar em Belo Horizonte de um seminário promovido por seu partido.

Na última quinta-feira, durante a festa pelos dez anos do PT no poder, Dilma foi lançada candidata à reeleição pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ela rejeitou a herança de Fernando Henrique Cardoso ao dizer que "nós não herdamos nada. Construímos".

Ao lado do senador Aécio Neves (MG), pré-candidato tucano à Presidência, e do governador de Minas Gerais, Antonio Anastasia, Fernando Henrique afirmou que o PT "usurpou" os programas do PSDB, mas não conseguiu colocá-los em prática:

- O país requer outra voz. Há um cansaço, eles criaram o monopólio da palavra. Corremos o risco de nos transformarmos em uma democracia deformada. O que aconteceu no Brasil foi uma usurpação de projetos. Quem não tem projeto está no governo.

Cresce número de homicídios dolosos no estado de São Paulo

O número de homicídios dolosos (quando há a intenção de matar) no estado de São Paulo aumentou 16,85% em janeiro deste ano na comparação com janeiro de 2012, segundo a Secretaria de Segurança. Foram registradas 416 ocorrências de homicídio em janeiro de 2013 no estado (com 455 mortes). Em 2012, foram 356 casos em janeiro, com 386 mortos.

Na capital paulista, o aumento de homicídios intencionais foi de 16,67%, na comparação de janeiro deste ano com o mesmo período de 2012. Em janeiro de 2013, foram 98 casos, com 109 vítimas. Já em janeiro de 2012, o número foi de 84, com 92 mortos, de acordo com a Secretaria de Segurança.

Em janeiro de 2013, no entanto, houve menos homicídios dolosos no estado do que em dezembro de 2012 (529 vítimas), uma queda de 21,36%.

Na capital paulista, na comparação com dezembro de 2012, os números de homicídios em janeiro de 2013 também foram menores: 98 casos na capital no primeiro mês de 2013 (com 109 vítimas), contra 156 em dezembro (com 170 mortos).

O Estado de S. Paulo

Planalto corteja os irmãos Gomes para minar pretensão presidencial de Campos

Em estratégia articulada com seu padrinho político, Luiz Inácio Lula da Silva, a presidente Dilma Rousseff começa a atuar para neutralizar as pretensões do governador de Pernambuco e presidente nacional do PSB, Eduardo Campos, de se tomar seu possível adversário na disputa de 2014. Em meio aos confrontos explícitos de duas alas do PSB, Dilma recebe hoje o governador do Ceará, Cid Gomes (PSB), no Palácio do Planalto.

O encontro ocorre quarenta e oito horas depois das declarações do ex-ministro Ciro Gomes, que é irmão de Cid e criticou Campos (PSB), dizendo não ver nele um político preparado para comandar o Brasil. O ex-presidente Lula também se encontrará com Cid, na quinta-feira, e poderá ter uma conversa com o próprio Ciro.

Apesar de a direção do PSB tentar classificar a crítica de Ciro Gomes como uma "voz isolada no partido", há uma ala da legenda dominada pelos irmãos Gomes. A ação de Lula e Dilma dá força política a Cid e Ciro Gomes num momento de confronto com Eduardo Campos.

Uma das estratégias do PT para garantir a reeleição de Dilma é reorganizar a força do partido no Nordeste. Essa foi uma avaliação feita por Lula. Nesse cenário, o apoio de Cid Gomes é considerado fundamental, sobretudo se Eduardo Campos realmente decidir se lançar.

Lula é grato a Cid Gomes pelo fato de o governador ter prestado solidariedade ao petista assim que surgiram denúncias de Marcos Valério, o operador do mensalão, de que o ex-presidente sabia do esquema de corrupção e teria se beneficiado dele. Já Ciro Gomes, o irmão do governador, foi ministro da Integração Nacional de Lula de 2003 a 2006.

