Dilma defende mais imposto para reequilibrar o Brasil

Sobre seu trabalho no Conselho de Administração da Petrobras, incluindo a compra da refiaria de Pasadena, a presidente ironizou os jornalistas, dizendo que o assunto dá para fazer uma boa reportagem

A presidente Dilma voltou a defender, nesta sexta-feira (15), a volta da CPMF para reequilibrar as contas do país e retomar o nível de emprego. A declaração aconteceu durante café da manhã de mais de uma hora a jornalistas brasileiros e estrangeiros, no palácio do Planalto.

Segundo a presidente, a grande preocupação do governo é com o grande número de trabalhadores fora do mercado de trabalho. Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, divulgados nesta sexta, mostram que a taxa de desemprego no país ficou em 9% no trimestre encerrado em outubro. Trata-se do resultado mais alto da série, que começou em 2012

“A grande preocupação do governo é a questão do desemprego. E é por causa disso que nós achamos que algumas medidas são urgentes. Reequilibrar o Brasil num quadro em que há queda de atividade implica necessariamente, a não ser que nós façamos uma fala demagógica, em ampliar impostos. Eu estou me referindo à CPMF”.

A presidente falou da CPMF como forma de controle de evasão fiscal:

“Acho que é fundamental, para o país sair mais rápido da crise, aprovar a CPMF, que é um imposto que se dissolve, se espalha por todos, de baixa intensidade, ao mesmo tempo que permite controle de evasão fiscal e ao mesmo tempo faz outra coisa, que é muito importante: tem um impacto pequeno na inflação, porque ele é dissolvido se você considerar os demais impactos”.

A presidente classificou de “repetições” as denúncias relativas a delações premiadas na Lava Jato, com relação a ela e a ministros de seu governo.

“Essas denúncias são de vazamentos. Eu não sei nem se as delações estão feitas, se é delação de quem, se é vazamento de quem. Então, vocês me permitam dizer o seguinte: nós responderemos, eu especialmente responderei, qualquer coisa em quaisquer circunstâncias. As últimas que saíram são repetições. Não tem nenhuma novidade nessa questão. Então, me permita dizer que quando as coisas ficarem bem claras, porque tem uma hora que fica difícil. Qual é a hora que fica difícil? A gente não sabe quem disse, quem falou, e se é garantido. Não tem clareza para nós. Para nós, a pergunta nunca vem muito clara. Quem disse? É verdade que disse? Quem me garante que disse? E disse aquilo mesmo? E em que contexto?”, perguntou Dilma.

Ironia

Com relação a suas ações quando presidiu o Conselho da Petrobras, inclusive no que se refere à compra da refinaria de Pasadena, foi irônica:

“Eu estou fornecendo tudo, como eu sempre fiz. Então, nessa questão, pergunta que eu respondo. Pergunta por escrito, eu respondo, dou ata, dou papel, dou material, dá para fazer uma boa reportagem” disse a presidente.

Questionada a respeito do processo de impeachment, Dilma disse que não se depõe um presidente por não gostar dele.

“Não se pode no Brasil achar que você tira um presidente porque não está simpatizando com ele. Isso não é nem um pouco democrático. Além disso, achar que você tira um presidente porque, do ponto de vista político você não gosta dele, é algo que se faz no parlamentarismo. O voto do presidencialismo necessariamente implica que, para você tirar um presidente, você tem que ter razões concretas, que não são políticas, são aquelas previstas na lei”, defendeu.

A relação com Temer é “fraterna”, garantiu Dilma.

“Nós temos - o governo, e eu em específico -, toda consideração pelo presidente Temer. Eu tenho conversado com ele, conversei antes do Natal, conversei antes do fim do ano, temos já duas reuniões marcadas, uma especificamente para essa semana. A gente ia conversar na semana, mas meu neto nasceu, quando o presidente chegou a Brasília eu tive que me afastar”.

Dilma enfatiza que a reforma da Previdência tem um papel fundamental para o futuro do país.

“Eu entendo a CUT, o PT, todas as outras centrais, elas têm a função delas: fazer críticas, pedir mais e falar: "Olha, está errado aqui, está errado ali". Nós aprendemos muito com eles. Agora, tem um limite para você cortar despesa. Nós cortamos despesas que tivessem o menor impacto possível e procuramos achar onde o gasto estava excessivo. Onde ele estava incorreto. Ainda não acabamos. Temos que continuar fazendo isso”, frisou.

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