Dilma diz que pobreza tem face negra e feminina

Presidenta aproveitou para criticar arrocho fiscal e social como única solução para crise financeira da zona do Euro

A presidente Dilma Rousseff disse neste sábado (19) que a pobreza tem uma faceta negra, feminina e infantil. “O combate à pobreza, a geração de emprego e a proteção da saúde materno-infantil também são importantes fatores de inclusão social dos afrodescendentes”, afirmou ela, em discurso a chefes de Estado durante o Encontro Iberoamericano em Comemoração do Ano Internacional dos Afrodescendentes, em Salvador (BA). Amanhã, 20 de novembro, comemora-se o Dia da Consciência Negra.

Dilma ressaltou que a América Latina e o Caribe têm a maior população de negros e pardos do planeta, mais de 150 milhões de pessoas. O Brasil é o país com a segunda maior população negra do mundo, atrás apenas da Nigéria.

Foi aprovada hoje a “Declaração de Salvador”, assinada por Dilma e representantes de países da América do Sul, como Colômbia, Uruguai e Peru, do Caribe, como Cuba e Costa Rica, e da África, como Angola e Guiné. O documento expressa a preocupação dos países em reverter a os efeitos discriminação racial existente nas regiões. “Os afrodescendentes ainda são os que mais sofrem com o desemprego, a extrema pobreza e a violência, que tem vitimado tantos jovens nas nossas periferias urbanas”, explicou Dilma.

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Má experiência

A presidente afirmou temer que a crise financeira europeia contamine os avanços econômicos da América Latina e a inclusão social dos negros e pardos.

Dilma aproveitou para criticar novamente a solução de arrocho fiscal e social apresentada aos países europeus para vencer o caos econômico, caso principalmente da Grécia. A presidenta destacou que a experiência do Brasil com o Fundo Monetário Internacional (FMI) foi ruim. O país passou 20 anos seguindo a receita do fundo e, segundo ela, isso paralisou as conquistas sociais.

“Sabemos que esse processo não dá certo. Ele leva à recessão, ao desemprego, a perdas de direitos, mas ele não tira os países da crise”, criticou Dilma. Para ela, a fórmula correta inclui economizar recursos públicos, sim, mas também políticas de investimento e que estimulem o consumo e a inclusão social.

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