Na eleição presidencial de 2010, Ciro Gomes abandonou o projeto político presidencial e apoiou a eleição de Dilma Rousseff.

'Ciro não fala pelo partido', afirma governador

O governador de Pernambuco e presidente do PSB, Eduardo Campos, rebateu ontem o correligionário Ciro Gomes, segundo quem os possíveis adversários de Dilma Rousseff no ano que vem - Campos incluído - não têm projeto para o País. "Discordo da opinião dele e essa não é a opinião do partido", afirmou o presidenciável do PSB ontem em Recife.

No sábado, Ciro disse a uma rádio que "Eduardo Campos, Aécio Neves e Marina não têm nenhuma proposta, nenhuma visão", numa referência também ao senador tucano e à ex-senadora que tenta criar o partido Rede Sustentabilidade. "Isso é o que me preocupa", disse Ciro, ex-ministro do governo Luiz Inácio Lula da Silva pela cota do PSB.

Campos diz ter entendido a frase como uma crítica também à gestão da presidente Dilma. "Isso não é nenhuma novidade, ele (Ciro) vem falando isso, só que desta vez ele falou em relação a Dilma, a Aécio, a Marina, a todos", disse o governador pernambucano.

Indagado se o caminho de Ciro será a saída do PSB, Campos disse que "o PSB é um partido democrático", onde as pessoas "têm direito de ter suas opiniões". "Mas o debate sobre o que o partido vai fazer ou deixar de fazer deve ser travado no momento certo."
Sobre a movimentação do governo federal para tirar o PSB do páreo na disputa presidencial em 2014 - com a eventual ajuda dos irmãos Ciro e Cid Gomes, governador do Ceará Campos disse não estar "pensando nisso".

Aécio intervém e prefeito do PSB dá mais cargos a tucanos

O prefeito de Belo Horizonte, Mareio Lacerda (PSB), vai abrir mais espaço no governo para os aliados do PSDB na reforma cio secretariado a ser anunciada ainda esta semana após intervenção do senador e pré-candidato tucano à Presidência, Aécio Neves.

O clima entre os dois partidos havia "azedado" porque Lacerda queria nomes técnicos em cargos importantes. Chegou a recusar sugestões do PSDB mineiro.

Na cobiçada Secretaria Municipal de Obras e Infraestrutura, por exemplo, os tucanos queriam emplacar o presidente municipal do partido, o deputado estadual João Leite.

Apesar de ser correligionário do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, cotado para a disputa pela Presidência em 2014, Lacerda é mais próximo de Aécio. Daí a intervenção do senador tucano ter dado resultado. O próprio prefeito admitiu ontem que abrirá mais espaço para os tucanos. "Está um ambiente tranquilo, sem nenhuma dificuldade", disse Lacerda, referindo-se à aliança com os tucanos.

Alckmin defende Chalita e diz ter 'confiança absoluta' em ex-tucano

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), defendeu o deputado Gabriel Chalita (PMDB) - que foi seu secretário de Educação de abril de 2002 a março de 2006 - das acusações de enriquecimento ilícito e fraudes em recursos públicos.

O analista de sistemas Roberto Grobman afirmou, em depoimento ao Ministério Público, que Chalita cobrava propina de 25% dos empresários que fechavam contratos com o governo durante sua gestão na pasta. Ele disse também que o deputado comprou um apartamento de aproximadamente R$ 4,5 milhões com o dinheiro desviado de um convênio entre o Ministério da Educação, o Banco Interamericano de Desenvolvimento e o governo paulista.

Alckmin disse que confia em seu ex-secretário, que classificou como "uma pessoa correta".

"Tenho absoluta confiança (em Chalita), uma pessoa correta, séria e tem espírito publico. Confio no Chalita e confio no Ministério Público, que vai apurar e esclarecer", afirmou Alckmin, ontem de manhã.

PMDB do Rio afirma que só apoia Dilma se Lindbergh desistir

Com aval do governador Sérgio Cabral, o PMDB do Rio partiu para o ataque contra a pré-candidatura do senador Lindbergh Farias (PT) ao governo do Estado e insinuou que poderá não apoiar a reeleição de Dilma Rousseff se o petista não desistir da disputa. Em nota divulgada ontem, o PMDB-RJ cobrou do PT o apoio ao vice-governador Luiz Fernando Pezão, escolhido por Cabral para disputar a sucessão.

Embora aponte como "fundamental para o Brasil a reeleição da presidenta", o PMDB fluminense diz que a candidatura do vice- governador é "inegociável". "Não há hipótese de ele (Pezão) não ser candidato. Por tudo isso, o cenário de palanque duplo para a presidenta Dilma não se sustenta. Trata-se de uma equação que não fecha e cujo resultado não será a soma, mas a subtração", diz a nota, assinada pelo presidente regional do partido, Jorge Picciani. Uma versão mais contundente da nota cobrava diretamente da executiva nacional petista uma atitude para "equacionar a questão com o PT do Rio". Mas optou-se por uma versão mais branda do texto.

Deputado reage e quer divulgar processos contra promotores

Autor da polêmica Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que tira o poder de investigação dos promotores de Justiça de São Paulo, o deputado Campos Machado, líder do PTB na Assembleia, protocolou ontem na Mesa da Casa requerimento à Procuradoria-Geral de Justiça para que informe quantos processos disciplinares foram abertos, e por quais motivos, nos últimos 10 anos pela Corregedoria do Ministério Público do Estado.

O parlamentar quer saber quantos promotores, "por suas atitudes", sofreram ou estão sofrendo processo administrativo.

A iniciativa do petebista é mais um capítulo da crise entre promotores e deputados desde que a Justiça cortou o auxílio-moradia pago pela Assembleia indistintamente - todos os 94 parlamentares recebiam a verba, que foi excluída do contracheque a partir de uma ação civil movida pela Promotoria de Defesa do Patrimônio Público e Social.

No requerimento de informações, Campos Machado pede que seja oficiado à Procuradoria- Geral para que especifique sob quais fundamentos foram ou estão sendo conduzidos os processos disciplinares. Ele quer saber "quantos promotores, naquele período, foram ou estão sendo submetidos à sindicância investigatória pela Corregedoria".

Brasil pedirá aos EUA dados sobre 'cônsul'

O envolvimento do ex-diplomata americano Claris Halliwell com a ditadura militar brasileira está causando embaraço diplomático entre os dois países em para evitar mal entendidos, a Comissão Nacional da Verdade (CNV) vai pedir ao governo dos EUA, via Itamaraty, ajuda nas investigações, diante da recusa do Consulado-Geral dos EUA em São Paulo em atender aos pedidos da comissão.

A estratégia para acertar a colaboração americana, que começou a ser discutida ontem, será fechada na terça-feira, em reunião da CNV com o coordenador da Comissão Estadual da Verdade da Assembleia Legislativa de São Paulo, Ivan Seixas. Se a via diplomática não for suficiente, as duas comissões vão discutir meios legais de cobrar explicações do governo americano. Um dos caminhos seria acionar, pelo Ministério da Justiça, o acordo de cooperação jurídica internacional entre os dois países.

‘Chalita recebeu R$ 50 milhões em propina’

O analista de sistemas que acusa Gabriel Chalita (PMDB) de cobrar propina de empresários quando era secretário de Educação de São Paulo (2002-2006) afirmou que o deputado recebeu mais de R$ 50 milhões ilegalmente quando estava no governo. Roberto Grobman disse que viu Chalita receber caixas com "pilhas de notas de dinheiro" pelo menos seis vezes em seu apartamento e dentro da secretaria.

"Ele olhava aquilo eufórico, pegava o dinheiro e começava a distribuir (a auxiliares)", afirmou, em entrevista ao Estado.

Grobman, ex-colaborador do grupo educacional COC (atual SEB), reforçou que Chalita cobrava 25% de empresas interessadas em firmar contratos com sua pasta. Ele afirmou ainda que usava uma sala, um ramal e um e-mail da secretaria, apesar de não ter sido nomeado oficialmente para cargo algum.

"Eu soltei só um fio; agora é só puxar que vão ver muita coisa suja", declarou o analista.

'Quais são as provas?', desafia ex-secretário

Gabriel Chalita rechaça categoricamente as afirmações de seu acusador. Em nota ele desafia. "Qual o interesse deste senhor e quais são as provas de suas acusações?" O deputado questiona por que as denúncias "surgem 10 anos depois de ter deixado a Secretaria de Educação da gestão Geraldo Alckmin". Sua defesa está a cargo do advogado Alexandre de Moraes que já pediu arquivamento das investigações sob alegação de que Grobman não apresentou provas. Experiente, ex-promotor de Justiça, Moraes tem explicações para as acusações a Chalita. A assessoria do ex-secretário destaca que "todos os procedimentos instaurados foram arquivados a pedido dos próprios órgãos de investigação".

Suspeitos de tortura serão convocados logo a depor

No primeiro balanço do ano, realizado em reunião com representantes de 30 comissões estaduais e municipais de todo o País, a Comissão Nacional da Verdade informou ontem, em Brasília, que dezenas de agentes da repressão já estão identificados e serão convocados para depor sobre episódios ocorridos no País entre 1946 e 1985 - do início da redemocratização, após a ditadura de Getúlio Vargas, até o fim do regime militar de 1964. A lista inclui militares - policiais e civis - e empresários. Entre estes, estariam pessoas que financiavam a repressão, cediam imóveis para prisão e torturas ou até participavam de ações.

Até agora, a comissão tomou 40 depoimentos, de vítimas e acusados de autoria de crimes - dos quais, segundo a assessoria da comissão, 12 são antigos agentes da repressão. Nas contas do colegiado, pelos dados obtidos até agora, cerca de 50 mil pessoas teriam sofrido algum tipo de abuso durante o período por ela investigado.

Entre os convocados a depor nas próximas sessões estão os supostos autores do assassinato do ex-deputado Rubens Paiva, desaparecido em janeiro de 1971 -dois dos três militares do Exército que teriam torturado e morto o deputado (o outro já morreu).

Correio Braziliense

Com a bênção de FHC

Depois de ocupar a tribuna do Senado com o discurso de candidato à sucessão do Palácio do Planalto em 2014, o senador Aécio Neves (PSDB) recebeu ontem a bênção do seu maior cabo eleitoral: o ex-presidente da República e presidente de honra do PSDB nacional, Fernando Henrique Cardoso. O tucano reforçou a escolha do senador como o melhor nome do partido para tentar tirar o PT do Palácio do Planalto. Em evento na noite de ontem na capital mineira, FHC endureceu o discurso de oposição ao chamar a presidente Dilma Rousseff de “ingrata” e dizer que sua administração usurpou o projeto tucano de governo e agora “cospe no prato que comeu”. Ele afirmou ainda os tucanos não “roubaram” enquanto estiveram no poder.

“Neste momento a pessoa que tem mais condições (de disputar a sucessão presidencial) é o Aécio Neves. Não vejo outro nome. É o momento de renovação do falar, do estilo da pessoa. É o momento de sacudir o país”, afirmou o ex-presidente, que esteve em Belo Horizonte para proferir a palestra O século 21: desafios, ameaças e oportunidades, evento que marcou a abertura do ciclo de debates Minas Pensa o Brasil, promovido pelo PSDB mineiro. Embora tenha deixado clara sua escolha, FHC ressaltou que a candidatura precisa ser construída discutindo os problemas reais do Brasil e lançada apenas no momento oportuno. E garantiu que vai percorrer o país ao lado de Aécio para “plantar a semente da vitória”.

Um chega para lá em Ciro

As declarações dadas por Ciro Gomes de que o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PE) não tem visão do país nem estrada para se candidatar a presidente da República são insuficientes para alterar o cronograma do PSB de definir, até o fim do ano, se terá ou não candidatura própria a presidente em 2014. A legenda começará a partir do mês que vem a fazer consultas aos governadores, aos prefeitos e às bancadas do partido, além de procurar outras legendas para avaliar a viabilidade um voo solo do governador de Pernambuco.

Ontem, Eduardo Campos expressou com clareza que as críticas feitas por Ciro, que disputou as eleições presidenciais de 1998 e de 2002, não afetarão as discussões internas do PSB. “Isso é uma opinião que ele vem dando há algum tempo. Não é nenhuma novidade. Discordo da opinião dele e essa também não é a opinião do partido”, declarou o governador pernambucano.

Aliados de Eduardo Campos rejeitam também uma crise interna. “Esse é o jeito do Ciro fazer política, ele fala o que vem à cabeça. Quando a gente passa dos 40 anos, fica difícil mudar de estilo. Nunca o PSB esteve tão unido como está hoje”, garantiu o secretário-geral do PSB, Carlos Siqueira.

Adams não cometeu irregularidade, diz AGU

Documento enviado ontem pela Advocacia-Geral da União (AGU) à Comissão de Ética Pública da Presidência da República afirma que não foram encontradas irregularidades na conduta do advogado-geral da União, Luís Inácio Adams, em relação à Operação Porto Seguro. Segundo a assessoria do órgão, os relatórios já haviam sido encaminhados à Polícia Federal, ao Ministério Público Federal, à Controladoria-Geral da União, à Presidência da República e à 5ª Vara Federal do Distrito Federal há cerca de 10 dias. “O material apresenta os fundamentos jurídicos da Corregedoria que afastam qualquer irregularidade do advogado-geral da União no caso. Conclusões semelhantes à da Polícia Federal, que em nenhum momento encontrou indícios contra Luís Inácio Adams”, diz nota da AGU.

Pinheiro assume a Comissão da Verdade

A Comissão Nacional da Verdade fez ontem um balanço dos trabalhos desenvolvidos até o momento, em quase 10 meses de funcionamento. No encontro, que reuniu representantes de 30 colegiados das unidades da Federação, além de instituições públicas e organizações de classe, também foi apresentado oficialmente o novo coordenador do grupo, nomeado na semana passada: o professor Paulo Sérgio Pinheiro, ex-secretário de Direitos Humanos no governo Fernando Henrique Cardoso. Pinheiro deverá dar um tom mais discreto à comissão, seguindo o estilo adotado quando esteve no Executivo.

Assim como os dois antecessores — o ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Gilson Dipp e o ex-procurador-geral da República Cláudio Fonteles —, Pinheiro é ligado à questão dos direitos humanos. Além de ter trabalhado na área, ele era integrante do Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo, onde foi professor titular. Ao contrário dos antecessores, Pinheiro é avesso a entrevistas, mantendo as aparições públicas às estritamente necessárias.

Dirceu pede acesso a votos para definir defesa

Apreensivo com a proximidade da publicação do acórdão do processo do mensalão, o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) o acesso antecipado à íntegra dos votos escritos dos magistrados. Nas últimas semanas, o petista tem se movimentado por Brasília e procurado juristas na tentativa de reverter a condenação a 10 anos e 10 meses de cadeia em regime fechado.

Dirceu foi o primeiro dos 25 condenados durante a apreciação da Ação Penal 470 a pedir acesso aos votos. A defesa do ex-ministro alega que a complexidade e a excepcional dimensão do julgamento justificam a entrega dos votos. O objetivo dele é ganhar tempo para a elaboração dos chamados embargos de declaração, que são os recursos cabíveis contra as condenações definidas pelo plenário.

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